Postado em 15.04.2008 | 16:02 | Arthur Veríssimo

Aqui está uma foto ducaralho que mistura duas matérias que estou desenvolvendo em Tóquio. A primeira é sobre os uniformes dos trabalhadores e operários que pegam forte no batente. A segunda é sobre o uso incontrolável das máscaras kafunsho em todo o Japão, por conta da epidemia do polem das flores. Uma mistura sui generis do tiozinho voltando para casa de terno e gravata com a máscara e eu com meu uniforme, totalmente aparamentando. Logo mais vou escrever do show matador do Guru & Jazzmatazz, que presenciei em uma das melhores casas de espetáculo do mundo, o Billboard Mid-town, que fica na parte nobre de Roppongi. Você janta e curte com um cenário de fundo do skyline de Tóquio. O Guru estava acompanhado do superproducer e inacreditável DJ Doo Wop. Arrepiaram amigos. Make the noise! Eles tocaram todos os clássicos dos clássicos. Seu grupo é composto ainda de flauta, sax, teclado, com o incrível J. Scott na guitarra, e no trompete um branquelo de Toronto, Mister Brownman. A noite seguiu como néctar.
Arthuro-san
Postado em 10.04.2008 | 20:35 | Arthur Veríssimo

A chuva continua castigando os meus planos de passear e fotografar nos parques e ruas de Tóquio. Uma das minhas principais pautas pelo Japão seria participar do festival da fertilidade em Kawasaki, o ?Kanamara Matsuri?, mais conhecido como O Festival da Piroca Cor de Rosa. Meus planos estavam escorrendo literalmente pelo bueiro com a tempestade diária. Esse festival acontece sempre numa data específica do mês de abril. Fui dormir desolado. Na manhã seguinte, o sol rompeu pela janela e saí feliz da vida para a estação central de Tóquio para fazer baldeação e seguir para Kawasaki de trem. Nas imediações do templo xintoísta, multidões se aglomeravam para a celebração. Havia contratado o serviço em uma agência de uma senhora descolada que já manjava do Festival e era chegada do sacerdote. Nas dependências paralelas do templo ela alugou um quimono tridimensional e saí montado de peruca cor de rosa. Em menos de dois minutos, eu já atraia todos os flashes do evento. Fui o único ocidental a participar da romaria de ponta a ponta a caráter. Foi um Deus nos acuda. Nessa existência nunca fui tão fotografado e filmado. Na muvuca percebi as confrarias que carregavam os estandartes pirocudos. Comerciantes, verdureiros, famílias, empresários, travecos e gente da Yakusa.
Contarei os detalhes desta missão impossível em breve nas páginas da Trip. Enquanto isso, amiguinho, se deleite com o Fallus Pink.
Arthur ?Tiger? Veríssimo
Postado em 08.04.2008 | 18:44 | Arthur Veríssimo

Estou há quatro dias na cidade de Kyoto e tive uma altíssima experiência gastronômica no mosteiro de Tenryu-ji. Sou vegetariano há alguns anos e aproveitei o ensejo para conhecer este templo e mosteiro construído em 1339. O mosteiro oferece aos curiosos a autêntica comida elaborada pelo chefe zen da cozinha. Foi um manjar dos deuses. O menu é cuidadosamente planejado e preparado pela entidade. Segundo o monge que nos serviu, a comida oferece uma harmonia dos seis sabores básicos: amargo, azedo, doce, salgado, leve e quente. O banquete foi uma série de pires e cumbucas com pequenas porções. Iniciei com um caldo de broto de bambu, algas e cogumelos. Na seqüência, veio adicionado ao arroz e às conservas outra sopa densa de feijão de soja. Na comitiva de frente, três delicados pratos de tofu, inhame e batata doce, grelhados e cobertos de sementes de gergelim. Ao final tomamos o clássico chá verde. O detalhe é que na culinária zen não inclui em nenhum prato o alho e a cebola.
Marmita Bento, servida nos trens
Zen fartura
Uma curiosidade que percebi nos restaurantes é que fazer ruídos sorvendo o soba e o udon [macarrões típicos] é comum em qualquer lugar. É necessário ingerir o macarrão quente, e sem ruídos, queima-se a boca. Agora a vida nos mosteiros zen não tem nenhum glamour. Se liga: monges em treinamento fazem duas refeições principais ao dia. Pela manhã, uma tigela de mingau de arroz, uma ameixa salgada e rabanetes em conserva. No almoço, uma tigela de arroz tipo cevada, sopa e talvez alguns legumes cozidos, alem de picles de rabanete. À noite, uma leve refeição com mingau feito das sobras do almoço e do café da manha. Toda esta rotina com muitas orações e preces. Cada monge tem e cuida do seu próprio set de cozinha, com cumbucas e palitinhos. Após as refeições, água quente é despejada nas cumbucas para lavá-las. Finalmente, de modo a não se desperdiçar nada, nenhuma partícula de comida na elaboração da refeição é desperdiçada. A água da limpeza é ingerida.
No próximo texto contarei um pouco mais de nossa saga pelo Japão. Festival da piroca cor-de-rosa, balada na sauna da yakusa, Godzilla, Ultra-man e a floração das cerejeiras.
- Arthur-san
Postado em 06.04.2008 | 18:34 | Arthur Veríssimo

No momento estou conhecendo a histórica cidade de Kyoto, uma espécie de Disneylandia para os amantes do zen budismo, xintoísmo e cultura japonesa. Existem mais de dois mil templos, castelos e mosteiros para todos os paladares e linhas religiosas spalhados pela cidade . Passei os dois primeiros dias em Tóquio tentando me recuperar do jet leg terminal. Estamos com 12 horas de diferença. Estou meio dia na frente do tempo do Brasil.
Peguei um shinkanzen, o famoso trem bala, e em quatro horas já estava em Hiroshima. Dentro do trem são vendidos para os japoneses uma refeição em bandejas. Identifiquei que são comidas prontas e frias, chamadas de Bentos. Um sujeito se lambuçava ao meu lado. Perguntei: ?Nandesu Ka [o que é isso]"?. O tipo respondeu: ?Sakana?. Abri meu caderninho de frases e entendi que era peixe. Ninguém se incomoda em bater um rango, e a maioria fazia a refeição na boa. De Horishima fui para Osaka, onde choveu incessantemente por dois dias.
Arthuro-san
Postado em 04.04.2008 | 20:31 | Arthur Veríssimo

Hoje foi um dia sui-generis. Fui fazer uma refeição no templo Tenryu-ji, depois de visitar diversos palácios e locais sagrados de Kyoto. O mosteiro é impecável e a cozinha é comandada por um chefe Zen. Alta culinária zen budista. Os ingrendientes são delicados e deliciosos. Uma experiencia inigualável. Já comprei ingressos para ir aos shows do Guru & JazzMattazz e do Foo Fighters. Mas o que gostaria de contar para vocês é sobre a maior celebridade atualmente no Japão. Ela está presente no rosto de muitos japoneses. As máscaras cirúrgicas, mais conhecidas como máscaras de KAFUNSHO. Kafunsho faz parte do dia-a-dia dos japs. Pretendo fazer uma consulta mádica para saber se necessito usar o Kafunsho. O grande problema é que no período atual, que é a primavera, as flores soltam o polém e muita gente é alérgica. Existe uma epidemia no ar. São mais de 50 tipos de árvores espalhando pólem de norte a sul no arquipélago. Pretendo levar todo um arsenal para o Brasil. Os ítens mais populares são as famosissímas máscaras seguidas de luvas e chapéus. Existem alguns customizados. O cenário pelas ruas, metrô e restaurantes, com milhares de japoneses usando a máscara, assusta qualquer turista desavisado. Parece um país tomado por alguma epidemia maléfica. Nas farmácias, a quantidade de produtos relacionados com a alergia do polém é uma disneylandia. Sprays, adesivos, balinhas e centenas de marcas de máscaras. Aguarde que a mania do Kafunsho em breve invadirá o Brasil. Sobre Maikos e Gueixas, conto na sequência para vocês.
Arthuro-san
Postado em 04.04.2008 | 18:56 | Arthur Veríssimo
Aqui, caros leitores ansiosos por viagens Arthurianas, lhes apresento bons momentos, o lado V, das minhas viagens pelo planeta, in loco, direto do front.