Ago 14
O verão na Islândia é recheado de atrativos. Na parte norte da ilha na pequena Husavik com seus pouco mais de 2.500 habitantes o grande lance é sair mar adentro e delirar com o show das baleias. Nesse dia avistei duas dezenas de varias espécies: baleias azul, mink, fin, jubarte e duas orcas. Na volta fui conhecer um dos museus mais bizarros do planeta.

O Icelandic Phallological Museum. Caríssimos leitores o local conta com um acervo de mais de 180 pirocas de quase todas as espécies de mamíferos, terrestres e marítimos da fauna islandesa e mundial. A coleção dispõe de 52 exemplares de 15 tipos de baleias. O colecionador e diretor da FALOTECA, Mister Sigurdur Hjartarson nos conduziu pelo reduto e apresentou os seus preferidos.

O tiozinho veio com um papinho “bem loko” dizendo que já tem três pênis de macho prometidos para sua coleção, no pós-morte. As doações estão comprovadas através de cartas escritas pelo próprio punho dos doadores em potencial. E com um olhar de Hannibal Lexter lançou que está procurando novos voluntários. Tiozinho esquisitão né? Dá uma olhada na foto.





Ago 08

Por falar em Eskimo, como a maioria dos nativos do Ártico é chamada, o significado da palavra na linguagem Athapaskan é “comedores de carne crua”. Dar um rolê pelo vilarejo é uma experiência única. Os Eskimos adultos ficam na miudinha e quem se aproxima como em qualquer parte do planeta são as crianças. Elas se divertem com a turistada desesperada com a quantidade de pernilongos e mosquitos que grudam no pescoço e pela face. A sorte para a maioria é que na recepção do único hotel vendem-se mosquiteiros para a cabeça. No ultimo censo de Kulusuk foram detectados 356 habitantes Inuits e 4 estrangeiros. O que impressiona é a quantidade de cachorros presos na frente de suas respectivas casas. São os famosos cachorros eskimos que fazem corridas de trenós em equipes e atravessam longas jornadas pelo interior da Groenlândia. A raça é conhecida como Malamute. Conversando com um treinador Inuit de Malamutes ele nos disse que esses cães suportam até 300 quilômetros diários em travessias. Os cães evitam as irregularidades dos terrenos e parecem saber sempre onde se encontram. Como autênticos cães de caça, eles perseguem o rastro dos ursos polares, caribus e raposas. Gostaria de deixar claro, como esse dia radioso e brilhante na Groenlândia, que essa raça não é o Huskie-siberiano branco-acinzentado que observamos pelos parques e ruas das grandes metrópoles brasileiras.

Os malamutes dessa região possuem uma pelagem marrom-creme, têm longos e duros cabelos e uma espessa manta lanosa que os isolam do frio. São grandes companheiros. Sempre no grupo existe o líder da matilha, que garante sua liderança à base de dentadas. Gostaria de saber se existem criadores no Brasil. Por incrível que pareça eles estão perdendo terreno para os veículos adaptados a neve. Seria o fim de uma grande tradição.

Arthur Veríssimo, direto da Islândia
Ago 08

Na pequena Kulusuk, na parte leste da Groenlândia, para quem gosta da luz solar os dias no verão são de 24 horas. Essa região na Groenlândia é coberta por maravilhosos cenários, fiordes exuberantes. Para os amantes da natureza que gostam de caminhar o local é o shangri-lá.

A viagem de Reykjavik, capital da Islândia, até o aeroporto de Kulusuk foi realizada em duas horas cravadas. Estou em estado de êxtase diante de tanta maravilha. Tudo é espetacular. O estado selvagem da natureza encontra-se na sua quintessência. O vilarejo de Kulusuk está encravado na borda de uma montanha e com dezenas de casinhas coloridas. O estilo de vida dos Inuits, um dos ancestrais grupos habitantes do Ártico, continua como se estivéssemos a séculos no passado. Acompanhei uma performance de um caçador de focas em seu Kaiaque, que mais parece uma embarcação de guerra, cheia de traquitanas bélicas. Vocês sabiam que o famoso casaco-protetor de chuva Anurak foi criado pelos Inuits. O casaquinho descolado com capuz que você desfila pelas ruas, e praias do Brasil nos dias chuvosos, foi criado pelas incansáveis esposas dos Eskimos, com a pele e gordura das focas.


Arthur Veríssimo, direto da Islândia
Ago 05

Reykjavik é considerada por viajantes rodados e calejados como a cidade mais segura e antenada do planeta. Com pouco mais de 140 mil habitantes Reykjavick possui opções detonantes de restaurantes, shows, baladas, museus e passeios que muita metrópole de milhões de habitantes nunca sonhou em ter. O jornalista e reverendo Fábio Massari descreve cirurgicamente em seu livro Rumo à estação Islândia o mapa da mina da cena do rock e seus derivados , a balada fortissima da terra da Björk.
Sou vegetariano desde o século passado e existem três restaurantes com comida organica deliciosa na parte central da cidade. Alias, aqui comida e orgânico são sinsinônimos, uma vez que o país proibe o uso de fertilizantes químicos. O Anaesto Grosum é sem sombra de dúvidas um dos melhores do mundo com acepipes e guloseimas apetitosas. Uma das maravilhas na Islândia é como eles lidam com a energia e se encontram a anos luz de distância do restante do planeta. Nas casas, quitandas e banheiros públicos a água ja vem fervendo das fontes termais. Na capital, carros rodam a base de hidrogênio e ônibus de metano.
Hoje é uma data histórica na ilha. Os termômetros bateram o record de 27 graus centigrados . O último recorde registrado na ilha data de 1930, com raros 24 graus para um dos lugares mais frios da Terra.
O povo islandes é o mais sintonizado a respeito do aquecimento global, elevação dos oceanos e novas fontes de energia. A Islandia pretende atingir em breve a marca de primeiro país completamente verde do mundo.
Existe lava por toda a parte, cobertas de turfa e vegetação rasteira. A ilha detém um total de 22 vulcões ativos além da terceira maior calota de gelo do planeta perdendo apenas para a Groelândia e Antartica. Ontem fui conhecer a majestosa geleira de VATNAJOKULL que ocupa 12 por cento da ilha. Naveguei pela lagoa de Jokulsarlon onde imensos icebergs azulados cobertos de poeira vulcanica negra compoem o cenário onde muitas cenas de películas foram filmadas. Entre os filmes, Lara Croft - Tomb Raider e dois James Bond. E por sorte tive direito a um extra com um balett de focas selvagens que a tempo nao eram avistadas no local.
Toda a energia geo-térmica que é gerada na Islândia vem do fato da ilha estar localizada entre as placas tectônicas da América e Eurasia, com um fluxo intenso de lava correndo no subsolo.
Na volta do passeio eram 8 da noite e fui dar um mergulho em uma piscina pública.
O sol continuava fervendo.
DE REYKJAVICK ARTHUR (MAGNUSON) VERÍSSIMO.
Jul 30
A saga continua pelos confins do continente Ártico. O ponto de chegada é a cidade de Reykjavik, capital da imensa Islândia. Vulcões, lava, vikings, gelo, geleiras negras e um povo ligadíssimo na tecnologia geotérmica. Ja se passaram cinco dias desde que pisei em solo islandês e por incrível que pareça ainda não vi a escuridão da noite. Os dias são inesgotáveis. O lusco-fusco arrasta-se da meia-noite e se estende até as três da matina, quando o sol retorna turbinadíssimo. Ontem, caminhando na área central da cidade, um bêbado se jogou na frente de um ônibus e saiu o motorista e o auxiliar. Um deles empurrou o bebum e a multidão colou no pedaço a favor do Bukowisk de plantão. Acreditem… botaram o ônibus para andar. Pela primeira vez na vida vi, em um canto do planeta, um bêbado ter razão.

Para quem não sabe estamos na terra natal da Bjork, do Sigur Rós e do Prêmio Nobel de Literatura Halldor Laxness. O rock, a literatura e as artes plásticas dominam a vida desse lugar com pouco mais 300 mil habitantes e do tamanho da Inglaterra. Acabei de chegar de uma terma que fica dentro de um imenso tanque natural de lava. A enigmática Blue Lagoon com sua água leitosa azulada. Terra de elfos, gnomos, trolls e jarovergar. Pelo menos 99% da população da Islândia acredita nos seres dos mundos secretos, e 100% em extraterrestres. E você, acredita em elfos e fadas? Conto no próximo post a historia deles.
Arthur Veríssimo, direto de Reykjavik [Islândia]
Abr 15

Aqui está uma foto ducaralho que mistura duas matérias que estou desenvolvendo em Tóquio. A primeira é sobre os uniformes dos trabalhadores e operários que pegam forte no batente. A segunda é sobre o uso incontrolável das máscaras kafunsho em todo o Japão, por conta da epidemia do polem das flores. Uma mistura sui generis do tiozinho voltando para casa de terno e gravata com a máscara e eu com meu uniforme, totalmente aparamentando. Logo mais vou escrever do show matador do Guru & Jazzmatazz, que presenciei em uma das melhores casas de espetáculo do mundo, o Billboard Mid-town, que fica na parte nobre de Roppongi. Você janta e curte com um cenário de fundo do skyline de Tóquio. O Guru estava acompanhado do superproducer e inacreditável DJ Doo Wop. Arrepiaram amigos. Make the noise! Eles tocaram todos os clássicos dos clássicos. Seu grupo é composto ainda de flauta, sax, teclado, com o incrível J. Scott na guitarra, e no trompete um branquelo de Toronto, Mister Brownman. A noite seguiu como néctar.
Arthuro-san
Abr 10
A chuva continua castigando os meus planos de passear e fotografar nos parques e ruas de Tóquio. Uma das minhas principais pautas pelo Japão seria participar do festival da fertilidade em Kawasaki, o “Kanamara Matsuri”, mais conhecido como O Festival da Piroca Cor de Rosa. Meus planos estavam escorrendo literalmente pelo bueiro com a tempestade diária. Esse festival acontece sempre numa data específica do mês de abril. Fui dormir desolado. Na manhã seguinte, o sol rompeu pela janela e saí feliz da vida para a estação central de Tóquio para fazer baldeação e seguir para Kawasaki de trem. Nas imediações do templo xintoísta, multidões se aglomeravam para a celebração. Havia contratado o serviço em uma agência de uma senhora descolada que já manjava do Festival e era chegada do sacerdote. Nas dependências paralelas do templo ela alugou um quimono tridimensional e saí montado de peruca cor de rosa. Em menos de dois minutos, eu já atraia todos os flashes do evento. Fui o único ocidental a participar da romaria de ponta a ponta a caráter. Foi um Deus nos acuda. Nessa existência nunca fui tão fotografado e filmado. Na muvuca percebi as confrarias que carregavam os estandartes pirocudos. Comerciantes, verdureiros, famílias, empresários, travecos e gente da Yakusa.
Contarei os detalhes desta missão impossível em breve nas páginas da Trip. Enquanto isso, amiguinho, se deleite com o Fallus Pink.

Arthur “Tiger” Veríssimo
Abr 08
Estou há quatro dias na cidade de Kyoto e tive uma altíssima experiência gastronômica no mosteiro de Tenryu-ji. Sou vegetariano há alguns anos e aproveitei o ensejo para conhecer este templo e mosteiro construído em 1339. O mosteiro oferece aos curiosos a autêntica comida elaborada pelo chefe zen da cozinha. Foi um manjar dos deuses. O menu é cuidadosamente planejado e preparado pela entidade. Segundo o monge que nos serviu, a comida oferece uma harmonia dos seis sabores básicos: amargo, azedo, doce, salgado, leve e quente. O banquete foi uma série de pires e cumbucas com pequenas porções. Iniciei com um caldo de broto de bambu, algas e cogumelos. Na seqüência, veio adicionado ao arroz e às conservas outra sopa densa de feijão de soja. Na comitiva de frente, três delicados pratos de tofu, inhame e batata doce, grelhados e cobertos de sementes de gergelim. Ao final tomamos o clássico chá verde. O detalhe é que na culinária zen não inclui em nenhum prato o alho e a cebola.

Marmita Bento, servida nos trens
Zen fartura
Uma curiosidade que percebi nos restaurantes é que fazer ruídos sorvendo o soba e o udon [macarrões típicos] é comum em qualquer lugar. É necessário ingerir o macarrão quente, e sem ruídos, queima-se a boca. Agora a vida nos mosteiros zen não tem nenhum glamour. Se liga: monges em treinamento fazem duas refeições principais ao dia. Pela manhã, uma tigela de mingau de arroz, uma ameixa salgada e rabanetes em conserva. No almoço, uma tigela de arroz tipo cevada, sopa e talvez alguns legumes cozidos, alem de picles de rabanete. À noite, uma leve refeição com mingau feito das sobras do almoço e do café da manha. Toda esta rotina com muitas orações e preces. Cada monge tem e cuida do seu próprio set de cozinha, com cumbucas e palitinhos. Após as refeições, água quente é despejada nas cumbucas para lavá-las. Finalmente, de modo a não se desperdiçar nada, nenhuma partícula de comida na elaboração da refeição é desperdiçada. A água da limpeza é ingerida.
No próximo texto contarei um pouco mais de nossa saga pelo Japão. Festival da piroca cor-de-rosa, balada na sauna da yakusa, Godzilla, Ultra-man e a floração das cerejeiras.
- Arthur-san
Abr 06

No momento estou conhecendo a histórica cidade de Kyoto, uma espécie de Disneylandia para os amantes do zen budismo, xintoísmo e cultura japonesa. Existem mais de dois mil templos, castelos e mosteiros para todos os paladares e linhas religiosas spalhados pela cidade . Passei os dois primeiros dias em Tóquio tentando me recuperar do jet leg terminal. Estamos com 12 horas de diferença. Estou meio dia na frente do tempo do Brasil.
Peguei um shinkanzen, o famoso trem bala, e em quatro horas já estava em Hiroshima. Dentro do trem são vendidos para os japoneses uma refeição em bandejas. Identifiquei que são comidas prontas e frias, chamadas de Bentos. Um sujeito se lambuçava ao meu lado. Perguntei: “Nandesu Ka [o que é isso]”?. O tipo respondeu: “Sakana”. Abri meu caderninho de frases e entendi que era peixe. Ninguém se incomoda em bater um rango, e a maioria fazia a refeição na boa. De Horishima fui para Osaka, onde choveu incessantemente por dois dias.
Arthuro-san
Abr 04

Hoje foi um dia sui-generis. Fui fazer uma refeição no templo Tenryu-ji, depois de visitar diversos palácios e locais sagrados de Kyoto. O mosteiro é impecável e a cozinha é comandada por um chefe Zen. Alta culinária zen budista. Os ingrendientes são delicados e deliciosos. Uma experiencia inigualável. Já comprei ingressos para ir aos shows do Guru & JazzMattazz e do Foo Fighters. Mas o que gostaria de contar para vocês é sobre a maior celebridade atualmente no Japão. Ela está presente no rosto de muitos japoneses. As máscaras cirúrgicas, mais conhecidas como máscaras de KAFUNSHO. Kafunsho faz parte do dia-a-dia dos japs. Pretendo fazer uma consulta mádica para saber se necessito usar o Kafunsho. O grande problema é que no período atual, que é a primavera, as flores soltam o polém e muita gente é alérgica. Existe uma epidemia no ar. São mais de 50 tipos de árvores espalhando pólem de norte a sul no arquipélago. Pretendo levar todo um arsenal para o Brasil. Os ítens mais populares são as famosissímas máscaras seguidas de luvas e chapéus. Existem alguns customizados. O cenário pelas ruas, metrô e restaurantes, com milhares de japoneses usando a máscara, assusta qualquer turista desavisado. Parece um país tomado por alguma epidemia maléfica. Nas farmácias, a quantidade de produtos relacionados com a alergia do polém é uma disneylandia. Sprays, adesivos, balinhas e centenas de marcas de máscaras. Aguarde que a mania do Kafunsho em breve invadirá o Brasil. Sobre Maikos e Gueixas, conto na sequência para vocês.
Arthuro-san