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Uma questão Leitores inteligentes não são felizmente privilégio da fase atual desta revista, evidentemente mais sólida e vigorosa. Desde a primeira edição, doze anos e meio atrás, vimos carreando para perto pessoas exigentes e que exercitam a consciência diariamente desde a hora que despertam. Isto tem um preço que aliás nos agrada muito pagar: temos não só uma legião de leitores que ultrapassa há algum tempo a centena de milhar. Temos, mais que isso, um corpo gigantesco de observadores, gente atenta a cada um de nossos passos, cobrando coerência, honestidade e clareza de princípios. É assim que funciona e é por isso que lutamos desde o início, quando, aliás, recursos e armas eram escassos. Assim, lembro-me de ter recebido ao longo do tempo várias cartas questionando alguns anúncios de cigarros veiculados vez ou outra nas páginas de TRIP. Procurei respondê-las como faço sempre, e nas respostas tentava explicar que aquele dinheiro pago pela indústria do tabaco seria usado para fortalecer o alicerce de uma estrutura que um dia seria sólida o suficiente para servir de bunker onde se protegeriam os que ousam se manifestar contra a indústria do assassinato. Esta edição e os mais de seis meses de pesquisas necessários para elaborá-la são dedicados aos leitores que acreditaram na seriedade da resposta àquela altura. Dedico também aos que imaginaram que não passava de "enrolação", já que eles também, querendo ou não, ajudaram a cimentar as paredes do nosso bunker. Por que o cigarro, se a cocaína, o álcool, a violência urbana matam tanto neste país? Se preferir o aspecto científico da resposta, veja a entrevista de uma das maiores autoridades mundiais em saúde pública, o dr. Drauzio Varella, publicada na página 62 da TRIP que já está nas bancas, e confira o que décadas de experiência ao lado de doentes terminais lhe ensinaram sobre as diferenças entre cigarro, álcool, cocaína e outras drogas. |
Se, porém, quiser conhecer outro motivo que pesou muito na nossa decisão, basta ligar a televisão, folhear as revistas e jornais, tomar um ônibus ou mesmo sair às ruas de qualquer cidade do país para ser bombardeado por imagens associando os esportes não-convencionais (ou radicais, se preferir) às diversas marcas de cigarro. A exploração de ambientes e atividades que ainda conservam boa dose de ingenuidade e amadorismo é terreno perfeito para os tratores da indústria do câncer, e o volume e a intensidade com que vêm induzindo adolescentes, crianças e jovens a um erro que pode custar suas vidas é no mínimo revoltante. Se no início da década nos vimos impelidos a produzir capa e edição especial sobre cocaína por observar dia a dia a putrefação de uma geração impotente diante do crime organizado, agora, filiados ao IVC, atingindo níveis de vendagem em banca e publicidade que nos colocam entre as mais importantes publicações do país, assumimos nesta edição uma posição com a autoridade de milhões de exemplares vendidos ao longo de quase treze anos provocando a reflexão. TRIP não aceita mais a veiculação de publicidade de cigarro em suas páginas e, muito mais que isso, repudia a forma como agem governo, indústria do tabaco, veículos de comunicação e agências de publicidade que estimulam ou no mínimo são coniventes com os tristes dados e fatos que você conhecerá nesta edição. Como disse sabiamente o dr. Drauzio, "Deus me livre carregar na consciência este tipo de crime". Paulo Lima |
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