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No Real Madrid começou tudo muito bem. Vocês ganharam a Liga e a Intercontinental, você foi artilheiro, foi o terceiro melhor do mundo. Mas no ano seguinte tudo começou a piorar.
Aí eles mudaram o treinador, o Vicente Del Bosque, e alguns jogadores foram vendidos, como o Makelele. Mesmo assim, estávamos na liderança até quase o fim. No último mês, perdemos dois ou três jogos e o mundo caiu.
Quando o Beckham chegou, no ano seguinte (2004-2005), não foi aí que ficou grave?
Não por ele, mas por toda a atenção gerada.
Foi por causa do ambiente, do marketing?
Pode ser. Mas o time era bom.
Quando você tinha acabado de chegar lá, recebeu o troféu de melhor do mundo de 2002 e a torcida gritou “Raúl! Raúl”. Não tinha nacionalismo nesse comportamento?
Claro que tinha.
Em 2005 a torcida começou a pegar no seu pé. Você começou a ter muitas lesões e eles começaram a te chamar de “gordo”, “gordito”.
É que tinha as lesões e sempre você volta fora de ritmo. Talvez tenha voltado antes da hora algumas vezes, pela necessidade do time. Minha massa muscular aumentou, mas eu não estava gordo. O que importa é o percentual de gordura, e eu sempre tive um percentual compatível com o de um atleta. Sempre estive na média, em torno de 10%.
Na Copa de 2006 também?
Eu também estava voltando de lesão, o fisiologista explicou que eu estava na média, mas não adiantou nada.
Por que você não declarou seu peso ou subiu numa balança e acabou com tudo aquilo?
Porque não ia adiantar. O que conta é a massa muscular. A polêmica interessava, ia continuar do mesmo jeito.
O Filé (Nilton Petrone, fisioterapeuta de Ronaldo até 2002) disse que você deveria estar com 100 kg em 2006.
Em 2006 ele nem trabalhava comigo. Eu mandei o Filé embora porque a administração dele na clínica tinha fraudes. Nunca falei nada para não atrapalhar a carreira dele. Mas ele vai falar uma mentira dessas? Hoje a clínica dá lucro, o que nunca deu com ele.
Mas qual seu peso ideal? Os 94 kg que oficialmente estava pesando? Você tem 1,84 m e o site da CBF dizia que pesava 87 kg.
Não tem peso ideal. O ideal é estar abaixo de 12% de gordura. Mas aí as pessoas divulgam o que querem.
De qualquer modo, as pessoas se lembram de seus arranques no Barcelona, na Inter, e depois eles foram diminuindo.
Depois que voltei, em 2002, fiquei mais como centroavante mesmo. Mas dei alguns arranques também, só que nem sempre com gol. No Barcelona os adversários não me conheciam ainda. Eu também queria ser para sempre aquele garoto do Barcelona...
Depois de 2005 ficou comum ouvir que você estaria “cansado do futebol”, que era ex-profissional, ex-atleta. É verdade?
Não. Pode ver que estou voltando de novo. As pessoas falam os absurdos que quiserem.
Na Copa de 2006 o que aconteceu? O time tocava de lado...
Teve muita coisa errada em 2006. Toda vez que a seleção foi bem era porque o time ficava isolado, protegido, só treinando. A gente ficava mais concentrado, mais à vontade. Lá os treinos eram vistos por 10 mil, 15 mil pessoas, com transmissão ao vivo, imprensa.
Mas não dava para os atletas reclamarem?
Pô, não somos nós os responsáveis por isso.
E o time?
Acho que tinha muita gente voltando de lesão também, como eu. Mas não tem um problema principal. Não é igual a um carro que você vê qual o defeito e conserta. Foi um monte de coisinhas.
O Roberto Carlos ajeitando meião...
É lógico que ele não tinha que estar ajeitando meião [risos], mas a culpa não foi dele.
Também culparam as “torres gêmeas”, você e o Adriano na frente.
Mas quando perdemos para a França o Adriano não foi titular.
E a acusação de cada um querer bater recorde?
Qual o problema? Se você bate, é o grupo que sai ganhando. A competição dentro do grupo é saudável, ninguém tinha problema com isso. Se o cara bateu o recorde de presenças na seleção, é porque merece estar ali, ele conquistou aquilo, não é porque o Ricardo Teixeira gosta dele. As pessoas não entendem isso. Não entendem mesmo.
E daqui para a frente, Ronaldo?
Fico mais um tempo aqui no Rio, treinando, até arranjar um emprego [risos].
Mas tem propostas de Manchester City, PSV e outros, segundo a imprensa.
Tem, sim, mas primeiro quero ficar bom e depois decidir para onde vou. Sem pressa.
Volta a jogar antes de 2009?
Volto, sem dúvida. Em dezembro já devo estar jogando. Quero terminar por cima, jogando, fazendo gols. |