Foi o melhor ano de sua carreira?
Esse e o seguinte, na Inter de Milão.

Compararam você com Pelé, numa montagem fotográfica, e houve a Ronaldomania, chamaram você de Extraterrestre...
Muito legal. Fizeram foto comigo vestido de astronauta.

Comparar com Pelé pesa?
Pesar, não pesa. Mas assusta um pouco. Começando a carreira... Tem que ter pé no chão.

E você teve?
Sempre tive, principalmente com apoio dos meus pais, da família. Falarem para você “calma, precisa treinar mais” etc.

O Ronaldinho sentiu esse peso antes de 2006?
Não sei, mas ele não foi o único culpado, todos fomos. Futebol é coletivo. Lá dentro é todo mundo igual.

É coletivo, mas também individual.
Sim, mas no sentido da confiança, aquele negócio de “mande a bola para ele que ele decide”. Tem aquela história incrível do Michael Jordan, que pegou a bola no último segundo umas 40 vezes e errou umas 25. Mas as vezes que ele acertava marcavam a história. O treinador dele contou num livro. Havia um jogador que era ótimo para cesta de três pontos, mas aí o treinador virou para ele e disse: “Olha, sei que você é um craque nos três pontos, mas se o jogo estiver no fim mande a bola para o Michael Jordan” [risos].

Na época do Barça você virou celebridade. Disseram que você era “fenômeno de marketing”, um produto de marketing. Um dia você disse: “Se sou produto, é porque produzo dentro de campo”. As pessoas parecem pensar que você é famoso porque é famoso...
É, porque decidiram gostar de mim... [risos]. Ou porque eu pago todo mundo... Não por mérito, não por trabalho.

E dizem que a Nike forçou você a jogar na final de 1998.
Absurdo. Falaram até que foi uma troca entre o governo francês e o brasileiro por armamento e sei lá o que mais... [risos].

Você se tornou uma celebridade e...
Mas eu nunca quis ser uma celebridade, nesse sentido de querer tirar foto para Caras, mostrar meu cachorro ou sei lá o que mais. Eu queria ser um bom jogador.

Namorou mulheres bonitas, como Susana Werner, Daniella Cicarelli, Raica Oliveira.
Acontece que eu sou um ser humano, me apaixono, erro, acerto. Como sou famoso, isso tem uma dimensão muito grande.

Teve o episódio do casamento no castelo, anunciado na Globo. Foi um erro?
Foi, mas a gente é cobrado a dar informação. É uma satisfação que tem que dar ao público.

O que afinal aconteceu entre você e a Daniella Cicarelli?
Nada, apenas não deu certo, levávamos vidas diferentes. Mas até hoje a gente se fala.

Sua atual mulher (Bia Antony, psicóloga) está grávida (de Maria Sofia, que nascerá em dezembro) e parece mais discreta, como era a Milene, mãe do Ronald. Como ela lida com o assédio que você sofre?
Ela tem ciúmes, mas sabe que é assim, que não adianta esquentar.

É muito ruim ser fotografado em tudo que é lugar?
Claro que é. A gente se acostuma, mas você não consegue ir ao shopping e passear com tranqüilidade. Se juntam três ou quatro, já vira confusão, fica chato. E hoje todo mundo virou paparazzo, com os celulares.

No Brasil é pior ou melhor?
Em algumas coisas é pior. Em 1999 comprei uma Ferrari e me criticaram, disseram que eu estava ostentando. Confundem muito as coisas. Nos EUA o cara compra uma Ferrari e eles o admiram pela conquista. É que no Brasil as pessoas desconfiam, porque nunca se sabe se o cara roubou o dinheiro ou ganhou trabalhando [risos]. No meu caso, é óbvio que foi por meu trabalho. Não roubei dinheiro público, não cometi crime, não passei por cima de ninguém.

E o episódio com os travestis?
Isso foi uma merda que eu fiz.

 
 
 
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