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Como era ter 16 anos, estar no Cruzeiro, valorizado?
Tudo aconteceu muito rápido, eu não tinha idéia do que estava me esperando. Sempre tive muita confiança em mim. Mas não imaginava a dimensão que seria.
Poucos jogadores usam a esquerda como você. Você não só chuta com ela, mas também conduz e dribla. Não é raro?
É bem raro. Ter a mesma coordenação com uma perna e com a outra. Já com o braço esquerdo eu não consigo fazer nada [risos].
O Zico é sua grande referência, né?
Sim, me inspirei também muito na sua conduta, no seu profissionalismo, na decisão de ir jogar fora. Eu sabia que se seguisse esse exemplo tudo ia dar certo.
O Zico foi “o cara” depois do Pelé?
Eu acho.
No Cruzeiro, no PSV e até no Barcelona você fez quase um gol por jogo. Hoje isso não é mais comum.
O futebol está muito disputado. Os zagueiros estão mais fortes, mais velozes. Eu mesmo fiz uns quatro anos seguidos, depois não fiz mais.
No PSV você tem mais força.
Pô, saí do Brasil com todas as dificuldades. Aí comecei a comer direito, a ganhar dinheiro [risos]. Tinha 17 anos, era idade normal de crescimento.
O Cruzeiro te vendeu por quanto?
Por US$ 6 milhões. Naquela época era muito dinheiro. Hoje mesmo seria, mas naquela época era mais. Hoje mudou bastante.
No futebol holandês você teve um aprendizado tático? Posicionamento, objetividade – o que você aprendeu na Holanda?
Na Europa em geral eles não têm a nossa técnica, a nossa habilidade, então precisam muito desse entrosamento. Eles fazem jogadas ensaiadas mesmo. Sincronismo total. A equipe toda indo para o lado direito, para o lado esquerdo, onde a bola estivesse.
Quem era o melhor colega lá?
O cara que até hoje eu digo que foi o melhor com quem joguei é o [belga] Luc Nilis. Ele me encontrava em qualquer lugar!
Se você tivesse ficado alguns anos no Cruzeiro, teria ficado forte como na Holanda?
Eu acho que não. Eu morava sozinho em Belo Horizonte, comia besteira em casa. Na Holanda treinava muito e tinha um acompanhamento total. Naquele tempo no futebol o treino era o mesmo para todo mundo, hoje melhorou muito. A gente corria 8 km todo mundo junto no mesmo ritmo. Não fazia sentido. Como eu vou correr 8 km no mesmo ritmo de um Cafu?
Você não tem resistência?
Resistência eu tenho. Eu não tenho muito essa capacidade aeróbica, para corrida de grande distância. É uma característica minha.
Romário foi inspiração para ir para a Holanda?
Não, foi a proposta que pintou.
Morar lá era difícil?
Era. Eu mal saía de casa. Tinha namoradinha, mas nem ia para Amsterdã [a 100 km de Eindhoven]. No inverno fazia menos 30 graus.
A Copa de 94 ajudou a projetá-lo?
Não. Fechei o contrato durante a Copa, mas nem joguei na Copa. |