Quando deu o estalo “Vou ser jogador de futebol”? Você quis ser outra coisa na vida?
Não, minha paixão sempre foi o futebol. Uma época eu tinha vontade de ir para o exército, mas sempre quis ser jogador, desde pequeno. Todo Natal eu recebia uma bola de futebol. Eu jogava o tempo inteiro.

Na rua?
Na rua, descalço, perdendo unha... Todo mês eu perdia uma unha. Quando não tinha bola de verdade, era com bola de meia.

Já era flamenguista? Seu pai é flamenguista, não?
É. Sou Flamengo desde pequeno também.

Você nasceu em 76. Lembra do Flamengo de Zico, campeão mundial em 81?
Quase nada. Mas lembro muita coisa depois. Meu pai me levava sempre ao Maracanã. Aos 7, 8, 9, 10 anos... Eu ia em quase todos os jogos.

 
   

Da Copa de 82 lembra algo?
Lembro porque a gente fazia uma reuniãozinha na rua, na casa do vizinho da frente, que era militar da aeronáutica. Ele trazia coisas, refrigerantes, batata frita, e juntava umas 20, 30 pessoas na frente da TV.

Quando você jogava bola, os amigos diziam “Você tem de ser jogador, você é muito bom”, algo assim?
Eu me destacava. Mas era muito novo, né? Só quando fui jogar futebol de salão no Valqueire Tênis Clube, com 9, 10 anos, é que começaram a falar. Mas no dia da peneira tinha tanta gente – 20, 30 garotos – que eu decidi tentar a vaga de goleiro e consegui.

Goleiro?
É, fiquei um mês como goleiro. Depois mudei para a linha.

Já na frente?
Eu jogava de ala direito.

Mas por que futebol de salão?
Todos os meus amigos jogavam salão. Tinha um mais velho, o Renatinho, que jogou em vários clubes. Então me empolguei. Joguei um ano de salão e comecei a jogar campo simultaneamente. Aí já no São Cristóvão.

Vi um filme seu jogando salão ainda pequeno, fazendo golaços...

Aí já era no Social Ramos. Eu tinha arrebentado no campeonato carioca, e o Social Ramos tinha melhor estrutura, já dava ajuda de custo. Eu fazia muito gol, mesmo na ala. Tinha 14 anos, depois fui para o São Cristóvão. O Flamengo até me procurou nessa época, mas o Cruzeiro que me levou.

É verdade que você não foi para o Flamengo porque não tinha chuteira?
Não. Eu tinha feito peneira no Flamengo, quando jogava no Valqueire ainda, e passei no primeiro teste, no segundo, no terceiro... Quem coordenava os testes era o [ex-goleiro] Cantarelli. Mas aí meus pais disseram: “Filho, todos esses testes, não tá dando não”... Eram duas conduções para ir, duas para voltar. Aí eu pensei: “Vou pro São Cristóvão mesmo”. Era um trem só.

Quanto tempo você ficou nesses clubes?
Fiquei um ano e meio no Social Ramos, três no São Cristóvão. O salão era terças e quintas de noite, o campo era três tardes por semana.

Dos 12 aos 15 anos, é isso? Você lembra dos gols que fez nessa época?
Lembro, claro. Lembro um que eu fiz contra o Flamengo. Foi 1 a 1, lembro direitinho do gol.

 

 
 
 
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