No aeroporto, foi pega
com um papelote de cocaína na bolsa. Em
plena ditadura ficou meses presa, isolada, e
sofreu todo tipo de tortura. “Nessa época eu
fiquei lelé. Presa, amiga da turma, sabe como
é. Com os caras não tinha brincadeira”, e corta
o assunto por três vezes.
Hoje Vera se diz no auge da carreira. Durante
o ensaio para a Trip, perambulava nua
com a naturalidade de quem não está nem aí
para as marcas da idade. “Estar nua sempre
foi muito natural. Na minha casa era gente
pelada pra todo lado. Eu trabalho com imagem,
e envelhecer nunca foi um problema,
porque personagens também ficam velhos”,
explica.
Com o maquiador, em vez de pedir
dicas de como esconder manchas da pele,
trocava idéias sobre como deixar as sobrancelhas
mais masculinas para encarnar um
homem. É atriz do teatro Oficina, de Zé Celso
Martinez Corrêa, onde está em cartaz com a
peça Bandidos, na qual interpreta um personagem
masculino.
No cinema é protagonista do longa Amaxon,
de José Sette, participa de Baal, de Helena
Ignez, e na TV acaba de gravar participação na
série Som e fúria, de Fernando Meirelles. “Atuar
é meu maior barato. Ainda tenho a mesma
cabeça de sempre, o problema é que, agora, às
vezes o corpo pede pra maneirar”, conta com
o queixo empinado, que esconde a cicatriz da
única plástica que fez. “Vaidade? Tenho nada!
Mas o papo eu tirei. Acho importante, papo
não dá, não é mesmo?”
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