Domando
a besta
Atualmente há um convênio em andamento
na prefeitura de São Paulo cujos principais
objetivos são aumentar a receita (sem elevar
impostos) e reduzir as despesas (sem perder qualidade).
A encrenca é grande. O assessor de gestão
da prefeitura, Rodrigo Mauro, vive nela e sumariza
o deus-dará. “A prefeitura de São
Paulo é gigantesca. Tem tamanho de um Estado,
porém missão de cidade.
Para citar alguns números:
E por aí vai. O funcionamento dessa máquina é normatizado
por regras, leis, portarias, decretos. Ou seja, a
governança sobre mudanças de processos
não é uma coisa simples.”
No caso do aumento das receitas, a solução
foi simples e elegante. A prefeitura resolveu incentivar
a fiscalização na arrecadação
do ISS utilizando o próprio consumidor como
aliado. É a nota fiscal com CPF do consumidor,
que pode ser pedida em qualquer estabelecimento
comercial e dá até 30% de desconto
no IPTU do morador paulistano. Segundo a prefeitura
de São Paulo, nos dois primeiros anos houve
um aumento de arrecadação de mais de
R$ 3,5 bilhões, e só até maio
de 2008 foram outros R$ 945 milhões.
Compras foram unificadas pela prefeitura e processos
racionalizados. Gastos comuns como água, luz
e telefone passaram no pente-fino dos consultores
e deixaram de onerar os cofres em R$ 125 milhões.
Não é mágica. As principais
armas dessas iniciativas são tecnologia de
informação e clareza nas metas. Todos
os projetos são facilmente auditados e os
resultados divulgados amplamente, de forma que os
agentes públicos possam ter de novo controle
sobre a máquina. Sistemas eletrônicos
acompanham o desempenho em praticamente tempo real
e, com sinais verde, amarelo e vermelho, medem os
resultados obtidos. O controle é total.
Outro grande avanço foi a utilização
de leilões eletrônicos para compra de
material – o que, além de dar mais transparência
ao processo, promove uma economia substancial.
Conhecimento, conhecimento e mais do mesmo. Rodrigo
vai ao ponto. “E aí entra a questão
da gestão e a importância do contato
e a transferência de ferramentas e métodos
que possibilitem trazer melhorias qualitativas e
quantitativas às cadeias de processos. Nosso
convênio com o Movimento Brasil Competitivo é e
foi fundamental para que melhorássemos nossa
eficiência e efetividade interna, através
de uma permanente capacitação do corpo
funcional, leia-se transferência de conhecimento.”
Termômetro de eficiência
Não é só na racionalidade administrativa
que se faz sentir um quê de novo na esfera
pública. Os eleitores também embarcaram
nessa onda e se organizaram de forma mais objetiva
para pressionar os governantes. Exemplo desse esforço é o
movimento Nossa São Paulo É Outra História.
A ONG, que tem o apoio de importantes empresários
paulistas (entre eles Oded Grajew), pressionou a
Câmara dos Vereadores e conseguiu aprovar uma
lei que promete revolucionar a administração
pública. Agora todo prefeito eleito deve,
num prazo máximo de 90 dias, apresentar à cidade
seu plano de ação e as metas que irá perseguir.
Dessa forma há um claro termômetro da
eficiência do gestor. No site da ONG é possível
acompanhar o desempenho das subprefeituras paulistanas.
Mais uma ferramenta de pressão eficiente.
Será que estamos vendo o início de
uma nova era na administração pública,
onde informação é crucial tanto
para gerir melhor como para exigir um melhor serviço?
O sociólogo Sérgio Buarque de Holanda,
autor do clássico Raízes do Brasil,
via com certa esperança que os valores urbanos
pudessem, aos poucos, alterar o quadro de patrimonialismo
endêmico brasileiro. Já o romancista
Jorge Amado acreditava que se matássemos o “jeitinho
brasileiro” acabaríamos matando
o Brasil no que há de fundamental. Para onde
vai esse barco não se sabe. Só é claro
que há novos ares por aí.
125 milhões de reais
economia de despesas
básicas (água, luz, telefone) na prefeitura
de São Paulo
3,5 bilhões de reais
aumento de receita na
prefeitura de São Paulo por conta da nota
fiscal com CPF do consumidor
9 milhões de reais
economia com a PM do Rio
por conta de terceirização da manutenção
da frota
Será que estamos vendo o início de
uma nova era na administração pública
em que a informação é crucial
tanto para gerir melhor como para exigir um bom serviço?
Não são só os Estados ricos
que estão nessa empreitada:
105 milhões de reais
aumento de receita em
Pernambuco
93 milhões de reais
aumento de receita em
Alagoas
60 milhões de reais
aumento de receita em
Sergipe |