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CIRCO DESARMADO
O circo Stankowich já teve até hipopótamo. Além de
zebras, urso e 11 tigres siberianos. Agora restam apenas um elefante e um punhado
de cavalos, lhamas e pôneis. E não se sabe por quanto tempo. “A
pressão está muito grande”, explica o domador Márcio
Stankowich, direto de Sertãozinho (SP), abrigado na lona que ostenta o
nome de sua família há 160 anos num dos últimos circos – se
não o derradeiro – a circular com animais pelo Estado de São
Paulo. “Não somos caçadores, esses animais nascem em cativeiro”,
explica Márcio, 48 anos, 40 deles no picadeiro com a bicharada. “Fazem
parte da nossa vida, vimos nascer.” Leis municipais proíbem animais
no circo, e uma lei estadual deve ser aprovada em breve, em mais um duro golpe
nessa tradição circense, que deve sumir rapidinho. “A lei é tão
radical que proíbe até a pomba do mágico. E é injusta
porque veta só animal no circo. Na TV e no cinema, por exemplo, pode usar à vontade”,
reclama Beto Pinheiro, do Circo de Nápoli, exímio domador que há oito
anos deixou de exercer o que melhor sabe fazer. |
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TRAMPO PRESIDENCIAL
O tipo de torno mecânico que o então operário Lula manejava
na Villares, no fim da década de 70, é a mesma máquina na
qual João Zanzin trabalha diariamente até hoje. O torneiro mecânico
de 42 anos está há quase duas décadas na função
e também aprendeu seu ofício no Senai – que fechou o curso
em 1993 por falta de demanda industrial, quase 30 anos após a formatura
de nosso presidente. “Faço peças não seriadas de todo
tipo”, explica João. “É quase um trabalho artesanal”,
complementa José Eustáquio de Sousa, que trabalha com o torneiro
em uma ferramentaria em São Bernardo do Campo. Abolidos há anos
das grandes linhas de montagem, tornos mecânicos old school resistem em
pequenas fábricas na região metalúrgica da Grande São
Paulo. “A função do torneiro ainda existe, mas de forma totalmente
diferente. O nome e as máquinas mudaram, e precisa ter outro tipo de conhecimento”,
diz José Paulo da Silva Nogueira, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC. “A função, como muitas outras, foi sumindo com as
novas tecnologias. No fim da década de 70 [quando Lula era torneiro mecânico
na Villares ], havia 240 mil trabalhadores na indústria metalúrgica
do ABC. Hoje, apesar dos recordes de produção da indústria
automobilística, esse número não passa da metade.” |
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PINBALL WIZARD
Cavaleiro Negro é a mais cobiçada. A última máquina
dessas que Armando viu ser negociada saiu por R$ 6,5 mil, pagos à vista. “É a
mais valorizada. Menos para os médicos, que sei lá por que gostam
muito da Drakor, uma máquina que tem um capeta vermelho desenhado que
eu nem gosto muito de trabalhar, dá confusão quando chega em casa
de evangélico.” Quem conta é Armando Faceira da Silva Rodrigues,
46 anos, que há 13 restaura máquinas Taito. A filial brasileira
da montadora de fliperamas (pinball) parou sua produção há 22
anos, mas até hoje um pequeno grupo fiel de cultuadores da bolinha prateada
bate à porta da oficina de Armando, no centro de São Paulo. A paixão
por antiguidades veio do pai, mas o gosto pelas Taito é seu mesmo. “Já cheguei
a ter 50 máquinas, reformava e vendia. Hoje em dia é difícil
achar máquina para comprar. E uma funcionando bem não sai por menos
de R$ 4 mil.” Em parceria com “Spina”, um ex-técnico
da própria Taito, Armando recupera completamente o caixote (estrutura
principal de madeira), o rack (“cérebro” da máquina),
a placa de som e todas as pecinhas mais que forem necessárias para deixar
sua Vortex tinindo. |
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