As baladas eram movidas por quais substâncias? O que a galera usava: álcool, psicoativos, pó ou tudo incluído?
Aí eu não sei. Tem que perguntar pra cada um porque eu não tinha tempo para fazer nada [risos].
Como você lidava com o assédio e com o sucesso?
Quando eu cheguei ao sucesso, já tinha feito “Catedral do samba”, “Plac plac na paróquia”. Já tinha passado pelo Batuque Egeu, pela Igrejinha, casas montadas por mim e por uma equipe. Colocávamos o músico no palco para cantar e tocar.
Como é a vida e a rotina do sr. Uday atualmente?
Eu sou muito na minha. Apesar de ter uma família muito grande – tenho três filhos e tal –, vivo sozinho, entendeu? Atualmente não tenho mulher, não tenho nada. Eu tenho um gato, ele não me atura muito e tal, estressado.
Quantos netos?
Não, não tenho neto não, meu irmão, que é isso? [risos] Eu estou na fase de pai, entendeu?
O que você ouvia nos anos 60 antes do seu estrondoso sucesso?
Eu era muito menino, ouvia Jacob do Bandolim, Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Ataulfo Alves, ouvia Little Richard,
Ray Charles, ouvia... nossa... muita coisa!
Quais foram as músicas que você compôs pro Roberto Carlos?
Foram duas. A primeira foi “Quero ver você de perto” e a outra foi “Amanheceu”. Ele me pediu. Foi difícil fazer porque eu não componho pros outros, eu sei compor pra mim, entendeu? E compor pro Roberto Carlos é complicado.
Qual é a sua praia?
A do Tim Maia, a do Jorge Ben Jor, a do Fundo de Quintal, esse é o grande lance, entendeu? Que a minha praia na realidade é Tito Puente, Xavier Cugat, entendeu? É cubano.
Os Stones estão aí a mil, o Roberto Carlos a milhão. O Led Zeppelin na ativa, Sergei detonando. Qual o próximo disco do Benito?
Ih, rapaz, quando eles deixarem, porque eu sou o cara mais barrado que tem no baile. Os caras não me deixam gravar, não me deixam fazer DVD. Eu estou com um contrato preso lá numa gravadora. O cara pegou meu contrato e engavetou. Estou há mais de 12 anos sem gravar, muito tempo.
Você não domina o modus operandi de fazer um disco novo?
Ter, eu tenho. Mas não tem graça nenhuma. Já chega dessa sacanagem de o artista ter que enfiar a mão no bolso e fazer o disco dele pra levar pra uma gravadora pra nego roubar. Vamos parar com essa brincadeira, pô? Não é verdade? Não vou botar a mão no meu bolso pra gastar meu dinheiro suado que eu ganhei na música pra fazer disco. Quem tem que fazer disco é gravadora.
Sabe o Sergei, o roqueiro?
O Sergei eu vi numa festa de Friburgo.
Então vocês se conhecem! Já recebeu um abraço pansexual dele?
[Risos] Não! Tá maluco, mermão? Sergei é gente boa. Sem essa de abraço [gargalhadas].
Você era contrário à ditadura, mas, por outro lado, fez algumas músicas que eram favoráveis. Sim ou não? Qual era sua posição política na época?
Olha só. Eu fiz “Tudo está no seu lugar, graças a Deus” numa época muito difícil, porque ninguém venha me dizer que a época da ditadura era fácil. Ainda mais pra mim, que trabalhava à noite, tinha cabelo comprido, tinha de andar de madrugada. Toda hora era chamado pra dizer aonde ia, o que foi, o que aconteceu. O Ziraldo chegou pra mim e disse que quando ele fazia um trabalho e ficava pronto ele falava: “Tudo está no seu lugar, graças a Deus”. Confundir isso com uma música pra ditadura? Tá maluco? Não tem sentido alguém fazer uma música pra ditadura, certo?
Na história da música popular brasileira, você é o bandido ou o mocinho?
Nenhum dos dois. Sou um personagem, mas esse personagem pode estar tanto lá quanto cá. Está na música, na trilha sonora.
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