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O relacionamento entre arquitetura e arte contemporânea tem se intensificado na última década. Diferentes artistas vêm fazendo da história e do pensamento arquitetônico uma ferramenta em seus trabalhos, enquanto arquitetos devolvem a gentileza exibindo obras em museus ou bienais. Nessa atmosfera, alguns criadores se voltaram exatamente para o medo que um ambiente é capaz de provocar naquele que o visita, enquanto outros fazem pesquisas sobre de que modo a imaginação se comporta diante da necessidade de segurança e vigilância.
No primeiro caso está o alemão Gregor Schneider, que constrói quartos, salas ou corredores que não parecem ter nada de absolutamente anormal. Mas são capazes de provocar uma sensação de que algo muito errado aconteceu ou acontecerá lá. Um de seus conhecidos trabalhos foi em Bondi Beach, na Austrália, no ano passado. Ele colocou sobre a areia de uma praia 21 celas, medindo 4 x 4 m, construídas como uma típica cerca australiana e contendo todos os objetos obrigatórios da cultura das praias. Outro caso é o do espanhol Santiago Sierra. Uma de suas ações foi o projeto “Os adultos”, uma instalação baseada nos serviços da empresa de segurança inglesa Compound Security, que instalou em shoppings equipamentos para gerar um incômodo ruído que pode ser ouvido apenas por pessoas abaixo dos 25 anos. É uma maneira de afastar gangues de jovens dos locais de consumo. Sierra usou equipamentos semelhantes em uma exposição no Chile, em 2007, querendo provocar o público com o tal barulho.
No Brasil, o paulistano Rodrigo Matheus criou uma empresa de segurança fictícia, a Centurium. Para ela, desenvolveu uma linguagem visual (propagandas nas fotos acima) e realizou uma instalação na qual o espaço do museu (no caso, o Museu da Pampulha, em Minas Gerais, em 2004) se convertia em um lugar de pleno controle, com câmeras e outros objetos de manutenção da ordem. Como em uma casa perto de você. Ou seu próprio lar. (MR) |
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