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Quem demora mais para se arrumar antes de sair: você ou a Nazaré? Às vezes ela demora mais porque é mulher, mas, na média, sou eu. Se eu vou sair, gosto de me arrumar mesmo. Acho que foi isso que me deu noção de estilo. Sempre digo que o homem é muito careta. Tem medo de se glamorizar, né? É uma cultura latina. O homem tem que chegar na frente do espelho, colocar um cinto, dar uma paradinha, olhar, misturar uma camisa com uma camiseta, levantar a gola da jaqueta. Não se sentiu bem? Então pára. Mas experimenta. Tem que se jogar.
Você sempre foi o cara estiloso da turma? Lembro de uma festinha de clube lá em Caxias do Sul. Eu tinha uns 14 anos, era o surfistinha que sonhava com a Califórnia e queria ter minhas camisas havaianas. Eu ia aos armarinhos, comprava tecido florido de cortina e mandava costurar. Fiz a primeira e fui para a festa de domingo. Quando entrei, os amigos ficaram rindo de mim. Fiquei constrangido. Então aconteceu aquele momento de decisão. Ou vai ou fica. E pensei: “Não, eu tô cool, tô seguro”. Ali foi a virada, o dia em que firmei o meu estilo. É a mesma coisa de apresentar uma coleção ou uma tese científica. Você vai se expor, então segura a bronca.
Perdeu o medo do ridículo? Uma vez estava em Londres e comprei uma saia do Yohji Yamamoto. Pretona, linda, feminina, de linho. Já tinha vestido sarongue no Taiti e adorei, porque é raro o homem não ter nada apertando o saco. Dois dias depois tinha festa do Jim Capaldi [ex-vocalista do Traffic, morto em 2005]. Festão! Rock and roll. Coloquei uma bota que eu tinha feito, minha camiseta “Surfing the mountains”, blazer... Levantei a gola de bad boy. Só tinha gente supercool, mas quando eu entrei fiz um sucesso...
Tinha um cara no meio da sala todo poser, quando entrei ele até murchou. E para fazer xixi com aquela saia! Foi uma experiência interessante. Eu tava igual a uma noviça rebelde para subir escada, sair do carro! Eu acho que festa é assim. Ou vai para se divertir e tirar uma onda ou fica em casa.
E você pega onda até hoje? Até hoje. E espero que para sempre. Arpoador, Prainha… Mas com as viagens pego pouco. Eu vim morar no Rio por causa do Arpoador. Simboliza meu estilo de vida. O equilíbrio entre o urbano e a praia, que é o que o homem contemporâneo procura. Ninguém mais quer morar no meio do mato, ser bicho-grilo, nem um urbanóide. Nos anos 80 e 90 era assim. Hoje mudou. Para mim, a calçada de Ipanema é uma coluna vertebral do urbano, do moderno com a natureza. Tudo que Londres ou Paris tem, mas em cinco minutos você está na beira do mar, ao lado de um coqueiro. É lindo.
O que você achou desse assédio de grandes grupos de moda querendo gerenciar as marcas brasileiras? Isso é uma tendência no mundo todo. Não tenho nada contra. O Brasil está entrando na moda e o estilo de vida brasileiro vem sendo admirado por gente de fora, e isso nos transmite confiança. Mas eu ainda acho que são poucos os criadores genuínos, com propostas originais. Tem dois. Eu e o Alexandre [Herchcovitch]. Não que os outros não sejam bons nem nada. É uma questão de consistência, é uma originalidade, é um produto bem-feito, uma visão se integrando globalmente e universalmente.
E, com essa entrada no mercado internacional, o que mudou? Como está sua imagem lá fora? Sábado agora eu estava numa festa do Valentino. Entra o Valentino na balada e fala: “Oi, cara!”. Ele já esteve aqui na loja e comprou. O Calvin Klein também. Já vi foto dele vestido de Osklen dos pés à cabeça. Passei uma noite com [o estilista] Giambattista Valli falando mal da Dolce & Gabbana [risos]. No inverno passado soubemos que o Dolce tinha ido à loja, e no último desfile dele tem calça nossa. Não sei se copiada. Mas foi uma coisa que eu fiz quando eu voltei da Índia, da viagem a Caxemira. Acho que o estilo pegou. Mas a galera que entende de moda veio me falar: “Pô! Você viu a tua calça no desfile do cara?”. Muito bacana. Domingo passado fui a uma festa lá no Gramercy. Encontrei um italiano amigo meu e ele estava conversando com o Dolce. Daí o cara me chamou, e eu me apresentei. E ele fez uma cara estranha. Sabe cara de hum... Eu acho o seguinte: quando você copia alguém, já começa a conversa em outro nível. Copiou, meu amigo? Não vem tentar lamber a mão da criança [risos]. 
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