Antes de começar uma reunião com investidores, um CEO apresenta um slide que contém o seguinte anúncio: “Médico brasileiro procura sócios para abrir loja de casacos de neve em Búzios”. E logo em seguida vem a pergunta: achou a idéia absurda? Pois é. Eis a história da Osklen, uma das marcas de maior prestígio no país e que agora começa a se firmar internacionalmente. São mais de 50 lojas. Dez delas no exterior. Do balneário fluminense até Tóquio ou Nova York, pouca coisa mudou. “Ainda faço exatamente o mesmo que no dia em que abri a primeira loja. Compro um sanduíche, sento na calçada do outro lado da rua e fico horas observando quem pára em frente à vitrine. E é sempre a mesma coisa, o cara cool pára e depois entra. Descobri que ia dar certo no primeiro dia”, diz o estilista Oskar Metsavaht, dono da Osklen.
Homens de negócios gostam de atalhos. Ele prefere andar na contramão. Durante a adolescência, mandava fazer camisas floridas com tecido de cortina que arrancavam gargalhadas dos amigos nas festinhas de domingo. Virou surfista no interior do Rio Grande do Sul, snowboarder quando se mudou para o Rio de Janeiro, estilista depois de anos dedicados à medicina com especialização em Paris. Criou uma marca esportiva quando o bacana era o espírito underground e bateu na tecla do ecologicamente correto nos tempos em que salvar o mundo ainda não estava na moda. Hoje, faz piada disso tudo entre um drinque e outro em festas como a do colega Valentino e se orgulha de não ter tido medo de encarar trilhas desconhecidas para chegar até o topo. “Comigo é assim: me jogo e depois me garanto. Tanto no trabalho quanto nas montanhas”, manda.
A filosofia que adotou parecia de gueto, mas virou mainstream. Hoje defender a natureza é obrigação, mas, para quem foi educado com consciência ecológica e carrega no sangue o peso de um sobrenome estoniano que significa “guardião da floresta”, o processo é muito mais natural. E a responsabilidade também. “Fui nomeado cônsul honorário da Estônia. O país do meu pai é a principal área de florestas milenares preservadas no mundo. Estou achando o máximo. Até de carro com batedores eu já andei.”
Oskar conversou com a Trip durante seis horas em um restaurante japonês de Ipanema. Entre um saquê e outro, descalço, pernas cruzadas sobre o tatame e coluna ereta como se fosse meditar, quase não deixou espaço para silêncios. Falou sobre as expedições ao Alasca e ao Himalaia que filmou com o irmão Leonardo: “Não gosto de aventuras. Faço essas viagens para realizar sonhos, como conseguir chegar a lugares que você vê num filme ou numa National geographic”, dos tempos em que saía do plantão médico e corria para as costureiras e, entre a esposa, Nazaré, o diretor de marketing e a assessora de imprensa, não escondeu o jogo quando o assunto foi vaidade, bastidores do mundo da moda e não teve medo de afirmar: “Só eu e o Alexandre [Herchcovitch] somos internacionais”. |