MARC FORD
Voltando no avião pra São Paulo, liguei o meu MP3 e fiquei ouvindo “Bye bye Suzy”, do Marc Ford. Fiquei pensando no quanto as relações naturalmente se deterioram, mas cheguei à conclusão de que as pessoas não. As pessoas se mantêm íntegras e dignas. Então entendi que as relações, tal como as idealizamos, podem até acabar, como inevitavelmente acabam, mas o amor pelas pessoas não acaba nunca. Se for de verdade, é pra sempre. Foi o que aprendi revendo essas três mulheres fundamentais na minha vida. Foi o que senti quando o avião aterrissou em São Paulo. É o que estou sentindo agora, enquanto escrevo este texto. É o que vou sentir logo mais de madrugada, quando já estiver embriagado e ouvindo os meus amigos cuspindo bravatas. Eu vou rir suavemente com um ar de triunfo no rosto e eles não vão entender o motivo. Ah, é bom se sentir assim. Por baixo de todo o barulho, alguma espécie de paz.
*Mário Bortolotto é escritor (Bagana na chuva e Mamãe não voltou do supermercado), dramaturgo (Prêmio Shell de 2000 por Nossa vida não vale um Chevrolet), diretor (com duas peças em cartaz em São Paulo, O natimorto e Tape), ator (acabou de filmar como protagonista o filme Augustas, de Francisco César Filho) e vocalista das bandas de rock e blues Saco de Ratos e Tempo Instável |