BOIOLICE CONTAGIANTE
A peruca dançava sobre a minha cabeça. Nunca em toda minha vida de gonzologismo tinha sido tão fotografado, filmado e dado tantos autógrafos. Sim, amigos, autógrafos em meio à turba ensandecida. Pergunto para uma das minhas coleguinhas carregadoras de relicário qual era o percurso. Ela apenas sorri e me dá um beliscão na barriga. Ihhhhhhhh, percebi que a boiolice estava contaminando os integrantes.
Olho para o relógio e detecto que já desfilávamos há mais de três horas. Solto o cavalete do mikoshi e saio para dar um rolê. É impressionante a energia e a seriedade com que a comunidade local carrega o fallus de madeira. A maioria é de homens vestindo pequenos quimonos e botinhas brancas, muitos deles de bunda de fora. Mas sem veadice. É uma coisa, assim, natural. Não há drags entre eles.
Observo que todos têm enormes tatuagens camufladas pelos quimonos. A Yakuza naquele momento dominava o relicário e proibia as fotografias. Miudinho, me aproximo e sou convidado por um dos elementos a marchar ao lado. A veneração ao fallus daquele grupo é coisa seriíssima.
Saio de fininho e continuo minha peregrinação à procura da turma cor-de-rosa. Nosso reencontro foi uma loucuraaaaaaaaaaa. Uma pequena parada gay se forma com travecas, bigodões ocidentais e bichinhas nipônicas. Duas travecas japonesas colam na minha jugular. Querem abraçar e tocar. Perguntam a minha nacionalidade. Exclamo burajiro-jin (brasileiro). Uma delas tasca um beijo selvagem na minha bochecha. Arghhhhhhhhhhhh. Tento explicar que Fenônemo só existe um e que bate um bolão.
Como um ninja cansado de tanto ser assediado, escapo e arranco a peruca. Encontro dona Emiko com vários pirulitos e amuletos na porta dos fundos do templo. Sou desenrolado do imenso quimono e volto a vestir minha roupa de anônimo. Quando entramos no trem em direção a Tóquio, sinto uma vibração estranha. As duas travecas haviam me localizado. Mamavam seus pirulitos e faziam de tudo para serem notadas. Que imbróglio. Dona Emiko delicadamente pergunta o que os esquisitos buscavam. Adivinha. Queriam ser fotografados comigo. Papo duvidoso e fenomenal.

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