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Você é otimista em relação ao Brasil? Difícil responder. Hoje as pessoas duvidam de tudo, até da felicidade, você acorda feliz e diz “mas não é possível”, encontra uma mulher sensacional e fala “alguma hora ela vai mancar”. Isso tem a ver com medo, falta de ousadia. A gente não se atira, é sempre empurrado para a desconfiança, a segurança. Ser otimista é quase um palavrão, né? É uma declaração de bobo. Mas não consigo viver pra baixo, essa filosofia do motorista de táxi... tudo é ruim, bom é o Maluf porque faz asfalto e ponte. Uma das coisas que me incomodam na visão da realidade brasileira é a bipolaridade: ou você é a favor do Lula, ou contra.
Você já votou tanto no Lula quanto no FHC, não? Confesso uma coisa grave: já votei no PFL, se não me engano pra deputado, até pra simbolizar que não tenho preconceito, e o cara em que votei era bom. Afinal, não tem tanta diferença assim entre os partidos. Uma das coisas boas que o Lula fez foi tirar essa máscara.
Era o mito: o PT era o único partido de verdade... Nunca foi. Era um certo tipo de postura que alguns gays têm com heterossexual: “Ah, um dia você vai ser um sujeito evoluído e virar veado”. Os petistas falavam assim comigo: “Ah, não é PT? Tudo bem, Marcelo, um dia você vai virar”. Não consigo ficar num grupo, acho limitante essa visão partidária. E acho mesmo que os políticos melhoraram. O Rio de Janeiro vai poder se dar o luxo de votar no Gabeira pra prefeito!
Nunca anulou o voto? Não, acho uma burrice. Serve para nada, é exatamente o que diz: é nulo. Não tem esse papo, “agora não vou mais assistir a TV”. Eu nunca saio da água! O treinador de natação diz que para aprender a nadar você nunca deve sair da água. É muito cômodo dizer “agora irei ficar uma semana sem treinar”. Não adianta sair da água na hora em que você não está bem. Não aprende a nadar, entendeu? E o Brasil é um país que exige da gente dedicação, tolerância, afetividade. Não se pode tratar com displicência o bairro, o país, a sociedade. Sou um cara patriota, sabe? Sinto que dou uma contribuição para o país. Da minha maneira. E não irei cobrar isso mais tarde, podem ficar sossegados [risos].
Que acha de o TSE ter praticamente limado a internet da campanha política este ano? Ainda não está aprovado. Tem um parecer preocupante de um desembargador que quer proibir a discussão política na internet, como se fosse possível [risos]. É gravíssimo. Não adianta você brigar com a internet. O que leva a uma distorção louca: vamos supor que você é candidato a vereador e eu não goste de você; começo a te elogiar no meu blog e você vai ser penalizado, porque faço propaganda sua. Impossível. A gente vive um momento que a transparência é compulsória. A vida da gente está cada vez mais aberta: você com seu celular ali é facilmente encontrável, seu e-mail é rastreável...
Mas e essa história de ser sempre encontrado? Parece que o acaso diminuiu... Discordo, cara. O acaso sempre vai estar dentro do e-mail que não chegou ou do e-mail que chegou na hora que você precisava, entendeu? Não adianta lutar contra isso, o mundo está numa aceleração de quantidade e velocidade. Não quer dizer que você vai se iluminar rapidamente. E se quiser desconectar é fácil, vai pra um lugar sem sinal... ou desliga.
Tem gente que não consegue... Tem gente que não consegue largar da cerveja, não consegue largar do automóvel, não consegue largar do açúcar e não consegue largar da própria mulher, o que é pior [risos]. Mudar é difícil mesmo.
Você, quando quer desconectar, o que faz? Saio de São Paulo. Tenho uma casa na montanha, em São Bento do Sapucaí. A eletricidade chegou lá no ano passado, foi uma crise!
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