Não sei se era ele ou o vinho quem falava demais, mas durante
as cinco horas da conversa o Tas foi virando um nenê. Óbvio constatar:
ele é um branquelo careca. Sem óculos, quase sem sobrancelhas,
sua face pálida às vezes aparenta a de um recém-nascido – em especial quando, após um raciocínio tortuoso, o cara chega a
uma conclusão sobre a qual o leitor dirá: “Por que não pensei nisso
antes?”. Com o tempo, Tas quebra a casca do ovo da própria timidez, às vezes indignado, muitas sério, noutras refl exivo, sempre criativo,
e vão nascendo vários carecas: Billy Corgan, Daniel Belleza, Cecil
Thiré, Tio Chico, Humpty Dumpty, o cowboy Yul Brinner... Marcelo Tristão Athayde de Souza é um ícone – o careca fundamental.
Não quer dizer que esse operário multimídia nascido há 48Não quer dizer que esse operário multimídia nascido há 48 anos em Ituverava (SP) seja só um sujeito multifacetado – mas que encara qualquer pergunta como um nenê. Sem medo de meter o dedo na tomada. Assim é que, da tranqüila trincheira no UOL, onde tem um blog muito visitado, decidiu voltar à nave-mãe televisiva. Ali desenvolveu uma carreira extensa, desde que pariu o personagem Ernesto Varela nos anos 80 – ao lado do então videomaker Fernando Meirelles, na produtora Olhar Eletrônico –, passando depois por todos os canais abertos, de Castelo Rá-Tim-Bum e Vitrine, na Cultura, a Saca-rolha, no 21, e Netos do Amaral, na MTV Brasil.
Está agora no CQC, Custe o que custar, programa argentino com franquias no Chile, Espanha e Itália – primeiro produto midiático a unir com sucesso os países vizinhos desde que Xuxa foi beijar los pibes portenhos. À frente de um talentoso time de atores e repórteres, Tas faz o que sabe: informa divertindo, confrontando jornalismo e ficção. O resultado são inusitados picos de seis pontos no Ibope. Além da TV, prepara o roteiro de um espetáculo de Meirelles com o coreógrafo Ivaldo Bertazzo, Marília Pêra como protagonista. Coisa séria? Claro: no texto, Tas se inspira nada menos do que na biografia de Marx. Groucho Marx.
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