DISTORÇÃO DA IMAGEM
Em meninos e meninas, os TA se manifestam da mesma maneira: distorção da imagem corporal, comportamentos alimentares inadequados (dietas restritivas, jejuns prolongados, episódios de compulsão alimentar), além dos vômitos auto-induzidos, abuso de laxantes e diuréticos, exercício físico exagerado, entre outros métodos. Assim como as mulheres, eles gostam de compartilhar suas experiências em blogs ou em comunidades de relacionamento, como o Orkut, e se abastecem de dietas malucas na internet.
Por outro lado, é um grupo com particularidades. “Entre os homens, há muitos transtornos no esporte e na moda. Na década de 80, os modelos eram mais musculosos; hoje, precisam ser mais magros e andrógenos”, comenta a psicóloga Valéria Lemos Palazzo, do Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares (GTDA). “Atualmente, o número de homens com transtornos está se equiparando com o de mulheres. Antes era muito distante.”
A psiquiatra Paula Melin, do Núcleo de Transtornos Alimentares e Obesidade (NUTTRA), no Rio, complementa: “Ainda se acha que é doença de mulher, por isso eles têm vergonha de procurar ajuda”. Enquanto isso, vão perdendo a libido, os cabelos, a concentração, as unhas enfraquecem, desenvolvem sintomas depressivos.
PELE E OSSO
O cabeleireiro mineiro Fernando Ricci, 27, garante que parou com a bulimia por conta própria, sem precisar de tratamento. Começou nessa vida uns sete anos atrás, por conta de uma barriguinha indesejada. Apesar de ficar incomodado, não queria se privar de comer um bom prato de macarronada. Assim, tomado por acessos de culpa após bater uma bela refeição, não pensava duas vezes antes de botar o dedo na garganta e vomitar. “Com o passar do tempo, fui emagrecendo muito, queria cada vez mais. Tanto que cheguei a pesar 50 kg medindo 1,88 m.”
Quando as pessoas começaram a comentar sobre sua magreza excessiva, sua ficha caiu. “Eu estava muito feio, só pele e osso.” A morte da modelo Ana Carolina Reston por anorexia foi a pá de cal que faltava. Hoje é viciado em academia, do tipo que malha todo dia o que, para especialistas, pode também caracterizar um quadro de bulimia. “Gosto de pessoas magras. Tanto é que fiz minha última namorada emagrecer uns 7 kg. Falei pra ela que se quisesse ficar comigo tinha de emagrecer”, lembra. “Não tenho preconceito contra quem tem bulimia ou anorexia, tanto que faço parte de comunidades do gênero no Orkut. Sou a favor da magreza. Ao extremo. As pessoas têm de ser felizes, só não podem perder o controle.” |