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Isso não pode ser sinal de arrogância? Não, o que eu faço eu assumo. Muitas vezes não foi a melhor opção, foi um erro. Mas você tem que aceitar que quando você errou foi a melhor coisa que você pôde fazer. O mais importante é não ter intenção de fazer o mal. Isso eu nunca fiz. Então arrependimento é algo que não cabe.
Você já apanhou? Não... acho que não. Nunca aconteceu essa tragédia.
E seu pai nunca te bateu? Nunca. Em casa se tivesse porrada envolvida ia ser um problema grande. Era na base do respeito. Ele era bem general... eu preferiria apanhar a tomar esporro dele, que você sentia na pele mesmo.
Na entrevista que seu pai deu para a Trip há dez anos (Trip 58 - clique aqui para ler) ele disse que nunca amou mulher nenhuma, que as encarava em um patamar diferente. Você se identifica com isso? Não. Respeito muito a liderança que ele teve na minha vida, o relacionamento que teve com a minha mãe e no segundo casamento. Mas pra mim a base da coisa é o amor. Não pode ser uma coisa baseada na procriação, no sistema patriarcal. Valorizo o relacionamento entre homem e mulher como base da família.
Você fala muito de seu pai. Mas qual o papel da sua mãe na sua formação? Minha mãe foi sempre muito submissa ao meu pai, sempre foi uma pessoa doce. Mas, pelo grau de submissão ao meu pai, não mantinha a disciplina que poderia como uma mãe dura. Via um zero no boletim e falava com meu pai. Teve um pequeno lapso de disciplina em mim. Ela sempre passou a mão na minha cabeça, perdoando tudo. E acho que o papel da mãe tem que ser mais de educadora, faltou isso.
O quê? Disciplina, dar mais valor às conquistas. Ficava a princípio achando que tinha a obrigação de ser bem tratado. Eu era meio reizinho em casa: era bom em jiu-jítsu, meu pai adorava isso em mim, eu era praticamente intocável. Deu certo, mas poderia ter dado errado.
Você já se rebelou contra seu pai? De uma forma inteligente, sim. Eu pegava a própria maneira dele de ser. “Eu nunca estudei e sou o que sou”, ele falava. Um dia, eu disse que não queria mais estudar, tinha 13 anos. Ele deixou, mas disse para não pedir dinheiro pra nada. Peguei minha prancha e fui pro Sul, passei dois meses na casa de um amigo. Todo mundo preocupado. Voltei com outra atitude, comecei a dar aula com meu irmão, ganhar uns tostões. Aí comecei a sentir falta da merenda, das gatinhas, da social do colégio... e voltei. Mas só colégio de baixa reputação. Passei até no vestibular para educação física, mas nem cursei. Já estava bem no jiu-jítsu, ganhando mais do que um diretor de banco.
Você está separado da Kim... Isso eu não tô a fim de falar, não.
Mas hoje está namorando, sossegado? Estou bem feliz e tranqüilo no Brasil.
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