POR RICARDO PUPO

Nossa geração, os cinqüentões de hoje, teve a felicidade de vivenciar o motociclismo brasileiro “de camarote”. Assistíamos às corridas em Interlagos, berço sagrado da motovelocidade dos anos 70, em sua pista de 7.900 m, sentados na grama, quase encostando nas motos e pilotos, coisa totalmente impensável hoje. E, mais que isso, nossos ídolos, heróis, os pilotos, iam, depois do “show”, para os mesmos points que a gente, o Ibira (Ibirapuera), a Augusta... Isso fazia com que eles fossem “ídolos de carne e osso” – talvez por isso os admirássemos tanto. Há seis anos, resolvi, informalmente, resgatar esse clima e esse tempo, criando um site para contar as histórias dos anos dourados do motociclismo nacional e mundial. E fiquei surpreso com o imenso número de pessoas que quiseram compartilhar comigo essa paixão. O Motos Clássicas 70 (www.motosclassicas70.com.br) se transformou no point virtual de uma galera que estava esquecida em algum lugar por aí. Para mim, está sendo maravilhoso, pois muitos dos meus “ídolos de carne e osso” são atualmente meus amigos. Infelizmente, no caso do Jacaré, um dos maiores ídolos da época, isso não é possível. Mas, para minha felicidade, virei o herdeiro de muitos de seus pertences particulares, como troféus, fotos, jornais, a bota vermelha que ele usou na última vitória em Interlagos poucos dias antes de morrer, lembranças que sua mãe, dona Nelita, guardou com carinho por todos esses anos.

*Ricardo Pupo é veterinário em São Paulo, doente por motos e fascinado pela história do motociclismo

  » próxima página
comente