TOMBO E DEPRESSÃO
Mesmo sem se enquadrar como o esperado, Jacaré correu na equipe de Edgard
Soares de Yamaha TR3 350 e de TZ 350. Os bons resultados foram imediatos,
tanto na Taça Centauro como no Campeonato Paulista. Em março de
1974, nas 24 Horas de Interlagos,
disputada em dupla com Edmar Ferreira, outra prova de que ele desprezava a dor
em nome da vitória: depois de cair e ser substituído por Edmar,
Jacaré foi ao hospital, engessou a mão e voltou para a corrida – só não
a completou porque o motor da BMW não agüentou. Abril e maio daquele
ano foram mais generosos com o piloto. Primeiro, venceu a abertura do Paulista;
depois, deu um show, em parceria com o venezuelano Johnny Ceccoto, nas 500 Milhas
de Interlagos. Em julho, foi a vez de vencer na inauguração do
autódromo de Goiânia. Coube a ele ainda o primeiro lugar nas 200
Milhas.
O piloto acumulou recordes, como o de 3’17’’ s que cravou em
Interlagos. Com o título do Paulista embaixo do braço, faltava
pouco para ele se sagrar o melhor do Brasil. Foi aí que sofreu um grave
acidente no Minhocão, em São Paulo, quando estava na garupa de
um amigo. Foram meses de recuperação e uma tremenda depressão.
Jacaré ficou magro. Deixou a barba crescer. A virada veio com a gloriosa
vitória nas 200 Milhas de 1975. Dias depois, no entanto, mais uma provocação
na rua, mais um racha – e você já sabe o que aconteceu.
O desfecho trágico fez valer outro desejo que o audaz piloto confessou
aos amigos: “Quero morrer em cima de uma motocicleta, de repente”.
E assim foi. |