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Você está fugindo do que lhe perguntei... Meu pensamento é analógico: às
vezes vou para outro canal, mas continuo o assunto. Na Índia, perguntei à minha
professora por que todos os artistas e músicos tocam descalços.
Ela respondeu que o djin, o gênio musical, entra pela sola dos pés
e sobe para o corpo. O djin é a versão indiana do el duende andaluz.
A magia não é democrática: alguns receberam esse dom,
outros não. Algumas pessoas têm o canal de abrir-se às
encruzilhadas e conectar-se com as entidades.
E a filosofia? Voltei pra São Paulo, para terminar a faculdade de filosofia
e fiquei sem cítara, foi um drama pra mim. Aconteceu um hiato de sete
anos, e, como ninguém tinha cítara, eu não tocava. Uma
amiga foi à Índia e ganhou uma cítara baleada de um citarista,
comovido com minha história. Ela chegou em casa, bateu na porta e me
deu. Meses depois, meu primeiro recital foi no antológico Lira Paulistana – no
dia da morte do John Lennon. O crítico Luís Antônio Giron
disse: “Você é o mais maldito; começou no fim da
era da cítara e no início do punk”.
Você utiliza plantas de poder? Como médium, conhecedor e conectado
com a egrégora indiana, digo que as plantas de poder são substâncias
divinas, sagradas. A planta pernambucana jurema, por exemplo, sempre foi conectada à umbanda.
Como foi esse mergulho nas tradições indianas? Aconteceu magicamente.
Vários videntes – não indianos, como pessoas com quem estive
recentemente – destacam minha relação com as entidades
protetoras da tradição hindu. Fui na ordem da mesa branca, do
mestre Ramadis, fazer um trabalho de cura. Duas médiuns chegaram para
mim no fim e me disseram que havia dois indianos sentados de lótus
ao meu lado e dois de pé. Essas visões já aconteceram
em outros lugares, de modos diferentes. É uma egrégora protetora,
meu irmão...
É verdade que você quase foi alpinista? Mais ou menos... meu
avô Ermínio Marsicano foi quem me criou. Ele nasceu próximo
a Pompéia, Itália, era um grande alpinista. Tirou uma foto minha
com 6 anos de idade e a deixou num tubo de alumínio no Himalaia, perto
do K2, a mais de 8.000 m de altura. Seu sonho era que eu fosse buscar com 18
anos, seguindo seus passos. Mas ele morreu quando eu tinha 14, e minha avó jogou
fora o mapa da foto – tinha medo que eu seguisse a carreira dele... coisas
de
mulher de alpinista... |