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E você tinha muitas estrelinhas com a dona Manuelina? Tinha. Sempre
fui bom aluno. Minha mãe deve ter as medalhas. Mas isso não
tinha a ver com o estilo de vida CDF [risos]. Sempre convivi no fundo da sala.
No cursinho, as turmas eram divididas pela nota da prova. Eu tinha nota pra
estar na turma A, mas gostava da turma C, porque era um pessoal que gostava
das mesmas bandas que eu ou que tinha uma formação contracultural
mais parecida com as coisas que me interessavam no mundo.
E em casa a educação era rígida? Não, tinha um
encaminhamento de que deveríamos ser engenheiros ou médicos,
profissões consideradas nobres e de futuro. Eu queria ser
cientista, fiz três anos de engenharia química. Larguei para fazer
ciências sociais, minha segunda opção no vestibular. Até descobrir
e ter certeza de que era isso que queria e ter coragem de dizer aos meus pais
que ia abandonar a faculdade de engenharia... O Herbert fazia arquitetura
e largou pra montar uma banda. Meu outro irmão fazia agronomia, largou
para trabalhar com os Paralamas. Minha mãe se perguntou: “O que
fiz de errado?”. Pra eles era difícil. São de famílias
pobres, que valorizavam a educação como forma de vencer...
mas depois entenderam.
E o que “deu errado” nos três? Não era uma família
de intelectuais. Começou a degringolar quando eles deram de presente
a coleção do Monteiro Lobato e a gente leu ainda criança.
O Herbert chegou a ir à TV, num programa em Brasília, para responder
sobre a obra de Monteiro Lobato.
E você estuda muito ainda? Acho que a melhor coisa do mundo é aprender
coisas novas.
E como você vê a escola hoje? A tecnologia de transmissão
de informação que a escola desenvolveu para ensinar conhecimentos
básicos, que fazem falta se você não os tem, vai sempre
existir. Não vejo perspectiva, mesmo a médio e longo prazo, de
que se invente coisa mais eficiente que a escola.
A gente vai conviver com esse método.
Mas os alunos não são outros? Participo ativamente da educação
dos filhos do Herbert, levar pra escola, estudar junto. Quando mudei para a
casa dele, o Lucas tinha 9 anos e se interessava por Pokémon. É um
exercício de memória fabuloso decorar todos os nomes, poderes,
como escolher o seu time... Tem esse prazer de decorar essas coisas, mas nenhum
de decorar milhares de coisas que ensinam na escola. É questão
de interesse. Esses meninos se interessam por game, então vou procurar
o que é que existe de games educativos. Mas é batata! Eles percebem
muito fácil que o game é educativo. Se não é prazer
e desperdício de tempo, o que aparentemente é o game de brincar,
ficam desconfiados e largam rapidinho [risos].
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