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Parte 1_Um preâmbulo bananoso (ou Um nariz-de-cera docinho)

Os bonobos é que são felizes. Você considere a alegria total e utópica de um orangotango, saltando e puxando os pêlos da cabeça num desespero cômico porque sua banana acabou e lhe deixou apenas uma casca e uma inquietação.
Ele engatinha, arranca algumas pulgas, faz um muxoxo, exibe os dentes a não sei que lembranças e visões, e então parte, aos pulos vigorosos, em busca de nova banana. Em pouquíssimo tempo, ele a terá, e será feliz e será realizado.
E agora considere a completa patetice, o redondo fracasso do homem e sua felicidade. Ele a busca não como a banana simples, acessível naquele cacho primordial sempre à sua frente. Não! Ele tem mania de grandeza. Quererá bananadas, compotas e docinhos. E no final, não lamberá nem os beiços. Terá a faca e a banana nas mãos, mas estará maquinando a tosa da bezerra. Vive-se demais de consolos.

Parte 2_Mas que bom que os consolos existem...

É, né? A Bruna Notaro, por exemplo. A pequena Bruninha, a formosa Bruninha, a menina Bruninha, a aspirante Bruninha, a sonhadora Bruninha. Ela nos alivia o fardo com o macete mais simples e fundamental: Bruninha nos apazigua apenas com a natureza de sua beleza claríssima, dourada, solar.
Os cabelos cor de bananas, um sorriso doce, a voz firme e contralto, numa tessitura saborosa cada vez que usa a mania de iniciar a frase com o nome do interlocutor e uma interjeição (“Fulano, aí, Fulano... É, né, Fulano?”). Os olhos são perolados, verdes, e fazem um espelho convexo e perfeito defronte ao mar de Ubatuba, em São Paulo, que ela freqüenta todos os fins de semana, todos eles, jogando conversa fora e partidas de futevôlei. Surfando também. A especialidade: bodyboarding.
É a beleza brejeira, moleca praiana de 22 anos, com aquela nesga de charme e maturidade que o convívio com gente mais velha lhe deu. (As amigas têm por volta de 30 e o próximo namorado – Bruna é solteira – ela diz que deverá ter essa idade, mais ou menos.)
Esse conjunto natural (não há silicone) permite, por breves segundos, à gente que clicou neste ensaio, esquecer das tolas aspirações de grandeza, sentimentos sublimes e aspirações desse naipe.
A imagem da paulistana Bruna, a praiana Bruna, que vive os “findis” no litoral, e durante a semana permanece no cativeiro de São Bernardo, onde mora com os pais; a imagem da menina é dessas coisas capazes de arrastar a cambetice humana por poucos segundos, enquanto durarem as olhadelas em suas fotos. E nesses poucos momentos quem a vê retorna ao tempo das macacadas e das felicidades possíveis com uma banana na mão.

Parte 3_Macaquices e mumunhas

Bruna Notaro é uma felicidade possível. Mas que sofre. Ela conta que sonha. Sonha tanto, e acordada, em ser atriz. Faz curso. Está só no começo. Diz que ficaria encantada em trabalhar apenas na televisão, nada de teatro e essas grandiloqüências stanislavskianas. Nada. Dê a Bruna uma ponta ou um protagonismo em Malhação e veja que grande alegria, que grande banana ela não dará à vida nas academias e aos bicos que a sustentam.
Porque enquanto a menina não brilha como atriz, cursa uma faculdade de educação física. E se nada der certo, se o caminho do Projac se perder em algum tropico, não haverá problemas: Bruna seguirá o plano B, dará aulas de ginástica, calistenia, condicionará “a galera da praia” e tornará o povo um pouco mais reto, menos roliço. Mais contente.
E ainda assim, ela será feliz. Porque a Bruninha é simples. Sorri marotamente, e quem sorri marotamente está sempre a um espirro das grandes tranqüilidades. É uma vibe algo inexplicável. E faz, por todo o tempo em que se conversa tête-à-tête com a garota, ela faz a gente ter contato com essa nossa perdida folia simiesca.

Parte 4_O sereio de 30 anos, a Chita de 8

Bruna está solteira. Vai de rolinho em rolinho, superando nas pequenas ilusões de paixão os grandes amores passados. Foram dois namorados. O último deles há coisa de um ano, a contar deste fim de fevereiro de 2007. Ela vai vivendo, bicando de amorzinho em amorzinho, até encontrar o seu sereio de 30 anos.
Nenhum grande sofrimento nisso. Entre a fase dos rolinhos e de curtir a companhia das amigas, ela diz que só melhora. Não sente falta de amor carnal porque, oras, porque amor carnal existe, está por aí, sempre acessível, com moderação. Bruna diz que gosta. Que é essencial. Que não há tabus após a entrega mútua. E, colegas, esse tesourinho está ai, solteiro...
Dá para entender? Erro dos homens, deve ser. Porque o justo engano do homem, diante da doçura da Bruna, é querer ser Tarzan, vergastar a própria alegria quando toda a felicidade estaria em agir fácil como a Chita. Só as chitas entendem. E são felizes.
De Tarzan e homem, a Terra está lotada. E o homem falhou demais.

Parte 5_Caramelo uuuuu e a trava do Tarzan

Bruna Notaro é um caramelo. E se pudesse pensar agora, diante desse caramelo de beleza, essa pele de caramelo, essa alma de caramelo; se pudesse pensar agora em um minutinho de felicidade possível, sem as travas e os medos do Tarzan no cipó; se pudesse pensar nisso sem temor, ah, o homem tocaria o sublime.
Ele salivaria antecipando a pequena em seus braços. Rasgaria as roupas num acesso, puxaria os cabelos, faria caretas e exibiria a gengiva. E então, ele iria ao fruteiro de casa, tomaria a banana à mão, subiria no sofá da sala com as pernas arqueadas, e começaria a pular. Pular cada vez mais alto. Pular até alcançar o teto e agarrar o lustre que pende. E seria feliz por um segundo, de banana sempre em punho, bradando o grito fundamental e macaquíssimo:

Ááááááááááá, uuuuuuuuuuuuuuuuu... 


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