intriguinha, coisinha de quem quer me incomodar. A idéia
do detetive foi incrível, mas o cara era um pastel,
um mosca-morta, porque eu acordo às 5h, 5h30, vou
pra ioga, daí volto! No dia em que o cara me pegou,
eu fui pra padaria tomar um café com leite, um sanduíche
de queijo branco, e o cara me fotografou. Isso era umas
nove e meia da manhã, bem depois da ioga. E o cara
falando que eu tinha acordado àquela hora...
Você chegou a se afastar
da Trip durante um tempo. Eu estava com
alguns problemas na Trip, me distanciei ali por volta
de 1992, 93. Minha mãe tinha falecido, uma tristeza
danada, eu me sentia num buraco. O Dandão estava
fazendo a revista Boom e me chamou: “Ô, cara,
você não fala tanto da Índia? Por
que não viaja pra lá?”. Eu falei: “Como?
Você tá maluco? Sozinho?”. E ele: “Vai
lá! Pega uma caneta, um gravador e uma máquina
fotográfica”. Porra! O Dandão foi
uma voz da sabedoria na minha vida. Fui pra Índia
e meu diário de viagem foi publicado na Boom,
18 páginas. Aí voltei ao mercado, o Paulo
me abraçou novamente, mandamos ver e eu comecei
a formar este Arthur.
O gonzo? É,
o gonzo. Foi com uma matéria sobre o edifício
Demoiselle, o Treme-treme, na rua Paim. O título: “Balança,
mas não cai”. O fotógrafo era o Shin
Shikuma, fizemos uma puta reportagem. Foi um mês e
meio vivendo num lugar que tinha travesti, bandido, famílias,
pessoas decentes, tudo. Aí eu percebi: “Cacete!
Eu sou bom no negócio”.
Um clássico da Trip:
você é feliz? Eu sou este
esbanjar de felicidade. Eu sou vida, cara, sou digno
de mim mesmo! Poxa, estou no caminho ióguico,
no caminho do meio. Minha história é pura
ioga. Tenho uma responsabilidade nesta vida, tenho de
deixar um legado, não só para meus filhos.
Sou um ser humano que, a princípio, serve de exemplo
de como a gente pode renascer, de ser uma fênix,
de estar aí bem na vida sem deixar de ser autêntico.
Eu faço as coisas que realmente gosto de fazer.
Pô, eu não sou dirigido por ninguém,
não faço novelinha. Eu faço a vida,
certo? Eu faço documentário, faço
minhas matérias e estou lá com os sujeitos
que são autênticos. Não é fake,
não é maquiagem. |