Você falou no mundo da morte. O que você tomava? Todas as drogas urbanas, essa porcariada toda – cocaína, heroína, maconha. E o povo continua usando. Eu vejo alguns caras da minha geração numa decadência tão degradante que fico constrangido em falar sobre o assunto, porque estou em outra. Mas nessa época, poxa, a cocaína era uma coisa que deixava a gente eufórico, era o máximo, fazia se sentir como super-homem, ficar dias sem dormir. Depois de um tempo, claro, era a desgraça. E eu agregava bebida alcoólica, tabaco... Mas esse aspecto Bukowski não tomou um período tão longo da minha vida.

Teve sorte, hein, Arthur? Está vivo. Ah, sim... Eu vou fazer 48. Tive muitas vidas nesta vida, e é por isso que, quando eu vejo as pessoas falarem “vou fazer regressão, saber quais foram as minhas vidas passadas”, “aí, eu fui um príncipe no Egito!”, “aí, eu fui uma cortesã na Revolução Francesa!”, eu falo: “Nego, veja primeiro esta vida, resolve esta vidinha aqui primeiro”.

Aliás, você conheceu o Paulo Lima no Carbono 14, certo? Pois é. Como DJ eu já estava numa situação pop, até porque eram pouquíssimos. Tinha o Marquinhos MS, o Magal, o Gigio e o Alex Atala, que era o assistente do assistente do assistente do Jaiminho. O Paulo era amigo do Castilhão, fazia os eventos de surf do Carbono, e precisava de alguém pra fazer o som durante a projeção de um filme. Eu estava sentado no meio-fio, depois de uma ressaca de balada, e o Paulo me chamou. Começou então nossa parceria, nossa amizade.

Você chegou a morar no apartamento dele? Sim, numa época em que eu estava durango, fiquei lá no apartamento do Paulo. Passei mais de um ano, pedi arrego: “Estou sem casa, nem minha mãe me quer mais”. E o cara foi impecável, nem tenho como dizer. Aliás, o Paulo é de Capricórnio, e eu estou cercado por capricornianos que são como âncoras na minha vida. Além dele, tem a Andréa Gerbase, com quem fui casado dez anos, que é a mãe do João; tem a Patrícia de Oliveira, meu segundo casamento, mãe da Vitória; e também meu orientador, o meu guru, o cara que me levou para a ioga, que é o Cristóvão de Oliveira. Todos são de Capricórnio.

Você come de tudo? Eu agora não como carne nem peixe. Nada disso entra no meu organismo.

Ovo? Leite, queijo? Ovo, raramente. Queijo entra porque faço exercícios muito intensos. Eu faço ashtanga-minhoca, como o Cristiano diz. Não é pra qualquer um. Deve ter umas 200 pessoas fazendo ashtanga no Brasil. Tem nego que faz até o quinto mês, o primeiro ano, depois desiste.

Por quê? Porque você tem que ter regularidade, tem que fazer diariamente. Nessa prática ióguica, é necessário cinco dias por semana, no mínimo, ou não está fazendo.

E você pratica todo dia, esteja onde estiver? Pratico mesmo. Eu vim de uma vivência agora de quatro dias em um ashram, em silêncio, fazendo posturas, pranayamas, exercícios de meditação, de limpeza. É muita austeridade, mas tem tudo ali, toda a boa comida à nossa disposição. Aí, sim, você adota uma vida simples, frugal, mais autêntica.

Como é viver sozinho, Arthur? Recomendo pra qualquer ser humano, qualquer casal. Quer perdurar, quer ter um casamento legal, uma relação boa? Mora sozinho. Eu fico pensando nos meus filhos borbulhando lá em casa... Como é que eu ia me concentrar?
 
Como começou a carreira jornalística? O primeiro texto que eu fiz foi no colégio, um jornalzinho chamado Arauto. Depois, na época Rajneesh, escrevi algo sobre música na revista Transe, de Brasília. Daí comecei a fazer coisas na Trip, release... Meu primeiro release foi pra Sonia Abreu, a famosa DJ. Já estava tentando criar um método. Mas usava máquina de escrever, era muito difícil, ficava com muitos garranchos.

 
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