Quando Eliana Finkelstein pôs os olhos na velha casa abandonada, teve que usar muita imaginação e criatividade para vislumbrar a galeria que ali se instalaria. “Tinha um monte de sem-teto... aqui era um ponto de crack, eles comercializavam em cima do forro!”, lembra. O empurrãozinho do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que se dispôs a fazer a reforma do imóvel na faixa, e o aval do sócio, o fotógrafo Eduardo Brandão, foram fundamentais para sua decisão. Concretizava-se assim o sonho da dupla: ter uma galeria – mas não qualquer uma. “Queríamos um lugar onde as pessoas pudessem trocar idéias sobre arte”, conta Eliana. “Era muito importante a idéia de trabalhar com o processo artístico e com a dúvida. Conversar com o artista sobre a intenção dele e arriscar, incentivar a experimentação.” Assim nascia há quatro anos a Galeria Vermelho – já diferente no nome, sem o sobrenome dos sócios, como é o usual. Expoente de novos olhares artísticos e singulares modos de expor, recebeu artistas como Eduardo Srur, Marcelo Cidade, Rosângela Rennó e Chelpa Ferro. “Sempre quisemos trabalhar com expressões não tão comuns em galerias, como performance e fotografia; com artistas que tivessem um viés político”, explica Eduardo. Exemplo disso é a mostra “VERBO”, que anualmente reúne artistas performáticos e das artes visuais por uma semana na galeria. “Não saberia dizer como é diferente dos outros, porque não tenho idéia de como é o outro jeito”, afirma Eduardo. “Para mim, continua sendo um jeito meu de lidar com as coisas.”
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