“Toda vez que você cria um sistema de educação sofisticado demais, sem casar com um mecanismo de criação de chances sofisticadas, você cria uma janela de evasão.” Foi o que constatou Sílvio Meira [foto], cientista-chefe do Cesar (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), em 1993, ao perceber que três em cada quatro dos alunos graduados em informática deixavam a capital pernambucana, todo ano. O modelo que imaginaram como solução deu à luz o Cesar – instituição privada, sem fins lucrativos, para fazer projetos, resolver problemas e criar novos negócios de TI (tecnologia da informação). Uma fábrica de
empresas, não uma incubadora: afinal, as empresas surgem para resolver problemas de outras empresas. “Vendemos soluções”, afirma Sílvio, “porque, se eu fizer uma solução mais inovadora que as existentes, surge a possibilidade de vender a outras empresas, e, daí, criar outra unidade de negócio”, explica. De 30 criadas ao longo desses dez anos, 20 prosperaram – fazendo softwares, agendas e jogos para celulares, segurança de redes e sites, entre outros. Para abrigar todos esses novos empreendimentos, Sílvio, ao lado de outros associados, apresentou ao governo pernambucano o projeto de criação de um centro de competências em TI, no Recife Antigo – bairro histórico da capital perto do porto da cidade. Nasceu assim, há cinco anos, o Silicon Valley brasileiro, o Porto Digital, do qual Sílvio é fundador e presidente. Atualmente, cerca de 100 empresas funcionam no belo bairro, gerando 3000 vagas de emprego e riquezas equivalentes a 3,5% do PIB do Estado (cerca de 150 milhões de reais). |