É o que Oscar Niemeyer desenhou como “última experiência comunista do país”. Assim é a Escola da Cidade: uma escola de arquitetura, particular, sem nenhuma ligação com o poder público, porém sem fins lucrativos. Ainda assim, auto-sustentável.“ No início nós bancamos, cada um com o que pôde. Hoje, todos têm participação igual na sociedade”, explica Ciro Pirondi, diretor da escola. O projeto começou em 1996 com um grupo de dez pessoas, hoje são 120 associados. Todos acreditando na idéia de uma maneira inovadora de pensar o urbanismo. “Para aprender arquitetura, fazer viga e pilar, não precisa vir à escola: qualquer almanaque ensina”, afirma Ciro. “Aprender a pensar arquitetura é outra história. Nosso intuito é formar uma pessoa com consciência social que tem como ofício ser arquiteto”, diz. No currículo incluem-se viagens pelo Brasil para entender com os cinco sentidos as construções históricas da arquitetura brasileira; trabalhos nos núcleos de pesquisa e projeto da escola, que funcionam paralelamente à instituição de ensino; e o estúdio vertical, espécie de laboratório que envolve alunos de todos os anos trabalhando juntos num projeto – este último mês, era um concurso entre estudantes para projetar o palácio da Justiça em Paris. Tudo isso, claro, não foi fácil de ser engolido pelo MEC. “Mentimos muito pro MEC para fazer o que queríamos”, sorri Ciro. “Precisávamos fugir da camisa-de-força deles para não fazer uma escola igual às outras”, ensina. |