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Se for preciso, você faria uma terceira cirurgia? [Respira fundo] Só se fosse para fazer e deixar a raquete de lado. A cirurgia poderia ser uma opção, mas com o objetivo de aumentar minha qualidade de vida. Essa lesão é recente no tênis. Hoje, muita gente se previne porque já sabe que pode acontecer. Se eu soubesse antes, o problema até poderia ser prevenido com trabalhos de estabilidade, um pouco mais de força muscular, mas também só se eu tivesse uma vidência ou alguém ter me alertado. No meu caso, depois que chegou naquele ponto, já não tinha mais como. Até eu descobrir foram seis, oito meses. Eu achava que era nas costas, no [músculo] adutor... Busquei as melhores opções, operei com os caras de ponta, não olho para trás e fico lamentando. Não me arrependo de nada. Tomara que seja comigo aquela resposta concreta: um tenista que fez a cirurgia, se recuperou e jogou tão bem quanto antes ou até melhor.
Por que você acha que pode jogar melhor? Ah, porque tudo isso que eu passei fortalece bastante. Acho que qualquer desafio que aparecer para mim na quadra eu... Pô! Imagina se eu pudesse ficar na quadra hoje jogando quatro horas de tênis. Eu ia estar sorrindo que nem um... [risos].
Poderia colocar o Federer e o Nadal (1º e 2º do ranking, respectivamente) do outro lado que você bateria os dois? Esses caras são dois gênios e o esporte até chegou a perder um pouco da graça. Mas se eu estivesse recuperado teria enormes chances de estar entre os dez.
Do Federer você já ganhou duas vezes, não? Ganhei duas, perdi uma. Todas as vezes foram depois da cirurgia. A última foi em Roland Garros [2004]. Era tirando coelho da cartola, fazendo chover. Foi complicado. Eu estava tomando um monte de remédio, fazendo fisioterapia duas, três horas por dia...
Por que você quer tanto voltar às quadras? Antes de mais nada é um desejo pessoal realmente. Não imaginava que eu, com 29, 30 anos, ia ter vontade de continuar buscando tudo isso. A mesma vontade que eu tinha quando criança, de estar nos torneios e competir, me superar. Não dá para fugir disso também, sabe? Eu fico um, dois dias em casa e vejo que eu quero mais é vir aqui, buscar uma maneira e tentar. Se me der a oportunidade de jogar três horas seguidas eu acho que vou ser o cara mais feliz do mundo. Gostaria de jogar mais uns três anos se tudo der certo. Com exceção do Federer e do Nadal, ninguém me assusta.
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