Quando você volta às quadras? Não tenho nem idéia. Eu quero estar confiante, depois eu quero estar mais confiante, até ter a certeza, e só daí eu vou.

Especula-se que você já estaria planejando a sua aposentadoria e que você não voltaria para o circuito. Existe essa possibilidade? É a única coisa em que não penso. Não digo que não existe essa possibilidade. Vou voltar se eu estiver bem. Mas não passa pela minha cabeça ir me afastando devagarzinho.

O que falta para você voltar a jogar? Conseguir ficar um bom tempo em quadra. Ao longo da semana fico pelo menos umas seis horas. Às vezes, fico uma hora e quinze num dia e no outro dia dou uma descansada. Às vezes, faço dois períodos de 45 minutos. Não posso exigir que eu treine mais que três horas de tênis por dia. O ideal seriam pelo menos duas horas diárias. Se eu sair para competir vai ser na data que eu me sentir 150% seguro. Já falei para o Hernan [o técnico argentino, Hernan Gumy] e para o Filé [o fisioterapeuta carioca Nilton Petrone, que cuidou dos jogadores Romário e Ronaldo]: “Não adianta queimar cartucho”. Desde a minha primeira cirurgia até hoje não cheguei a um ponto de estar 100% recuperado e jogando tão bem quanto antes. Sempre fui um cara muito competitivo. Então, isso aí, na minha cabeça, é difícil de admitir e acaba se tornando uma frustração. Quem falar com toda a certeza que vou voltar bem eu acho que vai estar mentindo.

Quais são as suas dúvidas? A única dúvida mais presente seria: “Pô, será que vou conseguir ou não?”. Cresci na parte mental e acho que, se tiver condições físicas de jogar, a parte mental está mais forte do que antes e vou poder desfrutar, sentir um gostinho maior de jogar tênis. Na minha cabeça, acredito muito mais agora que até um ano ou dois anos atrás.

A que você atribui esse seu mental fortalecido? É um pouco das reflexões que fiz ao longo desse tempo que abdiquei de jogar e venho me dedicando à recuperação da lesão. E também a ajuda das pessoas que estão ao meu lado. Tem uma hora que você está firme, com a cabeça superpositiva, mas tem hora que você está cansado, morto, e começa a não ter mais força para fazer isso, fazer aquilo. De repente tu se vê assim, ufa!, respira, respira, amanhã é um momento complicado, tem um treino... Cara, é um esporte individual. No final, depende 90% do esforço do próprio atleta, mas ajuda se tiver alguém direcionando para os lugares certos. O Hernan é um cara que já me conhece há um ano, sabe o que ele pode falar para me ajudar, conhece o meu temperamento, vê o dia em que eu estou mais cansado, mais desgastado, ou...

... Ou um pouco mais abatido, mais desesperançado, por exemplo? É. Esse era principalmente o feeling que eu tinha com o Larri [o ex-técnico Larri Passos], que era um relacionamento de tantos anos que ele olhava assim de 200 metros e já sentia algo no caminhar.

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