Falando em mulheres, na mais recente Páginas Negras da Trip a Daniella Cicarelli declarou que lhe mandaria um e-mail. Ela mandou? Sim. Eu a conheci, saí com ela. Ficou minha amiga. É uma doce figura, e uma das mulheres mais lindas do mundo. É muito inteligente também.
Amiga, né? É, fomos ao teatro ver a estréia do Jô, fomos jantar, mas somos apenas bons amigos, como dizem os outros.
Você falou em um artigo que acha impossível a fidelidade. Também é truque ou você acha isso mesmo? Ah, eu nunca vi, né? Pode ser que exista. Eu nunca conheci nenhum homem fiel.
E mulheres? Mulher tem. Elas são mais, elas são mais obstinadas, elas são mais obsessivas, mas mudou muito. As mulheres de hoje estão numa atitude extremamente masculina, no sentido antigo da palavra, estão com um comportamento sexual muito mais livre. Até me choco com a facilidade que as mulheres têm em relação ao sexo hoje. Me dá um certo choque, pô. Onde está a pureza, entre aspas, onde está a beleza do amor cortês?
Mas você acha muito ruim isso? [Risos] Não, isso é bom! Eu acho bom. Fico até com raiva que eu já estou mais velho. Queria que isso acontecesse quando eu tinha 25 anos, pô! [Risos.]
Você tem vícios? Nenhum. Olha, não bebo, quase. Eu não fumo, não me drogo, nada. E estou tentando emagrecer. Depois de certa idade tem que pensar...
Então vamos voltar aos seus 20 anos. Como foi que você, estudante de direito, chegou ao cinema? Eu fiz direito, mas eu nunca exerci, nunca fui advogado e nem quero ser. Em 1963 eu me meti na UNE, onde fazia uma revista e o Jornal dos Estudantes. Quando veio o golpe, em 64, eu tinha que arranjar uma profissão, porque eu não podia continuar de estudante porra-louca. E aí, na vida as coisas são muito casuais. Eu gostava de escrever poesia e teatro, e um dia o Cacá [Diegues] falou pra mim: “Faz cinema, pô”. Eu respondi: “Boa idéia”. A vida é assim, você toma um bonde e vai na direção oposta à que você pensava. Da mesma forma, parei de fazer cinema um dia porque acabou meu dinheiro. Eu ia morrer de fome.
Foi quando o Collor acabou com a Embrafilme, em 1990, que tua vida complicou? Exatamente. Complicou feio. Não tinha dinheiro nem pra comer. Juro por Deus, literalmente eu tinha um apartamento que estava hipotecado, duas filhas pra sustentar e não tinha dinheiro. Aí o [Hector] Babenco me emprestou 10 mil dólares, com os quais vivi uns quatro meses.
E como você saiu dessa? Um dia vim para São Paulo ver se arranjava uns trampos de publicidade. No avião tava o Fernando Gabeira. Disse: “Pô, Gabeira, você escreve na Folha, você não falaria lá praquela turma que eu gostaria de escrever? Eu tô fodido”. Ele falou com o Otavinho [Frias Filho], coisa rara, porque carioca não ajuda ninguém... [pensa, e murmura: “se bem que o Gabeira não é carioca, é mineiro]. Bom, o Otavinho me chamou e fui trabalhar na Folha. Na minha vida tudo é assim, sem projeto de futuro.
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