Arnaldo Jabor está no jornal que aterrissa de manhã na tua casa. Arnaldo Jabor está no rádio que te acompanha até o trabalho. Arnaldo Jabor está no Jornal da Globo na tua TV, na videolocadora da esquina, na livraria do teu bairro, em 260 mil menções Google adentro. Arnaldo Jabor está nas Páginas Negras da revista Trip em tuas mãos.

Estou na sala da casa de Arnaldo Jabor. Arnaldo Jabor está no sofá ao lado. E ali, bem ali, Arnaldo Jabor parece que não está.  Arnaldo Jabor está de guarda aberta. “Sou muito machista”, “é horrível ficar velho”, “fui muito mais egoísta do que pensava”. E  seu rosto continua enterrado no vaso de flores retratado na tela.

Ele vive, e bem, do que acha. Neste mês, o nosso entrevistado vai achar mais um bocado. Além de lançar seu primeiro livro no exterior (uma coletânea na Espanha com “o melhor” dos mais de 1000 artigos que vem publicando na imprensa desde 1991), ele voltará (apostamos “sem medo de ser feliz”) às listas de mais vendidos do Brasil. Com o nome de Pornopolítica (editora Objetiva), o sexto livro do homem apanha artigos sobre o universo da política.  E foi aí que perguntei ao figura se ele já pensou em ser candidato. E foi aí que seu olhar, até então perdido em uma natureza-morta, voltou para a terra. E a conversa correu adiante, e foi, e voltou, fez suas curvas. Mas aquele “não” redobrado continuou ecoando.

Por via das dúvidas, a Trip resolveu lançar, à revelia do entrevistado, a sua candidatura. Candidatura a quê? Sabe-se lá. Cada leitor que escolha. Nós contribuímos, a seguir, com fragmentos do “programa de governo” de Arnaldo Jabor.

 
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