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“Privação constante de sono é altamente prejudicial à saúde”, afirma Flávio Alóe. Sistemas nervoso, cardiovascular, imunológico e endócrino e milhares de reações metabólicas que ocorrem silenciosamente no ser humano são afetados. Uma mera noite em claro já faz um estrago considerável. “As conseqüências variam e vão desde estar animado demais até muito cansado, irritado e com perda de atenção e concentração”, explica Dalva. “Algumas pessoas apresentam dor de cabeça e podem ter prejuízo na capacidade de decisão.”E a aparência geral do cidadão no day after? Além de o emocional ficar em frangalhos, o físico acompanha: olhos com sensação de areia, dores no corpo, palidez e os cabelos que não se assentam de jeito nenhum. “Uma noite maldormida interfere na circulação periférica”, completa a especialista. Os vasos superficiais ficam contraídos e comprometem o fluxo sanguíneo na derme. As células da pele não conseguem metabolizar as toxinas e reter a água necessária. Ou seja, deixar de dormir direito é o caminho mais curto para que aos 30 anos você pareça mais um senhor de 50.
Uma semana inteira dormindo poucas horas pode surtir um efeito bem mais devastador. “A privação de sono, mesmo que de apenas 45 a 60 minutos por período numa semana, causa alterações neurocognitivas [processamento de informações, cálculos, resolução de problemas complexos e memória de curto prazo] significativas que não são plenamente percebidas pela pessoa”, afirma Alóe. Se aplicarmos os efeitos negativos do deficit constante de sono num modelo qualquer de Homo sapiens provavelmente teríamos um ser velhusco, baixinho, desmemoriado, não muito inteligente, deprimido, com problemas cardiovasculares, obeso, diabético e quase sempre resfriado (leia box). “Em ratos, a privação total de sono mata mais rápido do que a privação de comida”, resume Aloé. Isso nos leva à conclusão aterrorizante de que ficar sem dormir é mais letal do que deixar de comer.
JUVENTUDE SONOLENTA
Além de todos esses danos à saúde, dormir pouco contribui também para o aumento no risco de acidentes. O desastre nuclear de Chernobyl (na atual Ucrânia), que completou 20 anos em 2006, e o desequilíbrio ecológico causado pelo derramamento de óleo do navio petroleiro Exxon Valdez em 1989, no Alasca, são atribuídos, em boa parte, a erros cometidos por funcionários extremamente cansados que trabalhavam durante a noite e em turnos prolongados. Trabalhadores noturnos também correm maior risco de bater o carro enquanto dirigem na volta do emprego para casa. Tudo isso por conta do horário antinatural que têm de enfrentar. Dia = alerta; noite = sono, lembra? Mas não são poucos os que ganham o pão à noite. Estima-se que um quarto da população economicamente ativa trabalhe em períodos que fogem aos padrões, e que dois terços desses profissionais tenham problemas relacionados ao sono. Imagine a rotina de um DJ, por exemplo, que “pega” no serviço às duas da madrugada e “larga” às 6h? Nem mesmo uma boa canção de ninar vai fazer com que ele tenha um sono pleno e reparador...
Os adolescentes são outra “população de risco”. Por conta do turbilhão hormonal característico da fase eles tendem a dormir mais tarde (entre meia-noite e 4h) que os adultos e por mais tempo. Precisam, na verdade, de um mínimo de nove horas de olhos fechados por noite. O problema é que o ritmo de um adolescente padrão vai de encontro à sua rotina de horários – a começar pela escola. Fazer o jovem cidadão acordar às 6h para assistir à aula às 7h, por exemplo, é praticamente pedir para que ele passe o dia sonolento e deixe de aprender como deveria. Há um total descompasso entre seu relógio biológico e os compromissos escolares. Uma pesquisa feita com mais de 1600 “teenagers” (11-17 anos) americanos e divulgada este ano revelou que apenas 20% deles dormem as recomendáveis nove horas e quase a metade tem um sono de menos de oito horas durante a semana. Mais: 80% dos estudantes que dormem o suficiente tiram melhores notas do que os seus “bocejantes” colegas. Alô, Ministério da Educação?!
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