| |
Você diz, mesmo assim, ter tido uma experiência positiva no trabalho com a Organização de Auxílio Fraterno. Isso era bacana. Eu tenho conhecidos, amigos, que são padres da igreja progressista, mas sempre achei meio esquisito. Não acredito muito que eles acreditem naquela coisa da Igreja, nos dogmas. Mas esse padre André, canadense, levava a gente para dar cobertor e sopa para mendigos ali na Estação da Luz. Lembro de chegar lá e os mendigos ficarem assustados. A gente ia chegando como se fosse se aproximando de índios. Esse padre era legal. Lembro que quando chegou lá só falava francês, e a gente achava legal porque ele jogava vôlei junto com os alunos. Eu comecei a ensinar português para ele. Tinha a manchete no vôlei, e eu dizia “ô, a punheta, padre, bonita a punheta” [risos]. Eu ensinei português para o padre e ele me ensinou a ver os mendigos na Estação da Luz. Mas hoje não tenho religião nenhuma, não gosto de religião.
Atualmente acha que falta romantismo nos relacionamentos? O beijo e o sexo ficaram fáceis demais, perderam o valor da conquista, como você disse uma vez? Isso já existia. No pós-pílula, anos 60 e tantos, já era assim. Eu não peguei isso na minha formação sexual, e é uma pena, gostaria muito de estar me formando sexualmente agora [risos]. Naquela época, as primeiras experiências sexuais já eram mais tardias do que hoje porque você tinha menos informação. Hoje, um garoto de dez anos está sabendo o que um garoto de 15 daquela época não sabia. E a formação sexual se dava com prostitutas ou com empregadas domésticas, que faziam um pouco prostituição também. No meu caso foi isso, minha primeira mulher era uma empregada que dava... ela não dava, cobrava, baratinho até. Era a empregada de um amigo da turma, que tinha essas liberalidades. A gente sabia, e tinha aquela fila [risos]. E depois, as prostitutas e tal. Namoro não chegava às vias de fato. Eu tive várias namoradas com quem rolava uma forma qualquer de sexo, mas incompleto. Já depois, nos anos 60, eu já com 20 anos, começou uma certa liberação. Então, que bom que a questão é mais aberta, menos traumática, menos hipócrita. O que me preocupa é que às vezes parece que há um certo enfado, que não existe mais a vibração que existia pela própria facilidade com que as coisas são obtidas. Pode ser. Mas pode ser impressão minha.
Você já tomou Viagra? Eu sou contra essa coisa de dependência, tenho medo disso. Não sou contra Viagra, não, porque provavelmente eu vá ter de recorrer a ele. O que eu acho um pouco preocupante é esta idéia de ter um Viagra sempre à mão para facilitar as coisas. E tem gente nova que toma por medo de fracassar. Isso pode se tornar um problema, você vai precisar de Viagra para ficar de pau duro sempre. Pode até fazer uma experiência, mas criar mais essa dependência... queria não. Não sei, estou falando isso hoje, amanhã pode ser diferente.
Você já brochou? Claro que já. Todo mundo já brochou, menos o Ziraldo [risos]. Ele diz que nunca brochou. Isso faz tempo. As pessoas falam muitas coisas. Tem outro que falou que teve mil mulheres. Eu digo: “Bom, mas, então, não foi bom nunca, para comer mil”. O cara não é velho, tem vinte e poucos anos, e comeu mil. Mesmo que tenha comido uma por dia... Não acho uma vantagem comer mil mulheres.
Você já foi cantado por homens? Já fui cantado por homens. Não foi adiante [risos]. Eu achei graça até. Era garoto, recebi uma proposta mirabolante. Achei engraçado. Quando eu era garoto talvez achassem que eu pudesse ser veado, eu era um menino atraente. Mas nunca fui veado, não. Pensando bem, já faz muito tempo que não tem um homem que me faz uma cantada.
|