Entrevistar o chef Alex Atala naquilo que a física chama de CNTP, condições normais de temperatura e pressão , é tarefa impossível . Ou quase , já que as " condições normais " deste paulistano nascido na Mooca e criado na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo , significam invariavelmente alta temperatura e enorme pressão . E bota temperatura e pressão nisso.
Alex não pára. Em São Paulo, de segunda a sábado , das nove às duas da manhã , se dedica ao D.O.M., seu premiado restaurante nos Jardins . Tem também um programa semanal no canal a cabo GNT. Se não está na cidade , provavelmente está na Europa, convidado para alguma importante mostra de gastronomia . Pode também estar na Amazônia, em sua insaciável busca por novos sabores , ingredientes e técnicas culinárias . Por isso , sempre que pode, cronometra o tempo livre entre a família (a mulher , Marcia, e os filhos Pedro, Tomás e Joana) e os pratos . Sim , Alex adora quebrar pratos . Faz isso aos domingos , com uma espingarda calibre 12. "O tiro ao prato é uma maneira de ficar perto de uma das minhas paixões , a caça ."
Alex adora caçar. Pode ser na África, no Canadá, na Argentina ou na Ilha da Queimada Grande, no litoral paulista. Fanático por caça submarina, quando tem tempo prefere buscar a própria comida embaixo d'água. Ex-punk, com cerca de 20 tatuagens pelo corpo ("nunca contei"), é um cara de muita atitude, como se verá. Esta entrevista, que começou no D.O.M., depois de um striptease do protagonista, prosseguiu dentro do carro e terminou na casa de Alex. O celular tocou "apenas" 22 vezes. CNTP.
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