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O poderoso chefinho
 

A Inglaterra nunca foi sinônimo de boa gastronomia, e ser chef de cozinha nunca foi a profissão desejada por jovens descolados até Jamie Oliver aparecer em cena. Por cena lê-se seu programa de TV visto em mais de 50 países, seus livros traduzidos em 23 línguas, seu trabalho com jovens carentes, seu encontro com a rainha... Conheça o garoto do interior que mudou a maneira como encaramos o primário ato de comer

Por Giuliano Cedroni, de Londres

 

"Ele é um cara bacana, gente fina, na dele", diz Pete McBrien enquanto dirige seu Austin, um daqueles táxis antigos, negros, elegantes e que só existem na capital inglesa. Enquanto me escolta do aeroporto para a cidade, Pete conta que já o levara algumas vezes cidade adentro, ele e sua bela esposa, Jolls. "É um cara que cozinha para os amigos com alegria...", completa o motorista. "Um cara legal com um emprego legal."

Enquanto me delicio com a arquitetura de Londres fico pensando no que Pete diz sobre seu conterrâneo Jamie Oliver, o jovem chef inglês que revolucionou a maneira de ensinar a arte de cozinhar na televisão. Lembro de, quando garoto, assistir a programas vespertinos de culinária na TV brasileira. Era deprimente. A coisa toda era feita por gente obesa - nada contra -, lenta e desinteressante - tudo contra -, o antagonismo exato dos programas de Jamie, a começar pela primeira série intitulada The Naked Chef. Se ele é um cara tão bacana, pensei, por que ainda não confirmou a entrevista requisitada com mais de mês de antecedência pela Trip?

Sem agenda
"Ele tem a agenda fechada para os próximos três meses", dizia a figura da agência de celebridades que cuida dos compromissos de Oliver. Sim, porque se na Inglaterra Jamie é tido como herói fora é uma celebridade internacional, caso raro na gastronomia. Seus oito livros já foram traduzidos em 23 línguas e, juntos, já venderam mais de 10 milhões de exemplares (no Brasil apenas dois foram traduzidos), e sua série de TV, atualmente na 7ª temporada, é assistida em mais de 50 países, o que prova que culinária é uma linguagem universal (no Brasil a GNT e a Discovery dividem o chef pop star em sua programação, e a série pode ainda ser vista em quatro DVDs disponíveis no mercado). E pensar que a era "Jamie, o pop star" começou de um acaso...

Jamie Oliver nasceu e cresceu em Clavering, pequena vila em Essex, leste da Inglaterra, distante 130 quilômetros de Londres. Seu pai era dono do Crickters, um pub onde o pequeno Jamie achou que a cozinha era o lugar mais animado para estar. "Pentelhava os cozinheiros perguntando sobre tudo, até que eles me colocaram para descascar batatas", conta ele não em entrevista para a Trip mas para o The New York Times. "Eu tinha 7 anos", lembra. Das batatas passou a ajudar nos pratos até que foi estudar a arte da cozinha aos 16. Após os estudos ganhou uma temporada na França, quando bebeu da fonte da famosa culinária local, para finalmente aportar em Londres. Dizem que trabalhar para pai não é trabalho, assim, o primeiro emprego de Jamie foi no The Neal Street Restaurant, onde conheceu Gennaro Contaldo, italiano que lhe ensinou os segredos de assar melhor o pão e preparar a massa fresca todas as manhãs. Mas o acaso aconteceu mesmo quando já trabalhava de assistente de chef no badalado River Café. Um de seus colegas ficou doente e ligou para Jamie pedindo que cobrisse aquele shift. Nesse dia, uma equipe da BBC Documentary entrou pela cozinha gravando uma peça sobre o lugar. Jamie-ainda-Zé-Ninguém-Trevor Oliver respondeu uma das perguntas, outra, e então dominou a cena por completo mostrando intimidade e dinamismo com a câmera. No dia seguinte em que o programa foi ao ar, cinco produtoras ligaram para o River atrás daquele assistente descolado, de sotaque forte, convidando-o para estrear um programa. "Eu achei que era sacanagem de meus amigos", conta Jamie em uma breve autobiografia em seu competente site (www.jamieoliver.com). Acabou fechando com um programa cujo objetivo era desmascarar a gastronomia e seus mistérios. O nome já dizia tudo: The Naked Chef.

 
 
 
   
 
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