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24 horas em digestão
Se somos o que comemos é bom saber o que exatamente existe por trás daquilo que degustamos. Aqui três mitos desmascarados
Por Filipe Luna
   
 
Comida santa_Vai bem com vinho

"Tomai, comei; isto é o meu corpo" (Mateus cap. 26, ver. 26). Quando Jesus proferiu essas palavras era fácil dividir o pão com apenas 12 seguidores. Hoje ele teria que ser ainda mais miraculoso para servir os 120 milhões de católicos só no Brasil. É boca demais até para o filho Dele. Para dar uma folguinha ao Salvador, os ritos mudaram e desde o século 12 que não se reparte mais pão durante as missas. A honra foi concedida à hóstia e o milagre de sua multiplicação hoje é industrial. "Evoluímos muito na produção e hoje temos vários tamanhos e texturas", diz Francisco Carneiro, dono da fábrica de hóstias São Francisco, de São Paulo. A fábrica vende cerca de 4 milhões de unidades por mês para todo o Brasil por 8 reais o milheiro (1000 unidades) - número que pula para 6 milhões na época da quaresma. Fazem de todos os tamanhos - até enormes, como esta da foto, para serem partidas pelo padre. Ironicamente, um dos alimentos mais consumidos no país não pode ser mastigado no momento de sua degustação, durante a comunhão. "E minha hóstia é uma delícia, não tem igual", gaba-se Francisco, que já pensou na secularização da redondinha. "Por um tempo vendemos para buffets algumas especiais, sabor pimenta, orégano e cebola, mas atrapalhava a produção. Pode ser que agora, com equipamentos mais novos, consigamos voltar a fazer."
   

 

 
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