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A carne é fraca?

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Por Celso Masson // fotos Caroline Bittencourt

É uma batalha sangrenta. De um lado estão vegetarianos, ambientalistas e militantes pelos Direitos dos animais. Do outro, pecuaristas, fãs de churrasco e gourmets onívoros. O que está em disputa é um pouco de tudo: dinheiro, saúde e até planos de salvar o planeta


Os dados a seguir podem ser mera curiosidade para você — mas têm levado muita gente a uma mudança de postura em relação ao consumo de carne. Vejamos:

1. O rebanho bovino no mundo todo cresceu cinco vezes em 50 anos e hoje soma 6 bilhões de cabeças. Há um boi para cada pessoa e todos serão abatidos um dia

2. A criação de gado é responsável pelo desmatamento de 93% da mata atlântica, 80% da caatinga, 50% do cerrado e 18% da Amazônia

3. Há 35 milhões de cabeças de gado na Amazônia, que tem 22 milhões de habitantes. Os bois pastam hoje onde ontem havia floresta

4. 70% das emissões de metano no Brasil são provocadas pelo processo digestivo dos ruminantes

5. Quem come acima de 160 gramas de carne vermelha por dia têm 35% mais risco de desenvolver câncer de intestino em comparação com quem ingere apenas uma porção por semana

(Fontes: Instituto Nina Rosa, Food and Agriculture Organization, Embrapa e National Cancer Institute)

Quantas pessoas abandonam a carne por algum dos motivos acima? Poucas, ao que parece. Em 2003, apenas 4% dos norte-americanos declararam-se vegetarianos em uma pesquisa feita com 11 mil pessoas pela rede CNN. Os verdadeiramente vegans, que não consomem nenhum produto de origem animal, somavam apenas 0,2%. Para os que abandonam a carne, pesa primeiro a questão da saúde (apontada por 32% dos “vegês”), o respeito pelos animais (21%) ou a preocupação com o ambiente (4%). É interessante que a principal razão apontada, a saúde, seja hoje a mais questionada do ponto de vista médico. Drauzio Varela, em sua coluna na Folha de S.Paulo, afirmou que “Até hoje a ciência não conseguiu provar que dietas ricas em gordura animal provoquem ataque cardíaco ou encurtem a duração da vida”.

Quarenta mil anos atrás, antes que houvesse agricultura, o homem comia o que caçava, pescava ou coletava. O pastoreio foi fundamental para a civilização. Hoje, a indústria da carne traz embutida uma questão ambiental alarmante devido aos recursos naturais que consome. Os métodos de engorda e abate despertam justificados sentimentos de compaixão — e há vaca louca, febre aftosa, gripe aviária. Mas a agricultura de larga escala, que usa pesticidas e fertilizantes em abundância, também não é um mar de rosas.

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