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Uma autêntica operação resgate do serviço secreto havia sido montada pela equipe da Trip. O time estava de prontidão de manhã no momento em que o tão esperado Lagocephalus laevigatus foi retirado do aquário em Santos, na Náutica Pato & Márcia. O peixe continuava vivo até chegar às mãos do sushiman Hideki, na rua dos Pinheiros, em São Paulo, às 14h30 de uma tarde quente no mês de março.
O peixe continuava vivo, repito. Já eu estava prestes a colocar meu pescocinho em risco. A revista queria que eu degustasse o animalzinho nadador, famoso por seu veneno, que pode matar quem o devora em até 20 minutos (leia aqui Um rango de morrer). O bom funcionamento de meu esbelto corpo dependia portanto de Hideki, e de sua sabedoria e habilidade adquiridas em décadas de culinária nipônica, tanto no Brasil quanto no Japão. Na Terra do Sol Nascente, o peixe-perigo é conhecido como fugu; no Brasil, o bichano atende por “baiacu”. Em Tóquio, para preparar o belicoso nadador é preciso fazer um curso específico e tirar um certificado. Retirar a toxina e o veneno é tarefa de alquimista, pois é fundamental deixar uma pitadinha mínima para o gourmet sentir adormecimento na língua e uma onda diferente.
Hideki parece personagem de cartoon. Tudo nele – chapéu, roupa, sorriso e um cavanhaque estilo muçulmano light da Indonésia – deixa qualquer pessoa no maior relaxamento. Foi assim, com muita perícia, que o homem usou suas facas e destrinchou o pequeno baiacu, retirando as vísceras e a toxina que é produzida nas gônadas e em outros tecidos. Enquanto isso, o sangue espirava do baiacu. A iguaria é fatiada com precisão cirúrgica e filetes são colocados em uma tigela com gelo. É uma obra de arte.
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