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Bóia Fria
Marta Junqueira assume a casaca de chef a -15o C: comida como ferramenta de escalada
A escolha equivocada do cardápio estragou a escalada de um dos maiores picos do mundo. Para se vingar, o mesmo grupo voltou ao Aconcágua com guloseimas como Nutella e champanhe Moët & Chandon. Um brinde à comida saborosa e inteligente, a 7000 metros de altura

POR CELSO MASSON


A primeira vez foi frustrante. A segunda, deliciosa. O que fez diferença? A comida. Em dezembro de 2002, o advogado e nadador paulistano Fábio Mercadante Mortari era um neófito em alpinismo quando tentou subir na raça a trilha que leva até o cume do Aconcágua, o pico argentino de 6962 metros. Com ele seguiam apenas uma amiga, Marta Barreto Junqueira, e um guia. Antes de embarcar para Mendoza, onde começa a jornada rumo ao “teto das Américas”, Fábio havia listado os percalços que a altitude imporia. Frio, cansaço, estresse e risco de mau tempo (mesmo no verão, a temperatura à noite pode cair para  -30ºC) seriam os inimigos. A comida, a cargo do guia, não parecia problema. Mas virou um pesadelo.

Em meio a um sofrido desarranjo intestinal, Fábio ouviu o médico do acampamento-base recomendar que voltasse para casa. Agradeceu o conselho – e continuou na expedição. “Imagine o desconforto que é ficar evacuando a toda hora. Ali não tem lugar para higiene, você não pode nem sentar na privada e fechar a porta”, recorda, desculpando-se pela descrição escatológica. “Para controlar minha diarréia, fiz um regime de três dias à base de bolacha e água, a cinco dólares a garrafinha, e me entupi de remédios.”

O trio continuou subindo e chegou até 6000 metros. No finalzinho, desistiram porque o guia também passou mal. Era 5 de janeiro de 2003. Fábio e Marta voltaram para Mendoza pensando na segunda tentativa de subir a montanha. A dieta, desta vez, teria de ser encarada como prioridade absoluta.


 
 

Marcello Chiasso ergue uma Möet & Chandon para brindar o ano-novo

 
 
   
 
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