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O barulho ensurdecedor do sinal é capaz de causar arrepios e pesadelos até em quem se dava bem na escola. Entre uma aula e outra, geralmente de 50 minutos, a campainha toca e os estudantes têm que parar o que fazem e se preparar para a próxima disciplina. Entra biologia, sai matemática, entra língua portuguesa, sai física. Uma a uma, são engolidas as cápsulas de 50 minutos de conteúdo. Mas, fora dali, quando o coração palpita ao som da música eletrônica, ou a descarga de hormônios arrepia o corpo na primeira experiência sexual, certamente não há somente física, química ou matemática envolvidas. No cotidiano, o conhecimento não aparece em fragmentos ou disciplinas – todas as disciplinas estão em todas as coisas. O tempo todo.
O educador, escritor e psicanalista Rubem Alves é fruto de uma escola na qual não se sentia acolhido – atribui à rigidez da grade curricular sua insatisfação. Abriu publicamente que foi um mau aluno, que é um típico exemplo de “sucesso na vida, fracasso na escola”. Até por conta disso, se tornou um dos poucos sonhadores que se esforçam para que suas idéias ganhem força na educação do país.
Hoje, aos 72 anos, Rubem encontra alternativas à rigidez do currículo em fatos inusitados do dia-a-dia, como a construção de uma casa, a estrutura de uma cebola e até mesmo o cocô que despejamos na privada. O conhecimento, para ele, está por todos os lados.
Algumas dessas idéias já são parte de um livro cujos originais foram entregues à Editora Planeta, mas não há previsão de lançamento. Rubem as adiantou com exclusividade num bate-papo com a Trip. |