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Conheça os três indicados ao Prêmio Trip Transformadores na categoria Trabalho. Brasileiros que pautam sua vida na construção de valores do trabalho como agente do prazer e do crescimento humanos
JORGE GERDAU
Um legítimo empresário do Brasil, ele alçou uma pequena siderúrgica do sul a superpotência internacional do aço



Um dos ministeriáveis mais comentados na imprensa para a segunda rodada do governo Lula, Jorge Gerdau Johannpeter terminou não aceitando a pasta do Desenvolvimento oferecida pelo presidente. Mas o capo do Conselho de Administração do Grupo Gerdau não precisa de ministério algum para dar sua cota de serviço ao país. Um dos mais admirados e conhecidos nomes do empresariado nacional, é ele o principal articulador da “conspiração” que tem levado o consultor Vicente Falconi aos quatro cantos do Brasil. “Sou um vendedor da idéia de espalhar a boa gestão (leia-se, práticas empresariais) para o governo”, disse recentemente à revista Exame. Sua pregação nesse sentido não é de hoje. Há vários anos Gerdau lidera a Associação Qualidade RS, dedicada a levar eficiência a instituições públicas e privadas, e é coordenador-geral da Ação Empresarial Brasileira – que busca saídas econômicas para o país. Esta atuação política é hoje o centro de suas atenções. Em janeiro deste ano, deixou o cargo de presidente do grupo familiar que ocupava desde 1983 – agora nas mãos de seu filho André Gerdau Johannpeter – para assumir o Conselho.

Aos 70 anos de idade (completa 71 em dezembro), esse gaúcho-alemão – mas nascido no Rio de Janeiro – já fez muito em alçar a siderúrgica adquirida em Porto Alegre por seu pai, Curt Johannpeter, ao posto de 14º maior grupo siderúrgico mundial. Nascida nos primeiros anos do século passado, a empresa emprega hoje cerca de 32 mil funcionários em dez países – Canadá, EUA, Espanha, Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e México – e faturou, em 2006, R$ 27,5 bilhões.  Aos 14 anos, nas férias escolares, Gerdau já trabalhava na fábrica de pregos então comandada por seu pai, antes da compra da siderúrgica. Estudou contabilidade à noite e, com pouco mais de 20 anos, participava ativamente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul. Sempre pensando muito à frente de sua época, na década de 1960 iniciou a expansão da Gerdau para além das fronteiras gaúchas. Ganhar o mundo, mais tarde, foi uma conseqüência.

Como ninguém é de ferro, mesmo o homem do aço tem também suas diversões. Nos anos 50, Gerdau foi um dos pioneiros do surf no sul do país e pratica hipismo desde criança. É também grande investidor em arte e um dos principais financiadores da Fundação Iberê Camargo, responsável pela criação do museu do artista em Porto Alegre.

SÍLVIO MEIRA
Desorganizando o eixo da tecnologia nacional, ele organizou no Recife o C.E.S.A.R, maior centro tecnológico do Norte/Nordeste

 

Se o futuro tem uma comissão de frente no Brasil, certamente o paraibano Sílvio Meira, de 52 anos, é o porta-bandeira. Não por conta de seus dotes de batuqueiro de maracatu, desses que não perdem um Carnaval em Olinda. Formado em engenharia eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), mestre em informática pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Ph.D em computação pela University of Kent, na Inglaterra, Meira é uma das personalidades mais importantes das ciências da informação no país. Acredita no investimento em gente e em correr riscos para reunir tecnologias e mercados emergentes em novos negócios.

A própria presidência da República já reconheceu a dívida nacional para com este sertanejo de Taperoá, no Cariri paraibano, conferindo-lhe as comendas da ordem do mérito científico e da ordem do Rio Branco. Nos anos 80, Meira integrou o grupo de professores que transformou o antigo bairro portuário do Recife em um dos principais pólos de alta tecnologia do Brasil. Lá se formaram profissionais altamente qualificados, que, a convite de empresas de aquém e d’além mar, deixaram o Estado para aventurar-se em plagas distantes.

Preocupados com a debandada, Meira e colegas resolveram criar atrativos para conservar a prata na casa. Fundaram, em 1996, a ONG Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, C.E.S.A.R, a fim de gerar oportunidades de trabalho e estimular o empreendedorismo no pólo. O C.E.S.A.R tornou-se a maior fábrica de software do Norte e Nordeste e é uma das poucas empresas de TI nativas detentoras do certificado Capability Maturity Model nível 2 (CMM2), que distingue os melhores fornecedores internacionais da área.

Autor de centenas de artigos científicos e textos de reflexão sobre tecnologia e sociedade, a carreira de Meira é intensiva. Entre outras atividades, foi pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por 15 anos, presidente da Sociedade Brasileira de Computação, consultor do Banco Mundial e do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas –, além de um dos três cientistas criadores da ferramenta de busca radix.

Tudo isso encontrando tempo para escrever colunas na imprensa, manter um site e um blog e orientar dezenas de teses na UFPE. Atualmente, é professor titular da universidade, cientista-chefe do C.E.S.A.R e preside diversos conselhos de empresas e instituições públicas. Suas pales­tras são futuristas. Anos atrás já apostava na união da biotecnologia com a informática e usava expressões como “informatização dos corpos”.

VICENTE FALCONI
Pensou trabalho, pensou nele: ele é Ph.D. no assunto. Lula e alguns dos principais empresários do país que o diga

 

Considerado atualmente o guru da gestão de negócios no país, o consultor mineiro Vicente Falconi Campos, de 66 anos, é um homem que realmente faz diferença para o Brasil. Ele vem realizando uma cruzada pela adoção de práticas empresariais na esfera pública, ao lado do amigo e empresário Jorge Gerdau. Juntos, o presidente do Conselho de Administração da siderúrgica Gerdau (como você já viu em seu perfil) e Falconi têm visitado políticos de Brasília e de vários Estados, alimentando a “conspiração positiva” que, como disse o consultor à revista Exame, vem dando crescente projeção às suas idéias. O presidente Lula e diversos governadores já receberam a dupla. No Rio de Janeiro, Sérgio Cabral acaba de contratar a empresa de Falconi – Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) – para cortar R$ 1,5 bilhão das despesas estaduais nos próximos 18 meses. O IDNG também prossegue neste ano com seu choque de gestão em Minas Gerais, depois de estancar um déficit de R$ 2,4 bilhões nas contas do Estado em 2006. O governo do Rio Grande de Sul é outro que já solicitou os préstimos de Falconi, Pernambuco está na fila e a prefeitura paulista figura entre os clientes do INDG desde 2004.

Ph.D. em engenharia metalúrgica e com seis livros publicados que já venderam mais de 1 milhão de exemplares, o consultor é o único latino-americano incluído na seleta lista das “21 vozes do Século 21” elaborada pela American Society for Quality. Foi exatamente ao trazer para o Brasil o revolucionário princípio da Qualidade Total, nos anos 1970, depois de várias visitas de estudos ao Japão, que Falconi estreou em consultoria em Belo Horizonte. Como Qualidade Total era então um conceito inteiramente novo, logo seu escritório conquistou grandes clientes como Gerdau, Sadia e Votorantim. Hoje, o INDG conta com 800 consultores, cerca de 250 alocados em projetos de empresas nacionais fora do país, e fatura em torno de R$ 130 milhões anuais. No âmbito federal, a empresa fez um diagnóstico da Previdência Social a pedido do presidente Lula e já tem atuado no sistema. É de Falconi a tese de que o INSS deve ser visto como um banco onde entram e saem bilhões de reais por ano. Algumas medidas recomendadas por sua equipe já foram adotadas, mas uma ampla reestruturação ainda não veio. Se ela acontecer e atacar a sonegação, Falconi calcula que a Previdência Social poderá gerar, em vez de um rombo anual de quase R$ 40 bilhões, um lucro de R$ 17 bilhões.

 

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