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| Nesta página você vai conhecer os indicados ao Prêmio Trip Transformadores na categoria Sono. Brasileiros que dedicam suas vidas a entender e difundir a importância do sono para a existência humana. |
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Ao longo dos anos 70, ele estudou medicina na Santa Casa de São Paulo, concluiu um mestrado em fisiologia e um doutorado em psicofarmacologia. Hoje, aos 59 anos, Sergio Tufik responde como vice-reitor do departamento de Medicina e Biologia do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordena o Centro de Estudos do Sono (o Instituto do Sono), além de atuar como membro da Sociedade Brasileira do Sono, da Associação Americana da Medicina do Sono e da Sociedade Européia de Estudos do Sono, entre outras entidades internacionais, para, ao lado de especialistas, tentar decifrar a relação que existe entre o sono e a qualidade de vida da população.
Sergio viveu grande parte da sua adolescência sonhando com a carreira de engenheiro, mas, depois que perdeu um primo ainda jovem, vítima de câncer, ele decidiu deixar de lado os cálculos para se envolver com a medicina. No final dos anos 60, ele conheceu de perto os meandros da neurocibernética e passou a se interessar pela influência dos computadores na composição física e mental das pessoas. Foi, assim, um dos primeiros pesquisadores brasileiros a classificar a origem da eletricidade, junto com o aparelho televisor, como um dos adventos que mais contribuíram para o prejuízo da humanidade.
Logo enveredou para os estudos em torno da privação do sono e do uso de anfetaminas, origens da insônia, ronco, sonambulismo e até do pesadelo. “A primeira classificação de distúrbio do sono foi em 1979. Só na década de 80 é que se discutiu o sono de fato. Aqui no Brasil, isso só começou nos anos 90”, salienta. As passagens de Sergio Tufik pela Comissão de Saúde do Adolescente, da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, pela Comissão de Assuntos de Medicamentos do Ministério da Saúde e até um exercício como vereador pelo PT durante a década de 80 ajudaram a conscientizar a população sobre a importância de uma noite bem-dormida.
Como coordenador do Instituto do Sono, em São Paulo, considerado o segundo maior do mundo, Sergio conseguiu ampliar a base do seu trabalho. “Os distúrbios mais comuns são a insônia, na mulher, e o ronco, no homem. Para se ter uma idéia, 40% dos homens roncam”, revela. Ele ainda conduziu um importante estudo que concluiu: as pessoas que roncam muito geralmente não passam dos 70 anos. Em outro levantamento conseguiu detectar que 32% das mulheres têm insônia.
Seu trabalho tem servido também para derrubar preconceitos. “A pessoa sonolenta é sempre vista como vagabunda. O que é uma tremenda besteira. Temos pessoas matutinas e vespertinas na sociedade, que, muitas vezes, não estão adaptadas.” Entre os projetos mais recentes, ele tentou mostrar que o horário de entrada na escola é inadequado. “Deveria ser às 9 horas, não às 7h30. Já fui a vários colégios discutir por que isso prejudica o aprendizado das crianças. O adolescente que perde o sono prejudica seu próprio crescimento e o seu desenvolvimento hormonal.” Recentemente, Tufik chegou à conclusão de que dez dias de privação de sono podem ser fatais. Se formos privados da fase dos sonhos, não passamos de 20 dias. Isso vem provar que o sono é tão importante quanto nossos sonhos. No caso do médico, tudo isso se mistura – seja acordado, seja dormindo.
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Dizem que o sonho nada mais é que uma seqüência de idéias às quais o espírito se entrega. Dizem também que Sidarta Tollendal Gomes Ribeiro, 35, se entrega de corpo e alma às suas idéias. Um tanto por isso que Trip escolheu Sidarta para ser seu editor-convidado e Páginas Negras deste número. Mas também por sua pesquisa inovadora no campo da consolidação da memória durante o sono é que ele foi escolhido para integrar o trio de indicados do Prêmio Trip Transformadores 2007.
PILOTO DE CAPOEIRA
Filho de pai e mãe taquígrafos do Congresso
Nacional, o jovem Sidarta trocou a Brasília natal por Nova York para mergulhar de cabeça na neurociência, logo depois de concluir o mestrado em biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O biólogo foi atraído desde cedo pelos segredos da mente, pelos estudos relacionados ao sono e aos sonhos. E tinha muitos sonhos para realizar. De Nova York, seguiu para Durham, na Carolina do Norte, e ingressou na Universidade Duke, onde seria braço direito do paulistano Miguel Nicolelis em seu laboratório de ponta. Em menos de cinco anos, Sidarta provou que a memória grava tudo que aprendemos acordados – enquanto dormimos. Com as principais revistas científicas publicando sua pesquisa, o brasiliense realizou o sonho de desbravar um caminho novo dentro da neurociência. Outra linha de pesquisa do “Piloto” – como é chamado nas rodas de capoeira, por causa dos óculos largos que usa preso à cabeça – estuda as relações entre esquizofrenia e mal de Parkinson, demonstrando que os níveis de dopamina presentes no cérebro alteram o sono e produzem quadros neurológicos semelhantes aos apresentados pelas pessoas que sofrem de ambos os males.
De volta ao Brasil, ao lado de Nicolelis e de Cláudio Mello, Sidarta concebeu o primeiro instituto de neurobiologia brasileiro, inaugurado em fevereiro deste ano: o Instituto Internacional de Neurociência de Natal (RN). Entre os objetivos do NatalNeuro, hoje dirigido pelo brasiliense, estão a consolidação do estudo da aprendizagem durante o sono, dos sonhos lúcidos, de males como Parkinson e Alzheimer, da integração da comunidade local ao instituto (que também conta com hospital e escola), além de provar que a ciência pode ser o catalisador econômico de uma cidade distante do eixo Rio–SP. Não é um sonho surrealista.
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NUNO COBRA
Professor de educação física e
preparador de atletas como
Ayrton Senna,ele desenvolveu
um método de ginástica totalmente
apoiado na importâcia do sono
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Na infância, Nuno Cobra Ribeiro era um franzino artista de circo em São José do Rio Pardo (SP). Prestes a completar 69 anos, o filho de um comerciante e de uma professora ganhou corpo e conquistou um séquito de seguidores admirados pelo físico que ele adquiriu através da ginástica natural – que ele começou a praticar ainda nos anos 40 – e pela mente apurada que desenvolveu praticamente sozinho e que passou a levar para palestras e livros, misturando conceitos da psicologia moderna e sua própria reflexão sobre qualidade de vida.
Preparador de atletas famosos como os pilotos Ayrton Senna, Mika Hakkinen, Rubens Barrichello, Gil de Ferran, Christian Fittipaldi, além do tenista Jaime Oncins e de empresários como Abílio Diniz, Sergio Machline e André Lara Rezende, Nuno também assumiu o cargo de professor na Universidade de São Paulo, encarando os profissionais mais ortodoxos da área. Formado em educação física pela Universidade Federal de São Carlos, com pós-graduação pela USP, defende o aprimoramento físico como forma de alcançar o aprimoramento mental. “Quando a pessoa se desenvolve como um todo a partir do corpo, ganha uma nova estrutura; isso gera auto-estima e consciência de sua capacidade de conquista, amplia suas possibilidades de realização. A partir daí, cria também uma modelagem mental de sucesso”, dispara.
ACORDE SOZINHO
No livro A Semente da Vitória (Senac), algumas práticas comuns, como o levantamento de peso, são logo abolidas por Nuno. “A malhação em academias é uma coisa automática, as pessoas não pensam no que estão fazendo, o cérebro não participa daquele desenvolvimento. Temos que ter em mente que a atividade física não é castigo, e sim saúde, por isso não costumo usar equipamentos eletrônicos, dando preferência a caminhadas, corridas e outras atividades mais naturais”, emenda. Conhecido pela sua simpatia e simplicidade, Nuno mostra também a visão inversa do casamento entre corpo e mente. Em seu método, a pessoa tem a oportunidade de descobrir onde está escondida a própria força e ser capaz de realizar transformações. E ele tem servido de exemplo. De adolescente magro, inseguro e medroso (como Nuno se define), conseguiu aos poucos mudar todo o funcionamento de seu corpo através da meditação.
Observando o movimento ao redor, criou dez mandamentos para uma vida saudável. Entre eles, dormir ao menos oito horas por noite e tentar acordar sem despertador, “uma agressão ao organismo”, para ele. Além disso, orienta bocejar e espreguiçar em situações de stress – e fazermos elogios com freqüência. “Essa tática funciona como ímã: faz com que todos queiram estar ao seu lado”, diz. Seu celebrado trabalho “de dentro pra fora” tem feito sucesso. “Primeiro procuramos melhorar a eficiência do coração para que possa atender bem a todas as outras partes do corpo. Damos muita atenção a coisas como sono, alimentação e respiração. A maior parte das pessoas respira muito errado. Desse modo, elas perdem sua vitalidade.” Nuno rejeita o título de terapeuta holístico, palestrante motivacional e não gosta de ser chamado de personal trainer: “Não estou lá para segurar as pernas da pessoa enquanto faz abdominal. Planto semente, mostro o caminho e as pessoas se encarregam do seu desenvolvimento; sou somente um estimulador”. É no método Cobra, que reúne sono, alimentação, atividade física, relaxamento e meditação, que as pessoas têm encontrado chances para a cura e uma vida mais feliz e saudável.
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“O mundo se encanta com as cantigas que nos fazem sonhar”, se referiu o escritor baiano Jorge Amado às canções de Dorival Caymmi, conhecido por cantar a malemolência do homem de sua terra e os sonhos dos pescadores. Antes de Bill Gates, ele já entendia a importância da rede. Mas a pachorra retratada nas letras de Caymmi não termina necessariamente com uma boa espreguiçada ou bocejo. A malemolência de Caymmi é também sinônimo de malícia, destreza. São o molejo do baiano, o gingado e a poesia de “A Jangada Voltou Só” e “É Doce Morrer no Mar” que entram no ouvido e despertam um novo sentido para a rotina. O tempo é rei, meu rei. Nascido em Salvador, no dia 30 de abril de 1914, Dorival Caymmi acumulou alguns prêmios dentro e fora do Brasil, como o da Ordem do Rio Branco e da Ordem do Mérito do Estado da Bahia, e a Comenada das Artes e Letras da França. Caymmi também virou enredo de escola de samba – a Mangueira conquistou o primeiro lugar no Carnaval de 1986 homenageando o compositor baiano – e recebeu um Prêmio Shell de MPB aos 70 anos, além de títulos não menos importantes como doutor honoris causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o eterno reconhecimento nacional pelas composições de “Gabriela, cravo e canela”, cantada por Gal Costa para a novela da Rede Globo, de “O que é que a baiana tem?”, imortalizada na voz de Carmem Miranda, entre outras canções que ainda nos fazem sonhar.
Suas parcerias com Gilberto Gil, Lamartine Babo, Tom Jobim e Vinícius de Moraes entraram para a história. Hoje Caymmi tem gravado de músicas o tanto que tem de idade – mas tudo o que mais quer é sua rede para balançar. Começou vendendo jornal nas praças aos 15 anos de idade, passou a desenhista de uma agência de publicidade aos 20, teve uma praça na praia de Itapoã e uma avenida em Salvador inauguradas com seu nome aos 40 e tornou-se obá do Axé Opó Afonjá – um dos mais tradicionais terreiros de candomblé brasileiros –, depois de voltar de uma rápida passagem pelo exterior, onde é conhecido por “Kai-eeme”. Dorival nos legou ainda os filhos Nana, Dori e Danilo, também cantores e compositores. Sempre buscando o sossego aos pés de um coqueiro, mostra sem pressa que os sonhos podem parecer imprecisos, mas são indispensáveis – pelo menos uma vez por dia.
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