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Nessa página você vai conhecer os três indicados ao Prêmio Trip Transformadores na categoria liberdade. Brasileiros que dedicaram suas vidas ao exercício e à defesa da liberdade . Intelectual,física,da expressão: liberdade em todas as suas formas e sentidos
FERNANDO GABEIRA
Liberdade para transitar da resistência armada à luta anticorrupção, passando pela defesa dos direitos das minorias



“Feliz do país que tem um Gabeira”, afirmou o jornalista Elio Gaspari quando, em 2003, o colega de profissão e deputado cruzou a porta de saída do PT pisando duro. Assim Fernando Gabeira marcava sua discordância da política ambiental do governo Lula, somando outra atitude decidida à sua biografia de luta contra o establishment em todas as frentes. Como nenhum outro militante da esquerda brasileira, Gabeira uniu os ideais da luta contra a ditadura aos sonhos da geração da Era de Aquário. Ele mesmo um aquariano – nascido há 65 anos em Minas Gerais, mas carioca por opção desde a juventude –, em 1979, depois de despachado do país por dez anos pelo regime militar, ajustou a tanga do biquíni da prima Leda Nagle aos quadris magérrimos e foi à praia de Ipanema. A falta de calção na bagagem de anistiado redundou na foto famosa, que incorporava ao ex-guerrilheiro a aura de revolucionário pop e bissexual – esta última, jamais confirmada por ele.

Política anticonvencional
Com seus indefectíveis oclinhos redondos, o Gabeira que ressurgiu de tanga no país logo se tornou figura de vanguarda. Seu livro O que É Isso, Companheiro? , lançado na época, virou referência da história do movimento armado, que lhe custou, além do exílio, pedaços de fígado, rins e estômago nos porões da ditadura. Ao longo dos anos 1980 e até agora, Gabeira fez-se pacifista e defensor das minorias, articulou a criação do Partido Verde e manteve intensa atividade de escritor e jornalista. Escreveu mais de uma dezena de livros e realizou reportagens cruciais, como as que investigaram o assassinato do ambientalista Chico Mendes e o acidente radioativo com o Césio 137 em Goiânia. Rigoroso na crítica e radical nas convicções, concorreu pelo PV ao governo carioca e à presidência da República, foi três vezes eleito deputado federal e marcou posições em defesa da legalização da prostituição e da maconha, da união civil gay e dos direitos dos índios. Depois de dois anos no PT, sinalizou que não voltaria à política convencional e à “caretice de partido”. Mas não resistiu a continuar detonando sanguessugas e candidatou-se pelo PV nas últimas eleições, recebendo a maior votação para deputado federal do Rio de Janeiro.

WALLY SALMÃO
Liberdade para soltar o verbo, defender a diversidade da língua portuguesa e para democratizar o acesso ao livro

 

O poeta Waly Salomão não passou muito tempo como secretário nacional do livro, integrando o Ministério da Cultura de Gilberto Gil. Um câncer interrompeu seu sonho de fazer da leitura uma “carta de alforria” social no dia 5 de maio de 2003, aos 58 anos. O caminho desta repórter cruzou o de Waly, em dezembro de 2002, pelas bandas de Macaé de Cima, serra fluminense, ele terçando canhões de palavras com disposição impressionante. Disposição que lembrava o Waly de 1998, quando, convidado a participar de evento no Colégio Equipe, em São Paulo, inundava a platéia com seu tow-in semântico. Filho de pai sírio e mãe baiana, desde a infância em Jequié (BA) Waly torneou o verbo. Cresceu numa família em que, dizia, “o livro era um ícone”. No governo, criou o Fome de Livro, programa complementar do Fome Zero. Gostava de misturas culturais e negava ter pertencido a movimentos, inclusive o Tropicália, do qual é considerado figura-chave. Dirigiu Gal no célebre show Fa-Tal , em 1971, que lançou suas composições “Vapor Barato” e “Mal Secreto”, com Jards Macalé, e “Luz do Sol”, com Carlos Pinto.

Dedicação, sonho e catimba
No mesmo ano, publicou o primeiro livro, Me Segura qu'eu Vou Dar um Troço , assinado com o lisérgico pseudônimo inventado ao fazer a revista Navilouca com Torquato Neto: Waly Sailormoon – pseudônimo de certo personagem que habitava os galhos de uma grande árvore em Botafogo... Além da amizade tropicalista com o artista plástico Hélio Oiticica, autor da instalação que inspirou o nome do movimento, Waly assinou parcerias com Caetano Veloso, Antônio Cícero, Torquato Neto, Lulu Santos, Macalé, Adriana Calcanhoto e viveu o poeta Gregório de Matos no filme homônimo de Ana Carolina, em 2002. Mas foi sobretudo um homem de letras e, no governo, tinha a esperança de trabalhar, como disse em entrevista a Heloísa Buarque de Hollanda, “com muita dedicação, sonho e catimba” pela difusão do livro.

DANILO MIRANDA
Liberdade de demonstrar como todas as formas de cultura são bens comuns – e devem chegar a todo tipo de público.

 

O diretor teatral Gerald Thomas não se cansa de espalhar aos quatro ventos sua adoração por Danilo Santos de Miranda: “É o verdadeiro ministro da cultura do país”, define. E é possível mesmo que o diretor do Sesc São Paulo tenha colocado em cena, no âmbito dos 30 Sesc estaduais, mais cultura que o ministério em todos os governos. No comando da instituição desde 1984, para Miranda a cultura tem de ser vista como educação permanente, visando à formação de criadores e platéias e, acima de tudo, do bem-estar social. Na longa gestão do sociólogo, fluminense de Campos dos Goitacazes, ex-seminarista do Colégio Anchieta de Nova Friburgo, passaram por Sesc paulistas intelectuais como Edgar Morin, Pierre Levy, Jean Baudrillard e Domenico De Masi, autores do teatro e do cinema como Peter Brook, Kazuo Ohno, Hanna Schygulla, Isabelle Huppert, Vanessa Redgrave, Jerzy Grotowski e grupos como a Companhia Australiana de Dança e o Teatro Nacional da Grécia.

Combate à fome
O próprio Gerald, como também o diretor Antunes Filho, praticamente deve a concretização de suas obras no Brasil ao Sesc, que há 30 anos apóia o trabalho de Gerald e o de Antunes. Miranda, no entanto, faz questão de salientar que a abertura para as vanguardas artísticas é apenas um aspecto de seu trabalho. Ele respeita todas as tendências, dentro de uma perspectiva de gestão de caráter público numa instituição privada, uma vez que ela é financiada por contribuições compulsórias. No início dos anos 1990, o Sesc engajou-se também na campanha pela vida e no combate à fome de Betinho. Decidido a ir além de ações pontuais de coleta de alimentos, Miranda foi pesquisar em Nova York a City Harvest, organização que busca comida onde está sobrando e leva onde está faltando. Nasceu assim em 1994 o programa permanente Mesa São Paulo, depois estendido a todo o país como Mesa Brasil, com milhares de doadores e beneficiários cadastrados.

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Trip #150 – Liberdade
Páginas Negras: Jorge Mautner
Perfil: Osho Rajneesh
Reportagem: Aula na mata

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