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| Nesta página você vai conhecer
os indicados ao Prêmio Trip Transformadores na categoria
Bisofera. Pessoas que reciclam idéias e gastam energia
para garantir equilíbrio ao planeta e bem-estar às
gerações
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Acreditamos que a humanidade só garantirá a
qualidade de vida quando souber conviver em harmonia
com o ambiente em que vive. Que a responsabilidade
da preservação é de toda a sociedade,
com ações praticadas no seu dia-a-dia.
Que a sensibilização de um indivíduo é a
base da mobilização coletiva. Que a nossa
luta é hoje, agora e deve ser renovada a todo
momento. Não podemos deixar para agir amanhã.
Que a sustentabilidade da vida no planeta depende de
uma economia que tenha o socioambiental como premissa.
(Trecho do Manifesto SOS Mata Atlântica)
Nascido e criado numa das famílias mais tradicionais
do país, Roberto Klabin herdou, além
do sobrenome lituano, a mão de ouro para os
negócios. Filho de Samuel Klabin, o último
presidente da Klabin Celulose e Papel antes da profissionalização
que tirou os membros da família dos cargos de
administração direta, o dono de belas
porcentagens das ações da empresa não
se conteve com a comodidade de uma carreira empresarial
bem-sucedida. Preferiu seguir a linha do primo Israel,
presidente da Fundação Brasileira para
o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Assumiu
em 1986 um pacto com a sociedade, quando desenvolveu
seu manifesto ecorresponsável e criou a ponte
entre o mundo corporativo e o real, aquele que sofre
as conseqüências diretas do impacto da destruição
do meio ambiente. O contato com a natureza, que antes
se resumia às cabeças de gado da família
e às árvores usadas na produção
de papel, cresceu e colocou o sobrenome que desembarcou
com seus primeiros
representantes em águas tropicais há cinco
gerações na lista de chamada
da consciência social.
O pedido de socorro vem logo no nome: SOS Mata Atlântica.
Sim, Roberto Klabin, presidente e fundador da organização
não-governamental, crê na salvação
do pouco que nos resta de área verde e utiliza
toda a sua competência administrativa para salvar
o que antes era seu principal objeto de consumo: as árvores
que serviam como matéria-prima para sua empresa
de papel.
Em 1990 inovou com a publicação do primeiro
Atlas dos remanescentes florestais e ecossistemas associados
da mata atlântica, que determina a distribuição
espacial da cobertura vegetal do bioma. Dois anos depois
mapeou o ritmo do desmatamento da região,
conseguindo assim dados concretos para combater
o problema. Desde então não parou mais.
Da vegetação original que ocupava uma área
de 1,3 milhão de km2, restam hoje cerca de 7%,
fato que chama a atenção para o real
tamanho do problema: a mata atlântica é considerada
por ambientalistas uma das regiões mais ameaçadas
do planeta. Dentro dessa perspectiva é que vem
o reconhecimento das ações de Klabin.
“Estão tirando o verde de nossa terra”
É com esse mote que o empresário pretende aproximar o problema
da sociedade e propor soluções práticas para sua resolução,
afinal, cerca de 110 milhões de pessoas dependem de seus serviços
ambientais, como o abastecimento de água. Apesar de parecer distante,
a questão é muito mais próxima do que se imagina. A mata
atlântica transita entre 17 Estados brasileiros, enquadra sete das
nove bacias hidrográficas do país e representa efetivamente cerca
de 15% de todo o território nacional.
Além de fundador e presidente da SOS Mata Atlântica,
que conta hoje com mais de 150 mil associados, Roberto
Klabin emprestou sua influência e seus dotes
empresariais à presidência do Fundo Brasileiro
para a Biodiversidade (Funbio) – mais um de seus
tentáculos sem fins lucrativos que buscam minimizar
os efeitos
da destruição ambiental. Sem limites
quando o assunto é preservação,
um dos defensores mais engajados do ecossistema mundial
serve como exemplo de conscientização
e agradece a natureza – responsável pela
riqueza da família – de forma justa: preservando-a.
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André Trigueiro é hoje um dos nomes
mais importantes do jornalismo ambiental. Apesar de
atuar desde 1996 como repórter e apresentador
do Jornal das Dez, noticiário do canal de TV
a cabo Globonews, sempre deu um jeito de enveredar
seus caminhos para a causa que julga mais nobre: o
meio ambiente. Pós-graduado em gestão
ambiental pela COPPE/UFRJ e criador do curso de jornalismo
ambiental da PUC-RJ, Trigueiro aproveitou o espaço
concedido pela emissora para roteirizar e apresentar
programas sobre o assunto. A série Água:
o desafio do século 21, transmitida em 2003,
lhe rendeu os prêmios Imprensa Embratel de Televisão
e Ethos – Responsabilidade Social, na categoria
Televisão. Dois anos depois, a série
Kioto: o protocolo da vida o presenteou com o título
Hors Concours no Segundo Prêmio CEBDS de Desenvolvimento
Sustentável. No mesmo ano, pela série
A nova energia do mundo, recebeu o Prêmio Nacional
de Conservação e Uso Racional de Energia,
oferecido pela Eletrobrás e pela Petrobras.
Pelo programa Cidades e soluções, também da Globonews, levou
para casa em 2007 o Prêmio Ethos de Jornalismo na categoria Mídia
Eletrônica/TV, o 3º Prêmio ABCR de Jornalismo e o Prêmio
Especial do Júri na categoria Mídia na terceira edição
do Prêmio CEBDS, além do Prêmio Comunique-se na categoria
Jornalista de Sustentabilidade. Mas todo esse reconhecimento
não é suficiente. Trigueiro milita semanalmente no programa
Cidades e soluções e no quadro “Mundo sustentável”,
pela rádio CBN. É voluntário da rádio Rio + 10, onde
apresenta o quadro “Conexão verde”, e é consultor e
articulista do site Ecopop.
Lançou em 2005 o livro Mundo sustentável – abrindo espaço
na mídia para um planeta em transformação, em que faz questão
de enfatizar que seu objetivo é despertar a sociedade para a ecologia,
colocando em prática os conceitos que prega: seu projeto, além
de lançado em papel reciclado, tem toda a sua renda de direitos autorais
revertida para o CVV (Centro de Valorização da Vida). André Trigueiro
diferencia-se de outros profissionais dedicados ao ambientalismo pelo simples
fato de sempre se preocupar com a natureza como um todo – o que inclui,
invariavelmente, o ser humano. Acredita que o Brasil só terá bons
profissionais da área a partir do momento em que eles saírem
de suas faculdades com o tema discutido e com soluções propostas.
Ressalta, sempre que pode, que as questões ligadas ao ambiente caminham
para
um mercado em expansão, visivelmente. Longe de adjetivações,
a grande preocupação de Trigueiro não é nenhuma vertente
do jornalismo, mas uma virtude que comprova em seus atos: a cidadania.
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O jornalismo está no sangue do veterano Marcos
Sá Corrêa. Filho do analista político
Villas-Bôas Corrêa, o jornalista com 35
anos de carreira é referência quando o
assunto é meio ambiente. Formado em história,
começou a carreira como fotógrafo, mas
logo trocou as lentes de sua câmera pela máquina
de escrever. Além do gosto pela fotografia,
em que também reflete sua paixão registrando
a natureza, Corrêa dividiu-se durante décadas
de carreira entre grandes redações. Foi
editor-chefe do Jornal do Brasil, diretor de redação
do periódico O Dia, emprestou sua opinião
em colunas para revistas como Época e Veja,
transitou entre diversos veículos, inclusive
online e, como se não bastasse, é autor
de livros como O burocrossauro e
a biografia do arquiteto Oscar Niemeyer.
Mas a menina dos olhos desse carioca é verde, está ameaçada,
e, como bom apaixonado, ele tem feito de tudo para minimizar seu sofrimento.
Criou o site ECO, com a finalidade de servir de exemplo e funcionar como uma
espécie de escola de jornalismo ambiental. Apesar de se considerar essencialmente
fotógrafo, o jornalista admite que o grande culpado pela repentina transição
em sua carreira foi uma verdadeira reviravolta em seu modo de pensar. O estopim
da mudança dos textos políticos para os ambientais foi a reflexão
feita após a leitura do livro A ferro e fogo, do americano Warren Dean,
onde Corrêa passou a compreender a história do Brasil a partir do
ponto de vista de sua degradação ambiental. Desde então,
seu interesse pelo assunto, que já era grande, foi além: decidiu
deixar de ser espectador da questão. Já não conseguia só viajar
e admirar belezas naturais. Pensava no que antes fez parte do cenário
e hoje não mais existe.
Seguindo a tese do maior especialista em florestas tropicais da atualidade, John
Terborgh, Corrêa crê que em 2050 não existirão mais
florestas tropicais. Ele se preocupa com o que restará para seus descendentes.
Pessimista ou realista, o fato é que Marcos Sá Corrêa não
mede esforços para defender seus novos ideais. Quando indagado a respeito
do antigo foco profissional, ele costuma ser enfático em suas respostas – não
sente saudades das coberturas políticas e já não agüenta
ler o mais do mesmo dos jornais diários e revistas semanais. Com energias
voltadas ao ambientalismo, enfatiza que não existem políticas públicas
de conservação ambiental no Brasil e tenta conscientizar a população,
que julga despreparada em relação ao assunto, aproximando o problema
em seus textos. Hoje, Corrêa faz de tudo para que a Amazônia não
se torne uma bela lembrança.
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