Revista Trip

 
tamanho da letra
aumentar fonte
diminuir fonte
icone postado
Postado em 29.05.2009 | 05:54 | Bruno Torturra Nogueira
divisão
No meio de um esfumaçado bloco que parece não ser mais possível de calar, uma sujeito no Texas está dando o novo enredo. Depois de tantos ativistas, artistas e libertários repetindo o óbvio argumento de que não faz sentido prender gente por conta de maconha, um ex-policial parece ter a bomba que faltava.
Um currículo sujo - e provas - o suficiente para desfazer as ilusões do mais extremo puritano. Barry Cooper é o nome do ex-meganha. Do tipo que o brasileiro conhece bem - violento, corrupto e viciado na adrenalina que autoridade exercida produz. O fato é que o Barry não tinha talento para canalha, e aos poucos percebeu o mal que estava fazendo às pessoas que botou em cana.
Largou o distintivo, mas só parou de sofrer com culpa depois de dar o troco na polícia e na lei. Com toda a ingenuidade e o ridículo típico dos estadunidenses, ele lançou DVDs, montou um site visitado por milhões e ensina, com autoridade de quem executou leis da maneira mais inescrupulosa, como usuários de maconha podem se proteger.
Mas Barry foi bem além do manual para o maconheiro rife. Acaba de montar um grupo que cresce assustadoramente e está colocando a polícia em alerta total. Kopbusters, os caça-policia.
Espécie de pegadinha com graves implicações constitucionais: ele e seus comparsas escondem câmeras e gravadores com a ajuda de contra-informantes flagram policiais invadindo casas sem mandato, plantando drogas em mães de família, socando a cara de garotas algemadas e aterrorizando crianças dentro dos lares. Armar pra cima de policiais com câmeras e amigos está virando moda entre novos ativistas.

Barry já processou inúmeros policiais e juízes e se tornou a dor de cabeça número 1 da polícia Texana. Rogo os sete céus que algum polícia brasileiro arrependido lave a alma como Barry. E que você, marofado leitor, preste atenção nas lições do "Never Get Busted". Eu sei que não parece, mas por algum motivo perdido no século 20 fumar maconha ainda é crime.

Vale a pena ver toda a série. Abaixo o primeiro capítulo.

aqui, o porrada Kopbusters.

e aqui uma longa e muito boa entrevista que Barry concedeu a Alex Jones

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (1) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 29.04.2009 | 12:09 | Bruno Torturra Nogueira
divisão

Momento Kodak, by Barack

Momento Kodak, by Barack

 

Change é isso... Obama acaba de entrar no flickr.
Sem brincadeira, a Casa Branca é a mais nova conta do melhor site foto/social do mundo. Estreou ontem mesmo, e ainda está fresquinho. Poucas visitas, meia dúzia de comentários nas fotos e uma edição esperta demais. Líderes mundiais e bolos de aniversário. Reuniões militares e passeios com Bo, o primeiro-cão norte americano. Até o Lula, "his man", deu as caras.
Os cliques são de Pete Souza, abrindo seu já histórico portfólio. A promessa é que todo dia, ou quase, o cidadão do mundo possa ver o que faz e, e mais importante, qual o look do presidente uber-cool enquanto segura a uber-bucha.
Se bailouts e bravatas otimistas vão funcionar, nem Deus sabe. Mas só de ver o glamour e a cara de esperta da turminha do Obama (depois dos evil-jacus no regime Bush) ajuda muito na espera.
Possivelmente quando você, atrasado leitor, visitar o tal flickr a coisa vai estar grande. Eu, assumido viciado no foto-site por conta da minha página, acabei topando com a coisa recém-criada. E não resisti a deixar infames comentários. Americano não tem humor, pela madrugada. Fui forçado a inaugurar a lista de respostas a uma das fotos de Obama e Biden com uma citação de Jane e Herondy. Em português! Viva a terrinha, o pá. E por aí foi...

Clica: http://www.flickr.com/photos/whitehouse/

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (1) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 20.04.2009 | 13:36 | Bruno Torturra Nogueira
divisão

Tirando a cantina Gigio, amigos e café decente, a única coisa que me dá saudade do Brasil ultimamente é o descaramento dos meus patrícios.
Veja você. Aqui na América nego gasta os tubos com salários e mega-produções para fazer TV. Só porcaria, não escapa. Mal sabem eles que porcaria, pra ser boa, tem que ser barata.
Aqui, nosso querido GIvanildo Silveira coloca Anderson Cooper na sarjeta com essa peça jornalística que resume a vocação da telinha. Pra que alta definição? Pra que correspondentes na China? Pra que gramática correta quando, em Caruaru, um Pincher pervertido está com a febre do rato?
Sem ironia? Horário nobre é isso!

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (1) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 15.04.2009 | 13:19 | Bruno Torturra Nogueira
divisão

As Páginas Negras com Rodrigo Amarante que fiz ano passado foi uma especial das mais de 10 que assinei na Trip. Pelo timming (a banda estava ainda longe do hype, dando duro na primeira tour pelos EUA), pela experiência (peguei um show em um bar fuleiro de Oklahoma, a cidade grande mais fuleira desse país) e, principalmente, pelo cara. Conversa boa, aberta, sobre assuntos que nos interessam especialmente. Trabalho bom. Tive a impressão que mais do que uma boa entrevista, saí com um camarada. Estava certo. 10 dias depois a banda chegou a San Francisco, trombei com eles no show do Slim's, Rodrigo se hospedou aqui em casa por uma noite com a doce Karine Carvalho, sua mulher.

Quando Rodrigo desembacou no Brasil para uma lotada tour do Little Joy, estava na capa da Trip nas bancas. Mas Rodrigo não ficou muito feliz com o resultado. Entendo muito seu lado. A entrevista está bem honesta e fiel com as duas horas e meia gravadas em Oklahoma. Mas a capa destacou demais a questão da grana, ou da falta dela, na vida de Amarante. Chato. De longe, lamentei. E aceitei como um duro osso do ofício.
Fiquei feliz quando Rodrigo me ligou semana passada. Estava nos EUA de volta, e a caminho da San Francisco para tocar com Devendra Banhart. Me ofereceu dois ingressos para o Independent. Casa de show da boa, vizinha do meu apê.

Quase só música nova. Tocadas pela primeira vez ao vivo. Em uma palavra: foda. Canções lindas e, acima de tudo, feitas com tesão, sem pudores estéticos ou pose. E ficou claro, mais uma vez, que sorte Devendra e Rodrigo tiveram ao se encontrar. No palco, nas vozes, nas melodias - feitos um para o outro.

Aqui ofereço uma gema: Devendra apresentando uma canção pela primeira vez. Apresentando Rodrigo em seguida. E nosso patrício emendando uma do Little Joy. É por essas que San Francisco vicia.

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (4) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 03.04.2009 | 16:35 | Bruno Torturra Nogueira
divisão

Topa Tudo Por Dinheiro. Crise é oportunidade. O G20 reconhece os tempos de vacas magras e ao final da conferência em Londres assinam um papel de suma importância: um contrato exclusivo com Sílvio Santos para a transmissão dos painéis, mediação de CynAo final do encontro em Londres, o G20 assinou um papel de suma importância: contrato exclusivo com Sílvio Santos para a transmissão dos painéis, mediação de Cynthia Benini e encerramento no "Tentação" de domingo

O Obama já falou que o Lula é o cara. Mas Sílvio é o patrão. Com bolsos repletos de aviõezinhos de notas de 100 e um carisma de 7 Obamas, nosso patrício oferece ajuda econômica global, a ser paga em carnês, e sorteia mais de 10 casas próprias (ou barras de ouro) ao mês para estabilizar a bolha imobiliária.

Conferência de cúpula é sempre assim: parece que o mundo está indo pelo ralo - em ritmooooo... em ritmo de festa.

Mas quem roubou a cena foi Michelle O. A primeira dama, que também é o cara, fez bonito ao quebrar feio o protocolo.

 

O pacote de estímulos inclui um puxadinho na Casa Branca

O pacote de estímulos inclui um puxadinho na Casa Branca

Sasha e Malia, as Obaminhas, estão animadíssimas com o saldo. Ambas crêem que a nova governanta de sotaque britânico e rígidas estacas morais é na verdade Robin Williams travestido.

 

divisão
  • Avaliar:(+ 1)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (0) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 30.03.2009 | 13:21 | Bruno Torturra Nogueira
divisão

John Perry Barlow nessa madrigada. Champagne, Revista Trip e Domino

John Perry Barlow nessa madrigada. Champagne, Revista Trip e Domino's Pizza. Couvert perfeito para filosofia de fim do mundo

Há meses ele me enrola com mensagens quase diárias, sempre adiando a entrevista que ainda em 2008 requisitei. Ontem, nove da noite, John Perry Barlow mandou um SMS perguntando se eu poderia falar com ele no ato. Fiz a mala com câmera, gravador e outras parafernalhas. 5 minutos depois cheguei no Toad Hall, uma "famosa" casa da área, propriedade de John Gilmore, lendário fundador da Sun Systems, onde Barlow vive em um amplo quarto zoneado e abarrotado de frascos de todo tipo de pílula, vitamina e smart drug. Somos vizinhos na cidade, 3 quadras da esquina da Haight com a Ashbury.

Resultado: saí de lá às quatro da manhã da presente segunda feira, com horas gravadas mas não com uma entrevista exatamente. John fala, fala muito, mas não é chegado em responder perguntas. Flutua nos temas e quando você dá por si ele está longe. Falando de Deus quando a pergunta é sobre copyleft, ou falando de bares do Wyoming quando a pergunta é sobre Deus. Ou simplesmente interrompendo o papo para responder uma ex no facebook, para um sms no seu hiperativo iphone ou para fazer um pedido na Domino's Pizza como quem narra uma antiga novela de rádio.
O que interessa nesse post, prévia da matéria que logo mais vou publicar no site da Trip, é a obsessão de Barlow com o Brasil. Desde sua epopéia brasileira pelas mãos de Gilberto Gil no ministério da cultura, nosso chapa não vê os EUA com os mesmos olhos. Cita Gil, Caetano e Mautner a cada dois minutos. Sente que nosso espírito, nossa mais profunda mentalidade é ouro para o futuro próximo: a capacidade de reconciliar opostos, de não discriminar bem e mal com a mesma clareza da cultura americana.

Hoje, ou amanhã, vamos nos trombar de novo para um segundo round, com vídeo e, possivelmente, mais estrutura na conversa. E podem contar com uma entrevista deveras instigante. Nosso cyber profeta, filósofo financeiro e psicodélico, crônico bon vivant e utopista incorrigível vai abrir o bico sobre:
- o inevitável colapso completo da economia global
- a hecatombe ecológica dos próximos anos
- o que deu errado com os anos 60
- o que deu errado nos anos 00's
- porque o mundo, no fundo, continuará a mesma pocaria e maravilha que sempre foi

retornai, caro leitor

 

divisão
  • Avaliar:(+ 1)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (1) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 24.03.2009 | 03:06 | Bruno Torturra Nogueira
divisão


Quem lê esse blog sabe que não sou dado a exaltar tecnologia, gizmos e gadgets. Mas um brinquedão lançado pela Canon me deixou com ferozes ímpetos de consumo. Eu PRECISO da nova 5D MRK II, a fotográfica profissional que em poucos meses já virou padrão para o futuro. A novidade é que a Canon 5D filma. E o neves não morreu por um motivo: finalmente levaram a filmagem a sério, e fizeram o óbvio. Juntaram o melhor dos dois mundos. A qualidade ótica e todas as sutis possibilidades das lentes profissionais, a alta resolução das fotos e todos os truques focais. Uma filmadora tradicional com esses recursos sempre custou fábulas em dólar. A 5D sai por 2500 dólares o corpo (sem lentes).
baixando o custo e dando literalmente movimento à fotografia, a Canon recriou a roda e abriu novas e largas possibilidades estéticas em cinema. E novos horizontes para cineastas em orçamentos de estudante interessados em sérios estudos em filmagem.
A prova é Keith Loutit. Há poucos meses ele tem uma 5D MRK II. E postou curtinhas bem simples que demonstram o que digo aqui. Com o diafragma aberto a distância focal reduz. Apenas uma curta linha na profundidade de campo está nítida. Acertou a velocidade para 2 quadros por segundo na captação. Exibe a 30q/s, padrão de vídeo. Detalhes técnicos de lado, deu na perturbadora ilusão de que o mundo real captado em sua câmera é uma animação de minuatura.
A técnica chama-se Tilt-shift miniature faking. Simples pacas. Mas só vendo pra entender o que faz o já mestre de uma nova estética.

 

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (3) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 14.03.2009 | 05:19 | Bruno Torturra Nogueira
divisão

Porque um dia, garota, você sabe que vai morrer. Skip James manda o blues definitivo em "Crow jane"
Adoro tirar radiografia, palavra. Ontem tirei uma panorâmica da boca e foi excelente. Pena que as notícias não foram das melhores. O siso estava nascendo deitado, fundo e todo comido por dentro. Segunda arranco, finalmente, e dias malditos me esperam. Sozinho, boca costurada e cabeça moída de pressão e medicinas. Antecipando a ressaca espiritual, passei o dia trabalhando à base de música doída e pensamentos mórbidos. Toda vez que vejo meus ossos, meus encaixes e um médico graduado mais novo do que eu, penso ainda mais na morte. E quando a morte assombra, pouca gente faz uma trilha melhor que Skip James e Son House. 
Ponto positivo da cirurgia vindoura: óxido nitroso. Nunca experimentei, e vai ser uma boa ocasião para tentar o gás hilariante. Uma droga legal, inócua ao corpo, que te faz rir antes de uma extração dentária? Só pode ser boa. Dou o relato na segunda à noite.


Son House, black power é isso. Death Letter Blues, blues com letra de evangelho macabro
divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (1) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 13.03.2009 | 05:28 | Bruno Torturra Nogueira
divisão

Outro dia o sempre bem penteado Elohim, xará de Deus, me mandou uma prova de que Ele, Deus, existe. Um vídeo de Willard Wigan. É um negão inglês de 51 anos que passou necessidades na vida. Tímido, meio doidinho, cresceu analfabeto em uma família problema. Tudo jogando contra, ele ganhou de todo mundo. É o ser humano mais preciso que existe.
Com ferramentas feitas em casa e um microscópio decente, e ele fez uma coleção de esculturas delicadas e do tamanho de uma célula. Uma lasca de um grão de areia. O cara entalha partículas com agulhas, pinta detalhes usando fios de cabelo. Uma asa de mosca vira moldura. Tem as mãos mais precisas do que o olho. Para ver a obra de Wigman, você também precisa de um microscópio.



Ele é de pensamento frio e fluente, tem um claro sentimento de orgulho e o olhar de um homem vingando. Seu talento é um extremo autocontrole, um mestre autodidata. Para aumentar o drama, pega essa: ele só ataca seus grãos entre um batimento cardíaco e outro. Para o pulso não tremer sua mão na exata hora do toque. Ele diz que é "deprimente", "terrível", produzir as peças. Muitas se perdem, se quebram, ou, simplesmente... "Estava esculpindo a Alice, do país das maravilhas, e ela sumiu. Eu acho que a inalei".

"Meu trabalho é pequeno, mas tem um impacto colossal", diz com razão e consciência de que há um decreto espiritual no que faz. Foi o que senti quando vi o sujeito e sua obra. Que algo evidente demais para ser visto cobre tudo. Que sem algum esforço não conseguimos ver a beleza dissimulada das coisas. Enquanto hoje a ciência mergulha mais fundo na essência do vácuo e decreta que não existe espaço vazio, foi um artista sem estudo, tratado como atração de circo por muitos, que melhor definiu a nova fronteira da compreesão com a seguinte frase: "Eu só quero provar que nada não existe".


Hoje, nosso nano Rodin - como não, Wigan também esculpiu "O Pensador" - está com um macro saldo. Quando o vídeo abaixo foi veiculado, David Loyd, um ex-tenista e empresário britânico pagou vinte milhões de dólares por todas suas esculturas. Seus trabalhos podem ser vistos em microscópios em museu todo dedicado a ele.


Willard Wigan continua produzindo. Sua última escultura foi a família Obama de mãos dadas em cima da cabeça de uma agulha.


Espia isso e tente não tremer.
divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (2) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 11.03.2009 | 03:41 | Bruno Torturra Nogueira
divisão

O chapa Bressane postou em seu blog a capa da Economist de março. A mais importante publicação capitalista, poderosa reportera do staus quo, enche a capa de vermelho e declara o fracasso da Guerra às Drogas. Hoje comprei aqui em San Francisco uma delas. Não declaram o fracasso apenas, o que é mais importante. Economist abre um editorial pedindo realismo ao poder. "Legalização", afirma a revista, "é a menos pior das soluções".
Expressão besta e, em si, careta. Mas talvez necessária para que os votos passem em congressos pelo mundo. "Menos pior" assume a feiúra que certamente virá com a a legalização de todas. TODAS as drogas.
A questão, que a Economist finalmente reconhece sem papas na língua, não é simplesmente definir quais são as drogas seguras o suficiente para vender na farmácia. A grande ficha que precisa cair é simples: proibir qualquer droga é fazê-la, necessariamente, menos segura.

Um google (em inglês) rapidamente lhe dará estatísticas e estudos o suficiente para provar a o dito acima. O que me espanta, na verdade, é a velocidade com que o assunto está avançando na media mainstream aqui nos EUA.
Todo dia, em qualquer jornal ou noticiário, alguém levanta a lebre do fracasso da proibição, citam a lei seca como exemplo equivocado, e apontam o que todos os até ano passado radicais bradavam: droga mata muito menos do que as balas da guerra às drogas.
CNN deu algumas matérias ultimamente reconhecendo o valor espiritual dos cogumelos mágicos e sua praticamente nula toxidade. Aqui:

BBC foi longe ao abrir espaço para uma pesquisa que demonstra que MDMA não faz metade do mal que se supunha. LSD vem sendo revisto em artigos e em confissões de gente de bem.  A maconha, então, já parece causa ganha. Uma ordem meio secreta vazou na imprensa no fim de semana. Eric Holder, procurador dos EUA, mandou o DEA parar de pertubar os clubes e jardineiros de canabis da Califórnia.
O realismo pausado de Obama parece ter contagiado, senão a população cristã, os colunistas e repórteres. Há uma estranha onda de tolerância às drogas que não parece tão fácil de ser contida no meio de uma crise esfarelante e um partido republicano fedendo de mofo.

Amanhã, aqui no blog, informações novas em folha, coletadas por mim direto dos pesquisadores em Oakland. Um outro componente da maconha, o CDB, pode ser a chave para desvendar a diferença entre tantas variedades de erva, para explicar paranóia ou tranquilidade em diferentes usuários. Além disso, talvez seja um dos mais importantes compostos medicinais para estudos hoje em dia. Sem dependência ou efeitos sedativos, puro CDB parece ser o mais eficaz e seguro antídoto para ansiedade.

E nas bancas, corre lá, matéria sobre o mercado e os pacientes de maconha medicinal da Califórnia.
divisão
  • Avaliar:(-1)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (0) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
CATEGORIAS

 


ARQUIVO
Páginas: 1 | 2 | 3  próximo »
TAGS