Postado em 24.11.2011 | 17:12 | Arthur Veríssimo

Além do canal de Moçambique, nos confins da África Meridional, está a ilha de Madagascar. Quem é leitor assíduo da Trip já conhece algumas de suas míticas histórias graças ao nosso repórter excepcional Arthur Veríssimo, um homem de nervos de aço que cruzou centenas de quilômetros pela terra do pássaro-elefante em uma reportagem publicada na nossa edição #81, de agosto de 2000. Onze anos depois, Arthur retorna à Ilha do Amor, novamente acompanhado pelo guia Marco Leoni, lenda viva da tatuagem no Brasil, para mais uma rodada de exploração mística no sul do continete africano.
De volta à terra do povo Malgaxe, Arthur está desenferrujando seus conhecimentos no idioma, abraçando grandioso baobabs (ou cabaceiras) de 1700 anos, espiando tubarões de mais de três metros e provando iguarias como a tradicional sopa de morcego com mostarda. Ao lado do homem que praticamente fundou a tatuagem artística do Brasil e que tem mais de 100 mil km de milhagem rodando por Madagascar, ele está registrando as praisa paradisíacas e encontrando tempo para comprar pequenos pedaços do céu como a famosa baunilha madagascarense.
"80% da população de Madagascar tem media de 20 anos de idade. A expectativa de vida é curta, a vida é dura. Existem poucos anciãos", comentou Arthur em seu perfil no Twitter, onde está comentando os pontos principais de sua viagem. "Agora ainda existe uma igreja apocaliptica na ilha mobilizando a população para o fim do mundo. O responsável chama-se Mayollll e bombardeia os malgaxis".
Quer saber mais? Siga Arthur Veríssimo no Twitter e fique de olho no site da Trip para mais informações da viagem do nosso repórter pelos confins do paraíso malgaxe. Veja na galeria a matéria de 2000 e fotos da viagem atual.
Postado em 23.09.2008 | 12:35 | Arthur Veríssimo

O trânsito frenético de caminhões, jipões militares, motos e corvos dificultavam o raciocínio. Éramos os primeiros na fila da saída dos estrangeiros e fomos os últimos. Ficamos de castigo durante 3 horas.
Nossos documentos de saída (várias folhas de autorizações) estavam adulterados. Tínhamos que voltar para Lhasa e conseguir um avião. Ate Lhasa seriam mais 4 dias de viagem. Sufoco. Caos. Que nada. Um capitão do exército chinês aproximou-se. Mister Cheng. Deixou-nos tranqüilos.
Disse que as agências sempre fazem estas burradas e que teriam que pagar uma multa.Resumo da "ópera chino-tibetana-brazuca-nepalesa": o vacilão dono da agência foi localizado e as autoridades nos liberaram.
Katmandu está um pardieiro. O primeiro ministro maoista não liberou nenhuma verba para as festividades religiosas-populares desta temporada. Seria como não ter subsídios para o carnaval da Bahia e do Rio. Sintonizou-se?
Muita pancadaria pelas ruas. Aproveitei e andei mais de 10 km do meu hotel até outras quebradas.
*PS - As fotos são uma amostra da grande jornada que fizemos com os peregrinos ao redor o monte Kailash. O André como sempre encontrou um amigo das antigas em Pasupatinath.
Inté Arthur V.
Postado em 19.09.2008 | 13:45 | Arthur Veríssimo

A estrada como sempre seduz, atrai e magnetiza a vida. Percorrer cenários lunares e desconhecidos revigora o equilíbrio e harmoniza a inquietude.
Vivo intensamente neste exato momento ao lado da minha barraca de nômade. O frio é de apavorar. Haja meditação e trekking religioso.
Durante o início estava cabrero diante da possibilidade de acampar nesta friaca tibetana.Com o tempo meu corpo foi criando um campo de força de proteção. Banho é algo impossível. Para vocês terem uma idéia, os nômades nesta área lavam seus corpinhos queimadíssimos de sol, apenas uma vez por ano.
O espírito flana com o vento e os imponentes cachorros tibetanos devoram o resto de comida dos nossos anfitriões.
A tranqüilidade e o gelo aquieta os preconceitos arraigados. Lanço ao espaço tudo aquilo que não vale mais a pena carregar, neste final de tarde a 4.900 metros de altitude.
O frio promete nesta madrugada uma temperatura de apenas 7 graus negativos. Tá fácil.
Tashi Delek.
Postado em 15.09.2008 | 16:36 | Arthur Veríssimo
A cidadela se chama Saga. Ficamos uma eternidade aguardando a autorização para entrar nesta região cheia de segredos e militares.
Um hotel espelunca, com dezenas de hindus nos chamou a atenção. Paramos o veéculo e resolvi trocar uma idéia com os indianos. Todos estavam muitos queimados de sol. Um senhor extremamente educado aproximou-se. Contou que haviam acabado de chegar do parikrama (a volta do Kailash).
Senhores, velhinhas, jovens com pesados casacos e um saddhu com um mala (rosário) de ouro lançou um olhar solene para o André. Queria saber quais eram nossas intenções religiosas. Ficamos conversando e tomando chá de jasmin durante um par de horas. Aquele homem ja havia feito a volta por mais de 20 vezes na vida, a circumanbulação ao redor do Kailash.
Postado em 12.09.2008 | 13:32 | Arthur Veríssimo

Ponham fé.^^~-_-^^~-_-^^~-_-^^~-_-^^~-_-
Estou na última fronteira da água quente, cama confortável e informações via TV e internet. A partir de agora a estrada nos destina uma vida crua, selvagem e nômade.
Acabamos de chegar em Lhatse, um fim do mundo, distante 420 km de Lhasa e 780 km de nosso destino final de 4x4, o Lago Manasorovar. Nosso guia Mima insistia que, a partir da próxima cidade, não teríamos mais chuveiro, água quente e outras mordomias. Iríamos para uma autêntica guest-house tibetana. Que medo.
Conheço muito bem os hábitos dos tibetanos em estadias prolongadas em Dharamsala. Não gostam de banho e os quartos de hotéis são um pavor. Eu e o André ficamos encanados. Resolvemos imediatamente dar um giro na única rua neste canto esquecido no mundo e restaurado pelos chineses. Encontramos uma internet 24 horas com chineses, uigures e tibetanos possuídos. Fumavam um cigarro atrás do outro. (neste exato momento que escrevo para vocês, inalo toneladas de substâncias tóxicas). Na frente do fumódromo, um baita hotel onde se hospedam engenheiros, políticos e turistas antenados.
Não é por nada não, mas optamos pela limpeza e água quente do que a guest-house ensebada com banheiro coletivo fedido e comida duvidosa.
Lhatse e o fígado do faroeste tibetano. Muita gente bêbada pela rua principal. A partir de amanhã iremos acampar em locais inóspitos no plato tibetano. Mudanças climáticas bruscas e ventanias cósmicas fazem parte do dia-a-dia.
Nossa meta será realizar a peregrinação de três dias ao redor da montanha mais sagrada do planeta, o monte Kailash
(6.714 metros de altitude). O Kaialash é reverenciado por hindus, budistas, jainistas e bonpas.
Voces entenderam nossa situação, seremos nômades nesta fronteira ao desconhecido.
Tashi Delek
Arthur Verissimo