O Campeonato Brasileiro de Snowboard-2000 detona uma nova fase do esporte: menos romantismo, mais profissionalismo

por Paulo Lima
Fotógrafos convidados: Juliana Veiga, Formiga, Gui Pádua, Gustavo Veiga, Jorge Colombo e Luiz Doro Neto

 

O Campeonato Brasileiro de Snowboard-2000 detona uma nova fase do esporte: menos romantismo, mais profissionalismo

Para quem participa do campeonato brasileiro de snowboard desde a primeira edição em 95, como nós da TRIP, as emoções se misturam - "mixed feelings", como diriam os americanos que dominam algumas modalidades do esporte. De um lado, a sensação de avanço absoluto, com uma das marcas mais valorizadas do planeta literalmente tomando conta do espetáculo. De outro, uma sensação de certa perda de espontaneidade.
A Nokia jogou realmente pesado e não deixou faltar nada, do equipamento de snow (incluindo jaquetas e calças especialmente desenhadas até para os mais sedentários membros da imprensa) a "convidados VIP", necessários para atrair certo tipo de mídia - pessoas com um perfil simpático e adequado ao ambiente, como Sabrina, absolutamente estreante no snow e como apresentadora da Band. Como diriam os skatistas, "sem miséria": a estrutura montada pela Nokia esteve à altura dos melhores eventos do esporte no mundo.


 

DAQUI PRA FRENTE, TUDO VAI SER DIFERENTE
O lado melancólico da moeda é o fato do campeonato brasileiro ter se tornado um coadjuvante sem brilho do evento maior da FIS (Federação Internacional de Ski). Apesar da estrutura meio mambembe em alguns anos, o campeonato brasileiro era uma festa absolutamente nossa, sem protagonistas de fora. Mas é da vida. O estilo "nós lá em casa" vai deixar saudades. Ficou no passado o tempo em que todos os snowboarders brasileiros cabiam na piscininha de água quente de Valle Nevado ou na sala de jantar do Lalau. A fila tem que andar. É tecla FF. Não rola rewind. Agora é ir buscar a (enorme) diferença que nos separa dos gringos, que literalmente nasceram na neve. A profissionalização é inevitável e deve ser saudada. Por exemplo: Moruzzi, que se dedica de cabeça ao esporte, treina na França. Marco Olm, que há anos radicou-se no Colorado, foi o primeiro brasileiro admitido como instrutor habilitado pela FIS na fechadíssima escola de ski em Aspen.

O ex-skatista Daniel Trigo (a maior ausência deste ano) vive na Califórnia. Não é por acaso que esses caras se colocam com folga à frente da galera que rala treinando no skate, no wake, em camas elásticas e outras tentativas de substituir a neve.

Definitivamente, parece ter terminado a época do velho oeste, em que "forasteiros" apareciam a cada ano e viravam revelação. O esporte amadureceu rápido. Na verdade, acaba de entrar na adolescência, fase em que nada é mais como antes, nem está como vai ficar. Transição. Aliás, algo que todo o snowboarder mais atirado adora.

Leia a íntegra desta matéria na
edição impressa da TRIP #81

Galã nº1: Além de ter aprimorado muito sua técnica no Slalom, Riccardo Moruzzi foi, na opinião das garotas, o Tarcísio Meira das Neves.

Galã nº2: José Carvalho Júnior, uma das figuras mais simpáticas do pedaço, fazia este ano a linha "conquistador cubano", uma liga entre Banderas e Cantinflas - com direito a bigode aparadinho e sobretudo preto. Na neve também fez bonito.

Simpatia 1: Vivendo boa parte do ano nas estações americanas, como Mammoth, Andrés, da Osklen, ganhou pela enésima vez o troféu commedy channel.

Simpatia 2: Cristiano, o sandboarder potiguar descoberto por Luciano Huck, chorava de emoção ao falar de sua Santa Rita natal, da neve e da família. Pegou sexto lugar no Big Air, com 15 anos e menos de sete dias de snowboard na vida! Fenômeno absoluto, daqueles que só pintam no Brasil.

Contador Voador: A Polícia Federal poderia facilmente confundir Rogério, o fundador da equipe Contábil Sumaré, com um de seus fugitivos mais procurados. É que o apelido de Rogério é Lalau e ele é juiz de snow. Ou seja, o verdadeiro juiz Lalau estava em Valle Nevado e se jogou no Big Air! Não é à toa que a Sumaré é a agência contábil da TRIP... Mas, infelizmente, o versátil snowboarder não aterrissou como queria e teve que ficar de molho nos melhores dias de neve.

El Conquistador: Jorge Colombo, diretor de arte da TRIP, responsável pelas imagens desta matéria, subiu a 12 mil pés e se transformou no SuperJorge, não deixando neve sobre neve na Cordilheira dos Andes.

TRIP #81
|PÁGINAS NEGRAS: MURILO BENÍCIO| |TRIPGIRL: MARYEVA DE OLIVEIRA| |ARTHUR EM MADAGASCAR| |FAST FORWARD| |JANIS JOPLIN: SUMMERTIME| |MODA UNDERGROUND| |VINGANÇA DO NERD| |MÍTIA| |OUTRAS PALAVRAS| |SHOW IT| |EDITORIAL| |CD DA VEZ| |EXPEDIENTE|

VÍDEO ENQUETE

Em vez de perguntar a posição dos snowboarders brasileiros no ranking, aproveitamos para saber qual é a melhor posição quando o assunto é sexo.

O time de atletas brasileiros patrocinado pela Nokia enfrentou nossa enquete poucos dias antes de embarcarem para Valle Nevado, no Chile, onde rolou o VI Campeonato Brasileiro de Snowboard.

Ao ouvir a pergunta: "Qual é sua posição sexual favorita?", alguns revelam que a melhor opção é aquela tão radical quanto o esporte. Há quem explique com detalhes a manobra predileta...


Performance de Júnior
Largada Boardercross
A eterna Isabel Clark prepara um chá de calcinhas.
Gui Pádua
Freezer natural
Auto-retrato de Gui Pádua (em 1o. plano) ao lado do editor da Trip Paulo Lima, Andrés da Osklen e Jéssica DeSilva.
Os irmãos Veiga, Gustavo e Juliana.
Isabel Clark em ação